quinta-feira, junho 26, 2008

VIAGEM

Metade de mim deixou de ser minha.
É culpa desta saudade
Que me leva e me traz.
Essa que me embala por mares gigantes,
Tormentas valentes, de ida e volta.
Sem cais, sem porto!
Talvez se perca o barco.
Neste mar de pensamentos
Que me arrancam de terra
E me levam para lá de mim,
Para lá de nós.
É uma viagem como tantas outras
Com ondas calmas que adormecem,
Com tempestades que atormentam.
É a viagem da saudade
No mar do amor,
No barco do pensamento,
No cais da verdade,
É levantar velas e zarpar.
É a saudade que me leva até ti,
Viagem debaixo de sol quente,
Debaixo de tempestade de trovões,
Apetece sempre levantar âncora
Só para te encontrar e ficar a dois.
Metade de mim é barco,
A outra é o cais onde atraco.
Mas eu gosto é de navegar por esse mar.
E quando atraco é só para descansar,
Limpar a proa, limpar o mastro,
Verificar velas…
Se neste intervalo de tempo me esquecer de ti,
Deixa-me ficar aqui sossegado.
Mas se tu te lembrares de mim.
Vem buscar-me e voltamos ao mar.

A.S

terça-feira, junho 24, 2008

A Polícia no seu melhor…

Bem sei que não digo nada há muito tempo. Não é que não tenha nada para dizer, mas o tempo não dá para tudo. Inspiração não falta, mas essa só fala de amor e não me apetece transformar este blog numa página cor-de-rosa.
Venho aqui só para partilhar uma situação deveras bizarra, mas como aconteceu com a Autoridade pode ser que sirva para terem conhecimento de que algumas coisas estranhas acontecem. (não sei se será só nosso país, talvez não).
O que se passou foi o seguinte; estacionei o meu carro numa sexta-feira à tarde no Parque das Nações. Ia apanhar o comboio, e passar o fim-de-semana fora, por isso dei voltas e voltas para estacionar o carro num local seguro, onde não se pagasse e não fosse proibido. O que é complicado como devem saber, mas lá consegui!
No regresso, domingo, quando me vou a dirigir para o carro ele não estava lá… Enfim, eu sou despistada, mas tenho a certeza que o deixei aqui…queres ver que não vi algum sinal de proibido e rebocaram-me o carro!! Era o que me faltava a estas horas! (eram 23:30h)… Bem, lá fui eu ao fim da rua confirmar o sinal que lá estava… não, não era proibido, portanto… roubaram-me o carro!!!
Tive que andar à procura de um polícia… Para trás e para a frente com a mochila às costas feita parva!! E quem me conhece bem sabe como eu estaria neste momento… é melhor nem descrever!
Entretanto lá vejo um Sr. Polícia… “Peço desculpa, pode ajudar-me; eu estacionei o meu carro nesta rua na sexta feira à tarde e não está lá! Já confirmei que não há nenhum sinal de proibição, deve ter sido roubado – disse eu”
O Sr. Polícia sorriu e perguntou: “Estacionou aqui, foi?” Pensei de imediato que afinal era proibido e que eu não sabia ler os sinais de trânsito… Ok, assumi que o carro tinha sido rebocado… Com o sorriso do polícia, só pode! Enfim, azar do caraças…
Ele continuou: “Olhe, se estacionou ali, o seu carro agora deve estar numa outra rua, veja nesta, ou…”
Ui, esta conversa não está a acontecer… eu ainda estou no comboio, adormeci, e estou a sonhar…
Sabem aquela sensação de que a situação é tão estranha, que parece que estão a ser filmados para os “Apanhados”?! Discretamente os meus olhos percorreram o perímetro à volta para ver se viam alguma câmara! Népia… Isto era a sério!
Ali estava eu, a ver que ia perder tempo com uma situação que ainda não tinha percebido. Só sabia que tinha a ver com o meu carro, que naquele momento era tudo para mim! Estava a contar com ele para chegar rapidamente a casa… Eu queria a minha cama, estava desejosa de chegar a casa, só tinha sono, estava cansada, com dores de costas… e com uma mochila às costas!
Bem, resumindo e porque não dá para explicar o surreal da situação, o que o polícia me disse foi basicamente isto: “Sabe, é que houve um evento qualquer, e tivemos que retirar os carros que estavam nessa rua, pegamos neles e estacionamos noutras ruas… portanto, procure nesta rua ou na outra por trás do hotel. Se não estiver em nenhuma destas, tente na outra do lado de lá…”. Para que percebam, isto foi dito num tom de voz muito natural, como se me tivesse a dar uma informação banal, usual!
Ora, banal e usual era o que se passava lá em casa de vez em quando, com a minha empregada de limpeza:
- Ò Ermelinda, onde é que está aquela caixinha de madeira que estava em cima da minha cómoda?
– Ó menina, sei lá! Deve estar por aí, veja lá se não está na mesinha de cabeceira, ou no quarto dos pais! Não sei, procure, mas que está dentro de casa isso tenho a certeza!
O Sr. Polícia transformou-se numa Ermelinda… E o que é que eu costumava dizer à Ermelinda nestas situações? Pois, não o podia dizer a um agente da autoridade, mas foi o que me deu vontade!
Ora, santa paciência… a polícia agora anda a trocar os nossos carros de lugar como se fossem bibelots…Perfeito! O pior é que fazem como a Ermelinda, não sabem onde os põem… é por aí… mas estão na rua de certeza!!
Surgiu um rodopio de pensamentos na minha cabeça numa fracção de segundos - Eu devo estar bêbeda, não percebi o que o homem disse! A polícia pode fazer isso? Não, o polícia é que está bêbado e a gozar comigo! Isto é brincadeira de mau gosto! Ok, isto deve ser procedimento normal eu é que não estou a raciocinar bem. Mas pegaram no meu carro e levaram-no por aí, e não sabem por onde? A estas horas da noite vou andar por estas ruas escuras à procura do carro? Eu que tive tanto cuidado a estacionar o carro num sitio próprio! Realmente não vale a pena, mais valia ter sido rebocado ao menos saberia onde estava! Bem, rebocado não porque não tenho dinheiro para apanhar um táxi! Mas a policia não me ligou a perguntar nada, se calhar não precisam, eles são a autoridade, podem tudo! Bem, vou sorrir para o policia perceber que sei que é procedimento normal. Normal o caraças! Estou parva ou quê?! Vou fazer uma reclamação! Mas reclamação da polícia? Bem… vou… sei lá…
Por fim, tive que pôr travão a estes pensamentos, eu estava a ficar furiosa! Claro está, cada ponto de exclamação e cada “caraças” do meu pensamento era um palavrão cilíndrico! Se continuasse a pensar muito, mandava o policia ir buscar o livro de reclamações! E nós podemos reclamar da polícia? Se calhar não têm livro de reclamações…
Olhem, eu queria era dormir!! Amanhã era dia de trabalho…Perder tempo com uma situação destas não valia a pena! Eu tive vontade de chamar a polícia, mas eu estava a falar com um polícia… que estupidez! E neste caso, o que é que a polícia ia dizer à policia? Pois é… um bocado bizarro! Eu só me lembro do meu ultimo momento com o polícia: “está a gozar?!” ao que ele não respondeu, só sorriu…
Acho que saí de junto do polícia com uma cara de atrasada mental, sabem aquelas pessoas que parece que estão catatônicas, deve ter sido assim que devo ter ficado… paspalhona sem reação! Eu peguei nas pernas e pus-me a caminho duma das ruas, nem disse nada ao polícia… O quê? “Boa noite e obrigada pela informação que não me deu, não me sabe dar…”
Bem, lá fui eu à procura do meu bibelot. É que eu não fazia puto de ideia onde estaria, sei que numa das 3 ruas estaria. A não ser que os policias tivessem sido muito atenciosos e o tivessem ido estacionado ao pé de casa… sei lá já não digo nada!
Como conheço relativamente bem a zona, e como tenho uma sorte do caraças (como podem constatar), decidi procurar na rua mais afastada… Vou explicar porquê, primeiro porque o carro estar na rua mais próxima, que era já ali, era muita sorte para mim, e depois porque nessa rua é onde param os autocarros e é muito movimentada durante o dia, para além de que… (já vos digo).
Lá atravessei a gare do oriente de uma ponta à outra, sempre a olhar para trás na esperança de que fosse mesmo para os “Apanhados”…
- Isto é para os apanhados, não se aborreça, o seu carro está aqui!! – desejei eu ouvir esta voz…
Eu só queria o carro, mais nada! Já imaginava as voltas que ia dar… O tempo que ia perder… nunca mais ia chegar a casa! Cheguei à rua, olhei, olhei… e nada! O meu carro não estava nesta rua! Claro, não queria mais nada, não?! Ok, mas tenho mais duas hipóteses… Pensamento positivo! Voltei para trás feita paspalhona. Fui dar uma volta um pouco maior porque não queria que o polícia me visse outra vez. Se calhar ia ficar com remorsos de estar a ver uma pessoa a passar por esta situação… E eu não queria ver um polícia com remorsos! Nem pensar! Eles fizeram o trabalho deles, eu é que devia ter adivinhado que iam fazer ali um evento, olha que porra! Aliás, eu nem devia ter estacionado o carro ali por três dias… era um risco, até podia ter sido roubado! Portanto, eu devia era estar aliviada porque estava nas mãos da polícia, estava seguro com certeza… Só não se sabia onde! Bonito…
Mais uma moeda, mais uma volta!! Lá continuei eu, atravessei a estrada para o lado do Hotel. Era desta, ia encontrar o carro. Senão, tinha que ir ter com o polícia e pedir uma escolta… ou boleia até ao meu carro. Poderiam perguntar; “ E onde é que a menina tem o carro?” ao que eu responderia; “ora pergunta bem mas não sabe a quem! Vocês é que pegaram nele e o estacionaram por aí, procurem-no! Ora que caraças!”
Como devem imaginar esta caminhada até que foi agradável, eu já me estava a rir do meu próprio infortúnio. Claro que esta conversa mental continuava a ter palavrões escabrosos pelo meio! Aqui é que não os posso escrever, mas vocês sabem o que eu dizia mentalmente, certo? Era o que vocês diriam na minha situação!
Ia eu a atravessar a estrada (na passadeira! Não fosse o polícia estar de olho em mim e ainda me passava uma multa!), e os meus olhos rejubilaram!! Aquele era o meu carro… certo? Certo! Consegui encontrar!! Foi sem querer, foi no relance do olhar para atravessar a estrada. Afinal até foi rápido, evitei perder mais meia hora numa outra rua! Confesso que eu já estava a ficar angustiada, desesperada, revoltada com esta merda toda (disse merda, peço desculpa mas esta teve que ser). O carro apareceu na altura certa, porque acho que ia começar a chorar de raiva… Conclusão, lá estava o meu carro estacionado, naquela rua… Naquela rua?! Estranho! E estranho porquê, perguntam vocês… porque eu já sabia de antemão que aquela rua está sinalizada, nada mais nada menos com o sinal de trânsito “proibido parar e estacionar” por isso é que eliminei logo essa rua como primeira hipótese! Ora que lindo! Ah, grande Polícia!! Sim, senhora!! Olha que este gajos (ok, Srs Gajos) podem fazer tudo!! É hilariante ou não?! E se eu vos dissesse que o carro tinha sido multado… ah… pois é! Era o cumulo! (bem, também já chega, não estão à espera que me aconteça tudo na mesma noite!)
Não, não fui multada… mas podia ter sido! Aí sim já se justificava chamar a polícia! Mas como ia provar que foi a própria polícia que pôs ali o meu carro? E se estivesse bloqueado pela EMEL, quem pagava a multa?! E se eu tivesse sido assaltada naquela rua escura? E se… a polícia ficasse quietinha?
Pois é meus amigos, quando virem que o vosso carro não está no mesmo sítio onde o deixaram, não desesperem, lembrem-se sempre de colocar esta hipótese. Pode ser que tenha sido a polícia que o foi estacionar num sitio onde não incomodasse… Baril! A Polícia é muita fixe pá!!

Alguém me sabe dizer se isto é possível?! A Polícia pode fazer isto? Para onde posso reclamar? Ou expor a situação?
Talvez dar uma sugestão; já que podem mudar os carros de lugar, ao menos evitem passar multas, peguem nos carros e estacionem-nos em locais próprios… E que tal identificar antecipadamente as zonas onde não se pode estacionar porque vai haver um evento? Ou começar a colocar sinais de trânsito “Parque de estacionamento, excepto se exceder três dias”.
E por favor, se estacionarem o carro num outro local, ao menos estacionem num sitio onde não seja proibido, é que o bom exemplo cabe a todos, até à polícia!
É que se eu tivesse colocado a hipótese de que a polícia pode estacionar mal o carro dos outros, tinha ido logo por aquela rua porque era a que estava mais perto!

A viagem de regresso a casa, foi de pasmo! E lá continuei a praguejar. Mas pensando bem, se ia haver ali um evento e o meu carro estava ali há 3 dias, o mais natural é que o tivessem que tirar de lá… Temos sempre que nos pôr no lugar dos outros, sejamos tolerantes!

Só a mim… e não, não estava bêbeda, nem a sonhar!! Isto aconteceu mesmo!

Haja Saúde!

segunda-feira, junho 02, 2008

Versos Ridículos



Ai amor, que distância,
Uma lembrância
Que só quero esquecer.

É tão grande a saudade
Que me estremece o peito,
Pede, meu amor
Que eu deito!

Deito fora o papel,
Que é bilhete avião,
É prova de que te fui ver
E tu, a mim não!

Hoje foi um adeus,
Amanhã o que será?
Se eu não te for ver,
Sei que não vens cá!

Neste vaivém de saudade,
Neste matar aos pouquinhos
Nasce em mim a ansiedade
De te encher de beijinhos.

Ai esta saudade irritante,
Que me faz escrever desta forma,
Parece o parolo do Pessoa
Quando escrevia uma graçola

E depois ainda achava piada,
Escrever cartas de amor,
Seria a forma de desculpar
Tanto disparate com dor

Que esta carta de ridículo tem muito,
Lá isso tem!
Agora se é de amor ou de outra coisa
Isso já não sei…

Deve ser de loucura,
Insanidade mental,
Vês o que fazes à minha vida?
Deixou de ser normal!

Agora ficava aqui eternamente
A provar que te amo cientificamente!
Se é ridículo é amor!
Então amo-te loucamente!
(já viste o ridículo do que escrevo, caramba?)

E não estou a escrever assim propositadamente,
Estas palavras saem de mim naturalmente!

Isto de amar tem a sua piada!
Um poeta deixa de ser poeta,
É ridículo!
O que é ridículo, parece ter essência,
Amor será demência?!
Talvez…
Nestas palavras não me reconheço,
Eu não sou assim…
Encontrarei a loucura se procurar bem dentro de mim.

Deixa lá a loucura que eu já estou perdido,
Se não fosse o ridículo desta carta
Pensaria que era lindo!

Mas para mostrar que sou mais louco que o Poeta,
Vou pegar nestas palavras
E vou mostrá-las ao mundo!
Porque de ridículo não tem nada
Quando sabes que o meu amor é profundo!

Deixo que me leias e releias,
Vezes sem conta e sem fim,
Estas palavras ridículas
Serão sempre um pedaço de mim

Deixo aqui a minha marca
De saudade e desejo,
Deixo também esta lágrima
Porque te amo e não te vejo!

quarta-feira, maio 14, 2008

Conversa de "saca-rolhas"

Por vezes caímos num cenário surdo, onde se encontram duas personagens mudas. É um stress, temos que arranjar um desbloqueador de conversa… insuportável! Acontece quando as pessoas não se conhecem muito bem e não têm assunto. O mais natural do mundo.
Só deixa de ser natural quando as pessoas já se conhecem. É aquele silêncio desconfortável, do género “preciso dizer isto, mas se abrir a boca vamos discutir, é melhor estar calada”, o outro com certeza estará pensar “espero bem que não fale daquele assunto que não sei que dizer”… e pronto cá está o cenário surdo, e as pessoas mudas. Abram as cortinas que o teatro vai começar!! Se o público ouvisse os pensamentos dos actores certamente soltava gargalhadas pelo ridículo da cena… ou não!
Por vezes surgem aquilo a que chamo a conversa de “saca rolhas”. Destas conversas o que se deve entender é tudo, e nada - tudo o que não se diz, e nada que se aproveite!!
No outro dia tive uma conversa destas com um desconhecido. Sim, uma conversa de “saca rolhas” só se tem com desconhecidos, ou meio conhecidos. Nem sei, mas com amigos não se tem este tipo de conversas certamente!
Ora, o que é para mim “saca rolhas?” É tentar sacar da outra pessoa alguma informação; “então, novidades?”, “não contas nada”, “não perguntas nada”, “como está a correr o trabalho?”, “estás muito calado…” etc. E depois surge a questão na nossa cabeça, se não falas, não dizes nada porque marcaste este café? Ah, atenção ao pormenor, é que afinal eu fui beber café contigo! Das duas uma, ou estou interessada num desconhecido, ou já és meu amigo! Estranho… és mesmo meu amigo! E estamos a ter uma conversa de “saca-rolhas” porquê?
É do pior, que pode acontecer! Parece o surdo e o mudo a querer comunicar, só ao estalo!
Resumindo, o que se passou foi que o meu amigo não tinha nada para dizer, passou pela minha vida nesse momento só para olhar certamente… Bem, até hoje ainda não percebi o porquê daquele café, mas desconfio…
Quase a chegar a casa compreendi que aquele silêncio seria uma despedida. Que aquelas últimas palavras silenciadas seriam um adeus. E senti-me vazia! Perdi um amigo… perdi mais que um amigo, era uma pessoa importante na minha vida, mas desceu naquela estação para ficar, e eu decidi continuar viagem. Talvez um dia nos encontremos numa outra estação, numa outra vida…. Tenho pena de o ter deixado para trás, eu insisti para me acompanhar, mas quando não se quer, não se insiste. Ficou e eu deixei.
Adeus meu querido. Gosto de ti, espero que um dia percebas isso.

Se um dia se sentarem ao lado de um amigo e sentirem que o silêncio vos incomoda… levantem-se, vão buscar uma garrafa de vinho e bebam os dois. Só assim o saca rolhas será bem vindo numa conversa de amigos. E quem sabe, mesmo que se inicie uma viagem em sentidos contrários, sempre podem brindar e dizer “gosto de ti, sinceramente” – o que fica por dizer é tudo!

segunda-feira, abril 28, 2008

O Outono na nossa vida


Por vezes queremos ficar presos a alguma coisa e não conseguimos. A um emprego, a uma amizade, a um amor… Presos a uma certeza. Claro que não existem certezas definitivas, eu acho! Talvez a única seja de que somos mães dos nossos próprios filhos, mas essa ainda não tive oportunidade de ter. Talvez um dia…
Ficar preso não depende só de nós, a vida pode sacudir-nos, soltar-nos de um conforto onde estamos habituados a viver… e isso assusta-nos.
Imaginemos que somos uma folha de uma árvore viçosa. Fazemos parte dessa árvore! Nascemos, desenvolvemo-nos ali, temos sempre a mesma vista mas podemos sempre fazer uma rotação de 360º e ver coisas novas… estamos ali, e estamos seguros! Presos! Mas eis que um dia inesperado chega o Outono!
Estamos tão bem ali, que nem nos apercebemos que vai haver uma mudança de estação! Não será assim a nossa vida? Hoje Primavera, amanhã Inverno, depois Outono, talvez uns dias de Verão…
Talvez de todas as estações, a que mais me assusta é o Outono. Considero que é a estação que menos depende de nós, que mais foge ao nosso controle… Voltemos à folha e à árvore… Que culpa tem a folha que a árvore tenha que fazer uma mudança porque está na sua estação? Mesmo que queira ficar presa ali não tem hipótese, não há volta a dar, vai ter que cair!
Esta imagem surgiu-me no seguimento de um pensamento: “se estou bem vou-me deixar estar, mas sei que não vou estar sempre assim… um dia vou cair como uma folha caduca”
Não é que seja pessimista, não! Mas gosto de me preparar! Não quero dar por mim em queda livre a ser levada pelo vento, sabe-se lá para onde!
Bem, esta imagem é um pouco complexa, e ao mesmo tempo limitada… se pensarmos bem, não voltaríamos a nascer numa outra árvore… mas então neste caso acredito na reencarnação. Depois nascíamos numa outra árvore! Caso resolvido!
Ainda podemos extrapolar um bocadinho… e se aplicarmos isto ao amor?! Claro que a árvore seria o nosso amor do momento, queremos ficar presos, mas um dia o Outono vai chegar e a árvore vai soltar-nos e nós vamos cair! Pois é! Ou pode ser o simples facto daqueles namoros em que o outro até gosta, mas não nos prende, não nos agarra e vem um ventinho e lá vamos nós… para outro lado! Depois é tarde! Nem sei muito bem quando cairei desta árvore que me faz feliz, talvez um dia quando menos esperar, talvez hoje...


Vá, para os mais pessimistas, deixo aqui um sinal de esperança… não se esqueçam que há árvores de folha perene!

De qualquer forma acho que devemos passar por todas as estações… só assim cresceremos. Um dia seremos a árvore e temos que saber lidar com todas as estações!

Amigo, agora vivo entre a Primavera e o Verão e partilho as flores e o calor contigo. Se o Outono chegar quero que sejas o vento, se chegar o Inverno que sejas a chuva… só assim estaremos sempre juntos!

quarta-feira, abril 16, 2008

No silêncio das palavras!

Ninguém pensa como eu. Cada um tem a sua forma original de pensar, de raciocinar. Somos todos diferentes, eventualmente encontramos pessoas que pensam como nós, mas é raro. Certas vezes essas pessoas concordam só por concordar, o que me irrita!
Mas existem pessoas especiais que nos entendem. Fazemos delas o nosso melhor amigo, o nosso ideal de companheiro… são pessoas que nos custam a deixar partir da nossa vida. E na realidade nunca partem. É dessas que temos saudades.
É uma sensação de alegria sentir que alguém nos entende apenas por um olhar! Isso enche-me de sorrisos por dentro! Ganha-se cumplicidade, é um entendimento no silêncio. Quando nos acontece até podemos pensar que é amor, pode não ser! Pode ser um cruzamento de almas gémeas, não obrigatoriamente amor! Só se o coração se acelerar muito, se as mãos transpirarem, se o desejo de estar juntos for grande, se a saudade nos atormentar, se o sorriso nos possuir, se a alegria nos acordar… se, se, se… (pretérito imperfeito!! Vai lá saber-se porque tem este nome os “ses” da nossa vida)
Bem, não estou aqui para falar de amor, também não percebo nada disso.
O que quero transmitir aqui é a importância do silêncio!
Só por si, o silêncio é uma coisa assustadora. Por isso temos sempre tendência a ligar o rádio, ou a televisão… Mas experimentem a fazer o que eu fiz ontem. Desliguem tudo, sentem-se confortáveis no sófa e façam silêncio interior. O silêncio obriga-nos a falar connosco, a avaliar a nossa vida, a fazer um julgamento das nossas atitudes… bem sei que isso pode ser doloroso, mas às vezes é preciso para voltarmos a encontrar o nosso caminho. Bem, confesso que só consegui fazer silêncio durante 8 minutos… é tortuoso! Mas é uma questão de treino. Senti que me fez bem e vou tentar fazer este exercício mais vezes, é saudável! Experimentem!
Bem estava a falar de pessoas que nos entendem no silêncio, e da importância que têm na nossa vida!
Sei que em conversa contigo vais beber cada palavra, perceber cada sentimento, sentir cada sorriso. Vais sentir-me e isso é perfeito. Falar no silêncio das palavras!
Sentes-me quando estou triste, não preciso de te dizer nada. Sentes-me quando estou feliz, não preciso de dizer nada. Sentes quando digo “amo-te”, sem te dizer nada. O silêncio em nós é confortável! Não haverá discussões. Não que queira estar sempre de acordo contigo, não! Seria um tédio, sobre o que iríamos falar, debater? Não é isso que quero! Quero que se troquem ideias, opiniões, que cresçamos juntos… aprender um com o outro! Quero que saibas tanto como eu, quero mostrar-te o meu ponto de vista... Basicamente quero que me entendas, que me compreendas. Quero que te ponhas no meu lugar, como eu me ponho no teu para te entender. E entendo! Já é parte de entrega, porque ao saber como pensas percebo as tuas atitudes, consigo pôr-me no teu lugar com mais facilidade, consigo aceitar-te! E perdoar-te!! Claro que tudo isto é uma questão de disponibilidade e de vontade, temos que nos saber colocar no lugar do outro!

No silêncio das palavras, no diálogo do olhar, sem querer, já disseste tudo. Sem querer já te entregaste, já denunciaste o que vai no teu coração! É simplesmente esta a vantagem da cumplicidade. É tão rara, que quando se encontra já não se quer perder!
Por isso é que há as grandes amizades e os grandes amores! Sei quando precisas de mim, sinto quando vens ao meu encontro.


Em relação a esta pessoa de quem falo, espero encontrá-la um dia. Espero estar atenta ao seu olhar, porque sei que é aí que nos vamos encontrar, é no olhar que vamos dar o primeiro beijo...

Num silêncio calado,
Gritei por ti!
E tu ouviste!

Bem, passei por aqui hoje só para dizer isto.

Beijo para todos os que me lêem, com certeza que são pessoas que me entendem!

Desejo que o silêncio dentro de cada um seja confortável. E quando se levantarem para ligar o rádio, que tenham um sorriso! Se isso não acontecer é porque precisam de voltar a fazer silêncio para se encontrarem… Apaixonem-se por vocês!

sexta-feira, abril 11, 2008

...........................

Ora que me dei conta que às vezes faço o contrário daquilo que quero! Mas é porque tem que ser! E tem que ser porquê? Bem, a isso já não sei responder, só sei que me dou conta que não fiz o que me apetecia, fiz precisamente o contrário. Estupidez momentânea! Miopia de vontade!
Certamente já vos aconteceu.
Apetece-nos estar com as pessoas, mas depois não vamos ter com elas. Apetece-nos café e acabamos por beber leite. Apetece-nos ver um filme e acabamos por ir dormir. Apetece-nos dizer “amo-te” e dizemos “gosto de ti como um amigo”, apetece-nos dizer “vai à merda” e dizemos “sim, tens razão”…Apetece-nos chorar e rimos para disfarçar … Mas que cena é esta?!
Algumas coisas, por certo, é por preguiça que não as fazemos, outras é porque somos uns parolos! Deixamos que os outros nos julguem, ficamos com medo das reacções alheias, por vezes até é o nosso consciente, a nossa mente, as convicções, que nos impedem de fazer o que desejamos. Andamos constantemente a ver onde temos os travões, caso seja necessário travar um impulso, uma vontade… às vezes gostava de ser triciclo!! Sem travões, sem mãos, sem dentes!! Quais travões, deixa andar! Quando bater, pára! Ah, estou a brincar, isso já seria inconsciência, mas a viagem daria uma adrenalina do caraças. E até pode ser que o embate não faça muitos estragos, vale sempre a pena fazer a viagem, eu faço, às vezes os estragos são grandes!! Outras a adrenalina valeu a pena… o problema é que até parar não se sabe o que vai acontecer…
Eu tento sempre fazer o que quero, talvez apareça um obstáculo ou outro que me privam de o fazer, mas até a sensação de risco, me dão pica para avançar. Depois aparecem indiscretamente pessoas que nos roubam o prazer com que fazemos as coisas, e como tal deixamos de as fazer. Essas pessoas, são provavelmente aquelas de quem mais gostamos! Porquê? Também não sei responder! Provavelmente porque a opinião deles é importante para nós… normalmente são os nossos pais, ou os melhores amigos os empecilhos! Bem, não deixem é que seja uma Dona Rosinha, ou um Sr. Jacinto do café da esquina a privar-vos de arriscar! Esses que se lixem! Que têm a ver com a nossa vida, de que vale a sua opinião?

Lá estou eu a divagar novamente…
Só queria dizer que nem sempre a nossa atitude vai de encontro à nossa vontade. Mas tem que ser. Não me perguntem porquê, porque não se consegue explicar, só sentir…
Aqui vai o pedido de desculpa para todos aqueles que não entendem as minhas atitudes. Aqui vai um pedido de compreensão da vossa parte! Metam a mão na consciência e pensem o que leva uma pessoa a deixar de fazer o que quer!
A quem me conhece, estranha, a quem não me conhece e só agora me começa a ler fica possivelmente intrigado!
Eu desisto quando não tenho forças, quando não aguento mais, quando as injustiças são demais, quando me roubam a boa disposição, quando naquele espaço já não posso ser eu! Eu abandono quando digo “amo-te, quero estar contigo” e a resposta é… “eu também gosto de ti”…
Correr atrás de um amor assim, não só nos desgasta como nos entristece! Não vale a pena, aborrece! Rouba-nos o sorriso, e isso não permitirei nunca à minha pessoa!
Vocês conhecem-me a sorrir! Adoro sorrir de verdade! É uma entrega, é a minha honestidade, é isso que vos quero dar, é isso que já não consigo!

E para quem pensava que eu ia regressar, desenganem-se porque para esta luta já não tenho armas. Já despi todas as armaduras que me permitiram permanecer. Estou de volta ao meu lugar onde tudo o que vivi junto a vocês serão recordações, sorrisos, saudades de querer voltar, mas sem poder…
Não me voltem a perguntar pelo meu sorriso quando estou com vocês! Foi perdido numa viagem sem travões... mas que valeu pela adrenalina!
Devemos estar onde sentimos que somos importantes.
Devemos estar presentes com um sorriso,
Devemos entregar o melhor de nós aqueles que amamos,
Devemos ser felizes...
Para viver um momento sem poder sorrir, mais vale não viver esse momento!

Vai Tu!

Um abraço especial para ti, e para ti!


Trago-vos sempre no coração!


quarta-feira, abril 09, 2008

Saudades

Hoje sinto-me triste. Sinto saudades tuas. Eu até tenho gostado de sentir estas saudades, porque me fazem sorrir, me fazem sentir feliz. Gosto de te recordar! Mas isso já não me chega…. Sei que mais tarde ou mais cedo iremos construir novas memórias para nos lembrarmos, mas hoje fiquei sem essa certeza. Será do tempo? Esta chuva parece que nos lava de esperanças…
Enquanto o tempo passa e vivemos na ausência um do outro, perde-se tempo para tudo, ganha-se tempo em nada…
A distância afasta-nos e nós deixamos.
Por vezes sinto-me só… Ao mesmo tempo apetece-me estar com todos, e com ninguém…
Oh, apetece-me é estar com alguém especial. Contigo! Como não podes estar, tento substitui-te por mil rostos… por aquele, pelo outro, por este…
Não podemos substituir ninguém. Se é com aquele que nos apetece estar, ninguém vai conseguir preencher esse vazio. Ando à procura de uma companhia para não estar só, mas depois sinto-me sozinha na mesma. Vazia!
É como se nos apetecesse comer uma bola de berlim e acabamos por comer uma sandes de manteiga porque não há bolas! Estão a ver?
Paciência… Come-se o pão com manteiga e já é muito bom! Ao menos não ficamos com fome… ;)

Que bom seria se todos os outros preenchessem o espaço que é só de um. Seríamos muito mais completos. Não existiria a palavra saudade!
Hoje é o que me apetecia, que qualquer um preenchesse o teu espaço! Não sentir saudades… E amanhã o que sentiria por ti? Não sei…
A saudade é uma herança do passado, do passado! E nós que temos senão um passado? Senão um sonho sem chão, sem tecto? É a esperança que nos sustenta, que nos alimenta? A esperança de quê? De um dia nos voltarmos a encontrar e arranjar novas lembranças para podermos sentir… saudades! Ora bolas!
Hoje sinto que ter saudades é uma coisa má! Não queria sentir nada disto, queria ter-te aqui. Queria poder beijar-te, tocar-te, amar-te… Queria tudo, menos sentir esta angústia de não te poder ter.
Enquanto isso não acontece, recordo-te sempre com um sorriso, porque sei que um dia nos voltaremos a encontrar. E nesse dia vamos matar saudades antigas e arranjar novas! É por isso que te quero encontrar…
Se estivéssemos juntos diria que te amo, assim com esta distância impertinente digo-te que sinto saudades de te amar.

"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir"
("Chuva" - Mariza, vale a pena ouvir!)

Beijo meu amor, onde quer que estejas! ;)

Sentir saudades é sinal de que se viveu algo inesquecível no passado…
É sinal de que alguém não passou apenas pela nossa vida, mas que permanece...
E que nos faz muita falta!

quarta-feira, abril 02, 2008

A Autenticidade!

No outro dia fui a uma reunião. Estava sentada na sala de espera e reparei num vaso enorme que estava em cima do balcão da recepção. Um vaso transparente, com um arranjo de flores lindíssimo.
Estava eu a olhar, simplesmente só por olhar e reparei, passado algum tempo, num pormenor de máxima importância. A minha alma ficou parva! Ora reparem, se cabe na cabeça de alguém?!
O vaso estava cheio de água, como é natural quando se trata de um vaso de flores! Mas as flores eram de plástico! Fiquei incrédula. Possivelmente era eu que estava a ver mal, mas eu nunca tinha visto flores assim, e de facto eram mesmo artificiais! Depois pensei, o vaso não tem nada água, sou eu que estou a ver coisas!
Levantei-me e dirigi-me à senhora da recepção para dizer alguma coisa pertinente, só para me aproximar mais um pouco daquela aberração em que se tornara aquele vaso!
Palermice minha. Aquilo não era uma aberração, eu também estava a ser parva! O que mais há para aí são flores de plástico num vaso com água!
Nem sei muito bem porque fiquei chocada com aquilo. Mas que me deixou a pensar, deixou. Talvez pelo absurdo, mas ao mesmo tempo era tornar uma coisa artificial numa coisa natural… Possivelmente as pessoas nem reparavam que as flores eram artificiais! O objectivo era esse! Estrategicamente, o olhar era desviado para a água, logo as flores seriam naturais, e que bonitas! Tão viçosas! Ah, que raiva!
Já nem era o vaso, já nem eram as flores! Já era a hipocrisia da situação a falta de autenticidade que nos enfiam pelos olhos!
Quantas pessoas se cruzam connosco no dia a dia que não passam de vasos cheios de água, onde estão deliciosamente mergulhadas umas flores lindíssimas, mas de plástico! Que encanto! E que falsidade!
O meu pensamento, voou, voou… e dei-me conta que aquela situação me remeteu para o ser humano. Somos todos tão parecidos com esta imagem.
Ora vamos lá analisar: qual a necessidade de disfarçar? Porque não mostramos o que somos? Se somos simples flores de plásticos, sejamos! Se somos simples vasos com água, sejamos! Temos que ser autênticos! Temos que ser verdadeiros! Para quê enganar os outros, para quê despistar os outros da nossa verdadeira natureza! Mais tarde ou mais cedo alguém se vai aperceber e acabamos por decepcionar alguém. Ou pior, podemos um dia acreditar que somos flores verdadeiras! Disparate!
Mas isso faz algum sentido?
Há pessoas que são assim mesmo, enganam-nos sorrateiramente, inteligentemente. E nós caímos! Detesto ser enganada! Fico passada da cabeça, mas por vezes as coisas são feitas de forma tão natural, que parecem bem feitas. A nossa mente também já está predisposta a acreditar em tudo, não nos damos ao trabalho de perceber onde está o erro. Nem pensamos nisso!
E foi assim com este vaso. Estava tão natural, tão banal, é tão usual! Portanto, ia lá eu pensar se eram de plástico, se eram verdadeiras, se tinham água, se… ninguém repara! É só para fazer bonito! E fica bem, é um facto… mas depois de nos apercebermos, aquilo parece a coisa mais estúpida de se ver! Aliás, foi certamente a coisa mais estúpida que vi nos últimos tempos, percebo a intenção, mas também essa é estúpida! Irritou-me também a ingenuidade da situação, que simplicidade e que atrocidade!
Não me vou alargar mais, era só para deixar aqui a minha indignação com situações de falsidade que nos parecem verdadeiras. Que nos iludem, que nos enganam. E alertar para o facto de termos que estar mais atentos. A falta de autenticidade revela-se em coisas simples como esta.
Imagino que se deve perder tempo ao tentar ser o que não somos. Compreendo que o façamos pontualmente junto a pessoas que não são importantes para nós.
Quantos terão passado naquela recepção sem terem reparado no que eu reparei. Quantos terão reparado e achado interessante a forma de tornar uma coisa artificial em natural… Cada um com a sua! Mas eu gosto de pessoas autênticas.
Se fores uma flor de plástico, gosto de ti, se fores um simples vaso com água, gosto de ti, se fores uma flor de plástico mergulhada num vaso com pedras, gosto de ti, se fores uma flor natural, gosto de ti, se não souberes o que és, gosto de ti, se fores uma flor artificial dentro de um vaso com água… não te quero conhecer para não me desiludir!
Parte da nossa felicidade, está na nossa autenticidade! Não enganar os outros para não vivermos enganados.

A autenticidade faz de nós seres verdadeiros, é aí que nos devemos encontrar, na verdade!

terça-feira, abril 01, 2008

Vida aos retalhos...

Dei-me conta neste momento, que me perguntei: “estou feliz? é isto estar feliz?” a resposta imediata foi “sim”.
Ora bem, reparem, a resposta imediata! Aquela que não se pensa muito, aquela que se sente naquele momento, naquela situação…
Quantos de nós fazem esta pergunta e respondem, “não, não estou feliz”. Quantas vezes me aconteceu! Ainda há aqueles que nem sequer fazem esta pergunta, possivelmente com o medo da resposta. Penso que esta última também já me aconteceu, digo isto porque já não me lembrava de colocar esta questão à minha pessoa. E porque há muito que não me sentia feliz, mas também não queria chegar à conclusão que era infeliz… mais valia não pensar no assunto!
Passemos à frente. Ora, fiz a pergunta, o que só por si é estranho. E respondi de imediato, sem hesitar o que é ainda mais estranho. E respondi que sim! Isso sim, foi a loucura… Até se me deu um arrepio na espinha! Eu, feliz, ah! “Não pode ser, o que se passa comigo?”.
Claro que comecei logo a fazer uma avaliação da minha vida… Porque razão? Não sei, talvez para arranjar uma desculpa para me sentir feliz. Parece que tenho medo de o ser, de estar feliz, parece que não mereço este estado… Sinto medo! Então talvez tenha tentado retirar a importância a esta felicidade. Como quem diz, “ok, sinto-me feliz mas é só este bocadinho”.
Depois de muito tempo a pensar na minha vida, nos meus caminhos, nas minhas etapas, dei-me conta que esta minha vida parece que é feita de retalhos. Um bocadinho dali, um pouco daqui, mais aquele momento ali… Ora bolas! Olhem que descoberta! A minha vida não é uma continuidade no tempo, são várias paragens, são colagens de momentos. Tanto é assim que enquanto ia pensando na vida me dei conta que isto não passa de um carrossel de altos e baixos… fui feliz, fui infeliz, fui uma desgraçada, tive sorte… uma infinidade de momentos bons e maus!
São momentos parados no tempo. Vamos ao passado e tiramos um bocadinho, vamos ao presente e tiramos outro bocadinho, perspectivamos o futuro e tiramos outro pedaço… juntamos tudo e dizemos: “sou feliz” é assim que se avalia o estado de felicidade? Quantas viagens fazemos no tempo para responder a esta pergunta? Quantas respostas diferentes teremos? E será a resposta certa? Sei lá… Afinal o que é a felicidade? Alguém que saiba a resposta diga…
O que interessa é que há momentos em que nos sentimos felizes, é nesses que temos que parar. Usufruir!
Acho que à felicidade não se aplica o verbo ser. Talvez a aplicação do verbo sentir, ou estar.
Sou feliz (hoje. E ontem, e amanhã?). O verbo ser é contínuo! Ser, é existir! É diferente de estar, de sentir… ser é para sempre… isso não acontece com a felicidade!
Ora, e por um momento em que somos felizes, logo existimos, temos receio de deixar de existir, ao deixar de nos sentirmos felizes… Confuso, eu sei!
Temos medo de ser felizes! Eu falo assim porque este é um medo meu. Mas penso que não será só meu…

Acho mesmo que é o facto de ter uma vida retalhada que não nos permite dizer que somos felizes.
Instala-se o receio de que este momento de felicidade venha a ser mais um retalho da nossa vida, que um dia vamos pegar nele e colar a qualquer outra coisa e dizer… “naquele momento eu fui feliz”. É destes retalhos que precisamos na nossa vida… retalhos de luz, de risos, de alegria… de felicidade. Para quê ser ambicioso e querer a felicidade só se for para sempre?! Nunca seremos felizes assim, nem por inteiro, nem ao retalho!
Portanto, para quê pensar se estou, se não estou feliz. Para quê ter medo de estar feliz?
Não pensemos.
Sentir é que é bom! Quando deixarmos de sentir paciência… logo se vê! Aproveita enquanto a tens!
Não me fiquem é com a felicidade na mãos, a olhar para ela e pensar, que não merecem, ou o que é que faço com ela…
A felicidade é para usar! É para vestir e sair à rua… nem que seja só para dar um breve passeio.

Encontram-nos por aí!