quinta-feira, dezembro 18, 2008

O MEU NATAL


Quando era pequena, gostava do Natal. Talvez pelo mistério, pela surpresa, pela novidade. Era tudo diferente, era uma magia estranha de sorrisos, de festinhas na cabeça e olhares brilhantes! Isto era muito raro lá por casa, só acontecia naquela altura em que havia um pinheiro iluminado no canto da sala.
Percebia que era uma época diferente, mas não percebia bem porquê. Lembro-me de pensar que era porque nascia um menino qualquer, não sei onde. Acreditei algures na minha infância que esse menino era muito especial porque fazia sorrir as pessoas, punha nos seus corações qualquer coisa… Mas onde andava esse menino? Onde nascia? O que é que este menino tinha de especial que eu não tinha? Desiludi-me quando percebi que este menino nascia nas montras iluminadas, que afinal havia muitos meninos iguais, e todos cheios de frio porque estavam despidos coitadinhos! O que valia é que o “bafo do burrinho e da vaquinha aqueciam o menino”… era o que dizia a minha avó, e eu, acreditava!
Aquele menino que eu via nas montras, era igual ao bonequinho que a minha avó tinha no presépio… era simplesmente “o menino Jesus nas palhinhas deitado!”. Ora bolas! Tanta alegria por causa de um boneco, e ainda por cima havia montes deles!! Iguais!! Ele estava em todo o lado… e as pessoas paravam em frente às montras onde ele se exibia, apontavam e sorriam. Nunca lhe vi nada de especial, especial queria ser eu! Bom, mas esta sensação de ciúme impotente por aquele boneco aconteceu quando eu era mesmo muito criança, talvez ainda andasse ao colo. Lembro-me perfeitamente de estar ao colo do meu pai e começar a chorar de raiva por não perceber nada.
Depois cresci (para aí dois palmos), e já tinha percebido que aquele miúdo – o Jesus - ia nascer outra vez. O ambiente ia ficar novamente cheio de luzinhas e estrelinhas e mentirinhas… Era giro aquilo, as prendas no chão por baixo do pinheiro, as notas de escudos que iam aparecendo nos ramos da árvore de Natal, as luzinhas que piscavam, as pinhas (raras) de chocolate… mas as notas de escudos que penduravam no pinheiro é que me entusiasmava! E quando aparecia uma nota azul de 100 escudos??! Era a alegria, muito melhor que qualquer embrulho… Não sou materialista, mas gostava da cor do dinheiro… o verde das notas de vinte, o avermelhado das notas de cinquenta e o azul das notas de 100! Aquilo é que era o verdadeiro enfeite da árvore de natal! Às vezes comento isto com os meus amigos e ninguém tem esta ideia do seu natal, possivelmente foi uma brincadeira que o meu pai arranjou… lá deve ter percebido que eu achava piada aquilo! Sempre pensei que aquele dinheiro era para dar ao Pai Natal, porque no dia em que as prendas apareciam, o dinheiro desaparecia… Enfim, crianças, o quanto vos enganamos!! Vejo por mim… a ilusão em que nos obrigavam a viver, como éramos felizes na nossa ingenuidade de criança!

Continuando no devaneio destas recordações natalícias;
Depois eram as eternas questões para perceber o que raio levavam os reis “magros” ao menino Jesus. E porque é que um deles era preto?
“E levavam ouro, incenso e mirra”. Eu só percebia o porquê do ouro… as outras riquezas não as percebia! Quantas vezes eu pedia para me mostrarem incenso e mirra! Quanto ao rei “magro” preto não era preto, era de cor!!… e vinha de África! Era uma grande viagem… A mirra era uma “coisa muito valiosa naquela altura que não existe em Portugal” e pronto! Explicadissimo!
Estas falhas nas explicações é que me deixavam desconfiada, as crianças às tantas começam a raciocinar e a querer fazer ligações entre as várias informações que tem… algumas coisas iam deixando de fazer sentido…
E a cena de seguirem uma estrela… ui, que confusão! Mas a “estrela era mágica e ensinava o caminho ao reis magos”… e sei lá mais o quê… “Então e rei mago de cor, como é que foi lá ter?”, “a estrela foi a África buscá-lo e depois foi para Belém?”… “Coitado do rei de cor, o que ele não deve ter andado, e o que os outros não devem ter esperado por ele…” foi nestes pensamento infantis que me perdi, e que finalmente me apercebi que tudo isto era uma história para adormecer crianças! E eu detestava ser enganada! O Natal para mim, a partir de um certo momento da minha vida perdeu toda a magia, perdeu as luzinhas, a cor!
Os anos foram passando, agora, apercebo-me que esta época não passa de uma atmosfera de histerismo colectivo da glândula da alegria. Não passa de uma hipocrisia da sociedade. É um pretexto para sermos bonzinhos nesta época. É uma desculpa para sermos solidários com os pobres e com as crianças… É uma oportunidade para estarmos em família, é… diria, lamentável a forma como se vive o Natal.
De qualquer forma, respeito como cada pessoa vive o seu Natal. Eu também estou longe de ser perfeita! Na realidade, o que critico é o que faço! Mas ter esta consciência já me ajuda, já me desperta para uma mudança do meu comportamento.
Depois, penso que todos nós passamos pelas seguintes fases natalícias; acreditamos no Pai Natal, deixamos de acreditar, e finalmente somos o Pai Natal! Somos todos Pai Natal, reparem; andamos disfarçados, andamos com um peso às costas, damos presentes só a quem merece, volta e meia temos que descer por uma chaminé escura para chegar a algum lado… e andamos assim todo o ano.
No Natal, finalmente transformamo-nos em pessoas! Damos valor à família, ganhamos um pouco de consciência do mundo, mimamos as crianças, somos solidários, respeitamos e ajudamos os outros… enfim, temos coração!
A única coisa boa no Natal, a meu ver, é a alegria das crianças, aquele brilho nos olhos que eu também já tive… E se não existissem crianças?! Talvez o Natal se extinguisse, não sei, não fizesse sentido… Talvez o Natal, fosse Banal, como todos os outros dias do ano!
Mas, já que é Natal, e é nesta altura que decidimos ensacar as roupas que não usamos, os brinquedos desajustados às nossas crianças, comprar uns postais para ajudar a UNICEF, uns CD´s para ajudar os meninos escravos, o livro da Leopoldina… ah, e o saquinho com o arroz, massa e bolachas, para ajudar os mais desfavorecidos, vamos lá ser todos solidários! Mas atenção, só porque é Natal!!

As pessoas que passam frio e fome, as crianças que não sabem o que é ser criança, as mães destas crianças que impotentes não conseguem alimentar o seu filho, os países que estão em guerra… tudo isso, que é o mundo em que vivemos, afinal só existe no Natal… Aparecem, surpreendentemente não sei de onde. Talvez da consciência que na realidade todos temos.

Cada um vive o Natal à sua maneira, no meio disto tudo, eu quero acreditar que o Natal pode ser todos os dias!

Partilho algumas imagens da minha árvore e do meu presépio convosco... é aqui, durante esta construção que me encontro com a criança a quem já brilharam os olhos no Natal...

GOSTAR DE TI



É estranho o meu gostar de ti,
Gosto assim… aos montes!
Às pinguinhas miudinhas que molham tolos!
Mas molha!
É um gostar muito doce,
Quase amargo se lhe sentir bem o paladar.
Este gostar de ti,
É um céu de nuvens,
Nuvens, nuvens e mais nuvens!
Tantas nuvens brancas e lindas,
Cheias de formas! Espectaculares!
É um céu lindo!
Depois, chove!
Este gostar de ti
Entranha-se profundamente,
Cola! Como o selo no postal!
Que corre mundo, preso ao envelope!
É como andar de comboio ao contrário,
A paisagem em vez de se aproximar, afasta-se!
Gosto desta estranheza,
É diferente, surpresa!
É como andar numa montanha russa,
É subir devagar e descer a pique!
É andar, andar, e enjoar!
Depois descemos,
E voltamos para a fila,
Para dar mais umas voltas.
É estranho o meu gostar de ti,
É um desentendimento de mim.
Toma-se gosto por este gostar
Gosta-se tanto, muito e bastante,
Torna-se viciante!
Este meu gostar de ti é estranho,
Não é gostar,
É, enfim...

Amar!!

AS

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Peça de Natal

Pediram-me para ter uma ideia, como se me tivessem pedido para ir buscar um copo de água. As ideias não se têm à força, é uma coisa que acontece quando menos se espera. E aconteceu! Surgiu…
Adiante, o que me pediram para fazer, foi pensar numa possível festa de Natal para crianças do primeiro ciclo. Obviamente que quem mo pediu foi uma professora!! Parece que agora não tinha muito tempo… é por causa dos impressos, o modelo de avaliação, as reuniões, greves, manifestações, aquelas coisas que nós sabemos… A luta! Bom, eu quis dar o meu modesto contributo e escrevi esta peça, de forma a que todos os alunos pudessem intervir, evitando também perder muito tempo com ensaios… O texto pode ser lido enquanto as crianças representam livremente, portanto não será preciso ensaiar muito!

Publico aqui porque me disseram que era uma pena deixar este texto perdido na gaveta… Ora, sem qualquer tipo de exibicionismo, até porque tenho algumas limitações (sou engenheira, não sou mãe, nem tia, e as crianças são giras à distância) foi isto que saiu:

Atenção que esta peça está reservada aos direitos de autor! ;)



O NATAL DA JOANA

A cena desenrola-se entre o quarto da Joana e a sala. Joana dorme no quarto, desce até à sala onde encontra dois grandes sacos vermelhos. Tudo acontece à medida que Joana vai descobrindo o que está dentro dos sacos, que são, nada mais nada menos que os sacos do Pai Natal…
Lá dentro estão... os presentes!!


Numa noite de Natal,
Daquelas em que as crianças perdem o sono,
Estava Joana deitada
Na sua cama, no seu trono.
Ela era uma princesa
E tinha tudo o que queria,
Brinquedos e amigos,
Tinha paz e alegria.
Mas a Joana é uma menina diferente,
Não pensava só no seu umbigo,
Preocupava-se com as crianças mais pobres
E com o mundo que estava em perigo.
Então nesta noite,
E por saber que era Natal
Fechou os olhos com muita força
E pediu um desejo especial;
Que todas as crianças do mundo tivessem um sorriso,
E que os adultos fizessem do mundo um paraíso!
Subitamente (barulho dos sacos), Joana estremeceu na cama,
Levantou-se num sobressalto
E foi à sala de pijama.
Ficou surpreendida com que estava a ver
Eram os sacos do Pai Natal,
Não, não podia ser!
Curiosa, abriu um saco
Abriu o outro logo a seguir
Pareciam sacos vazios,
Mas viu alguma coisa a surgir.
Os sacos pareciam ganhar vida
Eram sacos encantados!
Lá dentro tinham meninos,
E pareciam trazer recados!
Joana estava assustada,
Parecia um sonho de encantar,
Com tantos meninos na sala
Os pais podiam acordar!
Mas era melhor não pensar nisso
Era uma noite diferente,
Hoje era Natal, e este o seu presente!
Que alegria se vivia,
Parecia o recreio da escola,
Uns brincava à apanhada,
Outros jogavam à bola…
As meninas saltavam à corda
E eles imitavam aviões,
Outros pareciam não fazer nada,
Eram só uns trapalhões...
Tinham todos um grande sorriso,
Estavam alegres e contentes,
Era uma noite encantada,
Mas onde estavam os presentes??!

Não havia embrulhos, nem laços, nem nada
Mas Joana não ficou decepcionada!
Correu atrás duns meninos
Que jogavam ao esconde-esconde,
Ela queria saber quem eram e vinham de onde?!

- Eu sou o Amor – mas as pessoas ignoram-me quando passo, venho do coração mas pensam que sou do espaço!
- Eu sou a Esperança – e as pessoas deixam-me morrer, não sabem que sou eu que as faço mover!
- Eu sou a Felicidade - e as pessoas pensam que não existo, deixam-me escapar por aquilo... e por isto!
- Eu sou a Coragem - sou como um elixir, dou força aos fracos que me quiseres possuir
- Eu sou a Paz - e estou a desaparecer, as pessoas não percebem, que com guerra não se pode vencer
- Eu, a Solidariedade – de mim só se lembram agora, venho do mundo inteiro mas toda a gente me ignora!
- Eu sou a Saúde – eu sou do melhor que há, para mim não há remédio, enquanto aqui estiver, tudo o resto será mistério!
- Eu sou a Liberdade – eu é que sou a maior, sem mim estás tramada, podes querer andar e ficarás sempre parada!
- Eu, o Respeito – eu venho da educação pessoal, mas também caí em desuso, às vezes tratam-me mal, é um autêntico abuso!
- Eu sou a Moral – venho da consciência e do coração, ajudo a distinguir o bem do mal, mas também estou em extinção!

Depois das apresentações,
E de tudo explicadinho,
Joana percebeu quem era cada menino.
Eram sentimentos importantes
E outras coisas que tais,
Eram para lembrar todos os dias
E não só nos Natais!
Joana chamou os meninos todos,
Com muito boa intenção,
Queria metê-los nos sacos,
E todos disseram que não!
Estes sentimentos estavam esquecidos
Naqueles sacos sem fundo,
Mas Joana tinha-os despertado
Agora queriam ficar neste Mundo!
Então decidiram em segredo,
Fazer uma magia, uma coisa diferente,
Sacudiram os sacos no ar
E ficaram no coração de toda a gente!


Depois deste bonito sonho,
Joana acordou com um sorriso,
Abraçou o pai e a mãe,
E sentiu-se no Paraíso!

- Feliz Natal Joana (professora)
- Feliz Natal a todos! (todos os meninos)

FIM

quarta-feira, dezembro 10, 2008

PINHEIRO DE NATAL

Neste Natal
Gostava de ter um pinheiro alto,
Ter um escadote que chegasse ao topo.
E ir pendurando, aqui e ali
,
Os enfeites que tenho nesta caixa.
Queria pendurar os meus desejos e os teus,
Os nomes de todos os que passaram por mim,
Aqueles que amei, os que maltratei, e até os que esqueci.
Gostava de pendurar num galho uma bola vermelha
Que simbolizasse o meu coração
,
Uma bola cintilante, transparente e inteira.
Quero que este pinheiro fique enfeitado
Com todos os erros cometidos
,
Com as alegrias e os sorrisos
,
Com as gargalhadas também
,
Quero pendurar as lágrimas
,
Ficariam no fim de cada ramo,
Como uns pendentes, brilhantes e reluzentes.
Seriam a lembrança de que chorei como uma criança
Mas que afinal também cresci.
Gostava que o amor que sinto no peito
Fosse uma fita dourada,
Que desse a volta ao pinheiro, muito bem enroscada.
Uma fita que pareça abraçá-lo eternamente.
Queria ter luzinhas de muitas cores,
Daquelas intermitentes,
Como as amizades que temos, que parecem inconstantes.
Gostava que este pinheiro fosse forte
,
Com a estabilidade dos nossos pais,
Que nos protegesse dos raios de sol e dos grandes temporais.
E nos seus ramos longos e vastos
,
Nascessem grandes folhas verdes, sacudidas pelo vento,
Que trouxessem as lembranças boas e más,
E que nos segredassem um novo alento.
Queria que este pinheiro brilhasse muito,
Que tivesse muita cor,
Que cintilasse de verdade,
Que fosse diferente de todos os outros.

Agora,
Desço do banco que não é escadote,
Olho para o pinheiro que é pequenino,
Olho para a caixa que não tem enfeites.
As luzinhas parecem fundidas,
Vão piscando preguiçosas aqui e ali.
O tronco, coitadinho, tão fininho
!
E a fita dourada, toda estragada
!
Ainda assim,
Ponho os poucos enfeites que tenho.
Agora, vou pendurar as lágrimas,
E a bola vermelha, cá está, ainda inteira
!
Ficou um pouco mais alegre agora
,
Apesar de não ser da melhor maneira.
Ao olhar para este triste pinheiro
Fico imóvel, a apreciar esta realidade.
O pinheiro que sonhei não existe na verdade.
Num último movimento,
Subo ao banco novamente,
Coloco no topo a esperança

Acreditando que para o ano será diferente.
A.S

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Vestidos de Corpo e Alma

Por vezes saímos à rua despidos. Ou vamos sem alma, ou vamos sem corpo…
Por vezes esquecemos o casaco, deixamos o cachecol, deixamos as luvas quando lá fora neva. Mas vamos andando, marcando as passadas no caminho, vamos em desalinho, esquecendo o frio, esquecendo o mundo, esquecendo tudo. Sabemos apenas que caminhamos porque os nossos passos marcados na neve nos perseguem.
Por vezes vamos para a rua, mórbidos de cansaço, doentes de angústia, sem saber para onde ir, e por onde ir. Mas caminhamos, continuamos a marcar as nossas passadas.
Por vezes, olhamos para trás e as passadas desapareceram no tempo, não sabemos de onde viemos, não sabemos como aparecemos aqui, não sabemos quem somos.
Somos corpos despidos, por vezes de alma, por vezes de corpo.
Escolhemos a roupa que nos fica melhor para este dia ou aquele. Se hoje a alma me aperta não a visto. E quando é o corpo que nos fica largo, também não! Não vestimos o que não nos serve, o que nos fica mal, o que nos desfavorece…
Vestimos e despimos, e neste vestiário, olhamos o espelho e não percebemos que nesta troca de roupa perdemos os melhores momentos.
Se este dia estiver destinado para enlaçar a minha alma à tua, quero ter a alma vestida, se estiver destinado a abraçar o teu corpo, quero ter o corpo vestido… porquê arriscar a ter a roupa errada na hora certa? O destino nunca se sabe, por isso para quê arriscar andando meio despidos?
Por vezes, saímos de casa à pressa e vamos pela rua fora distraídos, completamente vestidos! É nesses dias que vale a pena sair à rua… mesmo que a roupa nos pese!
Nestes dias estamos presentes de “corpo e alma”, nestes dias estamos visíveis para tudo e para todos.

Nestes dias realmente existimos!

terça-feira, novembro 04, 2008

O AMOR É LOUCO

O Amor é Louco!
É Louco varrido!
Não é sério,
Faz-se de tonto,
E por vezes é torcido!
Deita-nos a porta a abaixo ao pontapé,
Abanca na nossa casa
Quem pensa ele que é?!
Remexe nas nossas coisas,
Vira tudo de pernas para o ar,
Depois sorri descarado,
E diz que vai ficar!
Finge-se de cego quando não quer ver,
Fica calado quando quer falar,
Alguém entenda este sentimento,
Parece que nos está a gozar!
Perde-se no tempo,
Raramente sai à rua!
Por vezes olha para o sol
E diz que é a lua!
Fica pensativo, sem razão aparente,
Indeciso se fica aqui,
Ou se deve seguir em frente!
Desorientado, perdido,
Encaneca-se no café,
Fica bêbado, cambaleando
Mas sabe sempre quem é!
Se o amor não fosse louco,
Se fosse muito atinadinho ,
Talvez andar apaixonado
Não tivesse este gostinho!
Gostinho a quê?!
Ou a amargo, ou a doce!
Até no paladar,
Não sabemos o que nos trouxe!
É uma constante descoberta
Viver com este sentimento
É sentir um pouco de vida,
É viver com novo alento.
Ah, e se ao passarem por aqui,
O quiserem conhecer,
Não vale a pena perderem tempo,
Que ele sabe onde ir ter...
Temos que estar atentos
À sua passgem discreta,
Que se pode ir embora
Se a porta não estiver aberta.
Abram portas e janelas,
Abram olhos e corações,
Abram a alma ao mundo
Vivamos enfim, de ilusões!

AS

sexta-feira, outubro 24, 2008

Seremos PÓ

Já fui carne,
Agora sou pedra!
Pedra que tu partiste e transformaste em poeira!
Ainda me pegaste carinhoso, arrependido
Nessas mãos delicadas.
Mas sopraste-me para o ar,
Por cima da montanha,
Por cima do rio...
E fiquei por aí, solta, perdida,
Desfragmentada!
Um dia quando tiveres sede,
E te debruçares sobre o leito para beber,
Junta as tuas mãos de pedra,
E sorve a água onde me deixaste,
Respira o ar onde me sopraste
E voltarei a viver!
Nesse dia, voltarei a fazer parte de ti!
Nesse dia seremos os dois pó,
Nesse dia, amor, seremos um só!


AS

segunda-feira, outubro 20, 2008

Na tentativa de ter piada...

Pediram-me para a escrever coisas com piada, alegres! Mas este blog é o estado da minha alma, transparência cristalina do que sinto... Que me desculpem por ter dias maus!
Mas podemos fingir que estamos bem, é um facto! Podemos fingir isso muito bem, eu sei, porque o faço. Eu sei, porque o faço muito bem! Tão bem, que às vezes acredito nesta minha falsidade altruísta, para que tu não chores comigo.
É esta a minha alma, rir quando o coração nos chora e gargalhar quando o coração nos sorri... Chorar, isso é que não! Eu sorrio, e dou gargalhadas, evito a lágrima.
Choremos sozinhos, escondidos na nossa armadura de carne, entre os nossos músculos contraídos de desespero e as entranhas pútridas de saudade. Chapinhemos nas pocinhas de água salgada que encontramos aqui e além, apanhemos todos os espinhos e cardos que encontrarmos neste músculo tísico mal amado! Ah, vivans, vivamos na harmonia triste deste corpo que quebrado, desmantelado, se ergue firme, renovado, com um sorriso lindo e enojado. Ah vivans, vamos fingir e acreditar na nossa mentira... finjamos e vivamos! E sejamos felizes!
Choro apenas na presença dos que me conhecem melhor que ninguém, em frente àqueles que fazem parte da minha carne, em frente aqueles que mesmo que nos olhem nos olhos e não nos vejam lágrimas, sabem que choramos!! Não preciso verter lágrimas sequer para perceberes o meu sorriso. Eu sou assim, é do sorriso à gargalhada (bem sabes!), é assim que a vida me corre, é assim que lhe fujo, é assim que te rapto e te levo comigo porque te faço sorrir mesmo estando eu perdida e angustiada... É assim que me escondo e só sou descoberta por quem quero, por quem me encontra!
É assim que vos minto, é assim que vos engano! Por exemplo, este texto não é realmente o estado da minha alma. A transparência cristalina está nos olhos de quem me conhece.

Resumindo;
Só estou a experimentar uma nova forma de escrever, estilos diferentes... Só isso! Gostaste?! Mórbido outra vez?! Poças, queres que escreva sobre quê?!
Sobre a Bela e o Burro?!
Então seja; eis que a Bela com medo de ficar velha, atirou-se da janela e caiu em cima do burro! E... Podiam ter saído a cavalgar por ali fora e serem felizes... Mas o mais provável teria sido outra coisa! Não a vou escrever, mas bem sabes que ficaram estatelados no chão! ;)
Vamos mentir?! Vamos enganar? VAMOS!
A Bela caiu no chão, mesmo em cima do fardo da palha que alimentava o Burro, saindo ilesa de tamanha queda! O Burro que estava sossegado, surpreendido com aquele barulho, virou-se para a Bela com ar de poucos amigos e disse:
- Vens tarde e ainda por cima cais em cima da palha, bem que podias ter caido no balde da água!
- No balde da água!? Ia ficar toda molhada, 'tás parvo?!
- 'Tá caladinha e monta aí se queres!
A Bela montou o Burro e foram estrada fora em direcção ao pôr-de-sol vermelho, que os fundiu num ponto negro longínquo. FIM
Ah, e... Foram felizes para sempre!

sexta-feira, outubro 17, 2008

MORREMOS

Era assim tão importante para ti que me deixaste morrer nos teus braços? Era assim tão importante para ti que não me salvaste? Porque não me salvaste maldito incapaz??! Ficaste a olhar os meus olhos perdidos nos teus, ficaste deslumbrado com a tua dor e deixaste-me! Quantas vezes me disseste nos olhos fechados que me amavas?! Eu sei que o dizias e choravas... quantas vezes debruçado sobre a minha cama choraste?! Eu ouvia-te, ali ao meu lado, triste miserável! Como me amavas...
Bem sei que não podias fazer nada, mas porque não inventaste? Não fingiste que tudo seria possível, não fingiste que o meu fim simplesmente, não seria fim? Porque choraste tanto, meu amor? Bem sabes que não me perdeste, foi a vida que te separou de mim, foi por teres ficado vivo, que eu fiquei sozinha!
Nesta agonia de nos termos perdido, só há uma coisa por que não te culpo, é o teres feito o
muito com tão pouco! Irremediavelmente eu teria um fim, inevitavelmente eu não podia ficar ao teu lado. A vida não me queria, o respirar não me sustentava. Não podias ter feito nada! Eu sei... Porque se pudesses fazer, eu sei que farias! Pegavas em nós e levavas-nos para lá da vida, para lá da morte, para lá do mundo em que vivíamos. E levaste! Bem sei que me vens buscar, e me carregas no teu pensamento, bem sei como sofres por não me teres, bem sei que choras amargas lágrimas por te ter abandonado. Mas eu também não tenho culpa meu querido, eu não te abandonei! Eu deixei a vida, sem querer, sem culpa! Amor, desculpa. Mas eu tomo conta de ti, carrego-te no meu peito. Abraço-te tanto, encho-te de mimos sem me veres...
Como nos amamos, sem saber! Só percebeste isso agora, não foi? Como era intenso, verdadeiro, intrínseco... Eu também só percebi isso agora que estamos separados. Preciso de ti e não te posso abraçar, preciso de ti mas só te posso imaginar! Revolta-me não te ter, embora sabendo que és meu! A vida separou-nos porque morri. É por isso que não há culpados... nada podíamos fazer, nada!!
Mas daqui, vejo outros como nós, que vivos se deixam morrer. Se perdem uns dos outros por querer. Com escolha, com vida, perdem-se porque sim. Isso deve custar mais ainda. Seria insuportável viver sem ti, sabendo-me viva. Por isso não te culpo, por isso deixo-me estar, para viver assim, ainda bem que morri... E tu como viverias sem mim, sabendo-me viva?
Fizemos todos os possíveis para ficarmos juntos, não foi amor? Eu sei que sim... Foi ao teu lado que realmente vivi...vivemos!

Um beijo meu amor, onde quer que estejas, ainda que habites em mim, sinto-te por aí perdido.
AS

quinta-feira, outubro 16, 2008

BURRO APAIXONADO

Este poema é dedicado a todos aqueles que vivem apaixonados. Para aqueles que vivem um amor impossivel e ainda assim tem a capacidade de sorrir e fazer sorrir...

Saudades que matam,
Amor que queima,
Distancia que cansa,
É o que dá no cinema!
Este é filme que passa
Nesta velha tela,
São apenas relatos
Da vida que é bela!
Bela serás tu meu amor,
Na janela de um castelo
E eu serei o burro,
Que cá em baixo te espero!
Espero e desespero,
Porque não desces daí?
Sou um simples burro
Queres que morra aqui?!
O meu dono prendeu-me
Com um nó que não desata,
Se descesses daí
Serias bem mais sensata!
Ai, mas um burro é um burro,
Antes fosse cavalo,
Com a inteligência que tem
Já se tinha posto no car..lho!
Mas tenho muito orgulho
Em ser tão burro assim
Enquanto aqui te espero
Ainda olhas para mim!
Nas minhas orelhas caídas
E no pescoço levantado
Quero que vejas que te espero
Mas vou ficando cansado!
E agora meu amor,
Que sabes que te espero,
Vais descer daí
Ou esperas que fique velho?
Burro velho não corre,
Só te posso passear,
Mas se demoras a descer
Talvez nem possa andar!
No pior dos cenários,
Deste filme, desta tela,
Se demorares a descer
És tu que ficas velha!
Porque meu amor, eu te digo
Que o burro não envelhece,
Mas se a velha não desce,
O burro enlouquece.
Perdido na loucura,
De tanto esperar por ti,
Ficou o burro louco
Por só te querer a ti.
Se queres o esclarecimento,
Esse burro não sou eu
É a velha que está na torre
Que até hoje não desceu!
Se o burro te falasse,
Terias percebido?
Que o que ele queria
Era ter subido?
Estava preso coitado,
Por uma corda como viste,
Ai, desgraçado do burro
Como é triste, como é triste!
Se nessa torre tão alta
Não se ouvisse o que o mundo diz,
O burro seria um cavalo
E a bela seria feliz.

Esta história sem fim,
É para vos deixar a pensar
Que numa história de amor
Há sempre volta a dar!

AS

terça-feira, outubro 14, 2008

PERDIDOS

Para onde vamos quando não nos conhecemos?
E para onde queremos correr quando finalmente nos encontramos?
Perdidos, eternamente perdidos andamos,
Perdidos porque nos esquecemos onde estamos.
Esquecemos isto e aquilo,
Aquele e o outro,
O importante e o insignificante,
Esquecemos que a vida se vive no momento,
Neste momento, não no próximo.
Andamos perdidos
Com a cabeça no futuro,
Perdidos do presente, mas é no presente que estamos!
Caminhamos, corremos e assim nos cansamos.
E é tão fácil encontrarmo-nos aqui.
Porque nos procuramos num outro lugar se é aqui que estamos?
Perdidos andamos,
Sem saber para onde caminhar.
Não sei para onde vão,
Mas eu, é aqui que quero ficar!
E perco-me instantaneamente na ânsia do futuro.
Encontrando-me novamente perdida...

A.S

O futuro só vale a pena ser vivido quando lá chegamos. Na tentativa de imaginar o futuro, acabamos por viver uma ilusão. Imagino que seja esta a principal diferença entre nós e os animais,
eles não pensam no futuro, nós pensamos demais...

sexta-feira, outubro 10, 2008

CASAMENTO HOMOSSEXUAL

Está lançada a polémica, apesar de não fazer parte da agenda parlamentar, este assunto vai finalmente ser resolvido na Assembleia da República. Eu disse resolvido?! Enganei-me, não vão fazer é nada! Para além da triste figura que vão fazer em representação dos portugueses, os nossos governantes não vão fazer nadinha! E pelo que ouvi dizer, após semanas de hesitação e debate, a proposta vai mesmo ser chumbada! Baseada em que argumentos?
Ora vejamos, porque é que os homossexuais não se podem casar? Primeiro, teremos que analisar o que raio é um homossexual... Não sei, talvez sejam pessoas, ou não?! Então porque não tem o direito que as pessoas tem? Porque na realidade são “bichos” não é pessoal?! São animais irracionais, porque se fossem racionais, caramba, deixavam-se dessas paneleirices e assumiam de uma vez por todas todas a sua heterosexualidade, que faz do ser humano, gente! Que aliás, foi para isso que os pais as criaram, para sermos alguém na vida! Para sermos gente! Para sermos pessoas! Não para sermos homossexuais! Bem, está explicado porque privam os homossexuais de casar, não são pessoas, são... sei lá! São qualquer coisa que não tem os mesmos direitos que nós pessoas, certo, Sr Ministro?!
Agora vamos ver, o que significa casamento. Ora casamento, , segundo definição retirada dos Dicionários já ajustados ao acordo ortográfico, portanto actualizadíssimo, é nem mais nem menos isto. Cá vai:
Casamento: “n.m 1 Ato ou efeito de casar; 2 contrato celebrado entre duas pessoas que pretendam constituir família em conjunto; matrió(ô)nio; 3 cerimó(ô)nia que celebra o estabelecimento desse contrato; núpcias; 4 situação que resulta do ato de casar; 5 estado de casado; 6 [fig.] enlace; união; 7 [fig.] combinação (de casar+mento)”.

E segundo o artigo 1577º do Código Civil Português, o que é o casamento? Cá vai: Casamento: “é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendam constituir família mediante uma plena comunhão de vida”.
Mais curiosidades; e o que diz o artigo 13º da Constituição da República?! Cá vai: “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”. Reparem que a “orientação sexual” foi a última actualização, mas foi finalmente colocado na Constituição! E ainda, se quisermos continuar neste roll de politiquices hipócritas, consultemos a Declaração de Princípios do PS, esse que vai chumbar a proposta do casamento homossexual. Cá vai: “O PS combate as desigualdades e discriminações fundadas em critérios de nascimento, sexo, orientação sexual, origem racial, fortuna, religião ou convicções, predisposições genéticas, ou quaisquer outras que não resultem da iniciativa e do mérito das pessoas, em condições de igualdade de direitos e oportunidades. O PS defende o princípio da equidade na promoção da justiça social.”
Esta é para rir, tendo em conta que, baseado em argumentos de que ainda não é o momento certo, e o país não está preparado e a mentalidade das portugueses, e isto e aquilo... vai chumbar a proposta!! Defendendo sempre que não é contra, mas que, não pode ser a favor... Parece o outro “é proibido, mas pode-se fazer!!”, “Nós defendemos, mas vamos votar contra!”
E depois estas leis, a Constituição, as definições, as normas, os direitos... uns dizem uma coisa, outros outra, é um contra censo de politicas! É forma de ter justificação para todas as ideias! Segundo a Constituição, é uma coisa, segundo o Código Civil é outra, segundo isto é cozido... segundo aquilo é assado... mas atenção que pode ser cozido e assado ao mesmo tempo! Depende do documento que se teve em conta para argumentar!
Gostava de saber sobre que documento o Sr. Ministro se debruçou para chumbar esta proposta. Foi o Código Civil por certo porque diz que o casamento é entre pessoas de sexo diferente, ou a Constituição da República? Talvez a Declaração do PS só porque lhe ficava bem usar uma declaração sua... oh pá, mas esta diz que não se pode descriminar os homossexuais, não pode ser, paciência... temos que usar outra, talvez a Constituição da Republica, esta também era boa, como governante do país, era bom ter como base a Constituição... chiça penico, essa também não pá, essa também vai ao encontro dos homossexuais... o Código Civil também é bom!! Vamos pelo código Civil... mas seremos inconstitucionais... Paciência, o povo não sabe o que isso é...

Mas o que é isto?! É gozo do grande! Parece que estão à espera de um novo 25 Abril proclamando a liberdade...
Tenho curiosidade em saber com quem se fala, a quem se apela, a quem se reclama?! Há Ministro da Igualdade? E da Desigualdade? E dos Direitos Humanos?! Ah... nem sequer há com quem falar... bonito! Fiquemos por aqui... Mas há Associações que apoiam estas pessoas, estas associações tem que ser mantidas de alguma forma, são sem fins lucrativos e tal mas... quer dizer! Se fossemos todos iguais não era necessário este tipo de instituições de apoio gay, que diga-se de passagem são cada vez mais! E recebem donativos para se manterem, e se esses donativos fossem mesmo para os que precisam? Claro que esses donativos iriam para os que realmente precisam de apoio e ajuda! Os homossexuais só são necessitados porque são descriminados, porque na realidade não tem problema nenhum! Estão a perceber?!
Voltemos ao que me trouxe aqui, que é precisamente o casamento entre homossexuais. Ora bem, chego à conclusão que tanta discriminação a estas pessoas só se deve à mentalidade retrograda da sociedade, e ao respeito que se tem por essa mentalidade retrograda! É só a mentalidade da nossa sociedade que não nos deixa evoluir. E como se isso não bastasse, vem o governo e assina por baixo, dando apoio a esse pensamento retrogrado! Parabéns Sr. Ministro, terá novamente o meu voto!
Já agora gostava que me explicassem o que é a disciplina partidária ou disciplina de voto! Neste contexto entendo disciplina como “regime de ordem imposta”, ou “ordem conveniente e necessária ao bom funcionamento de uma instituição” ou “submissão a um regulamento”, isto é, o Sr. Ministro vai impor que os seus colegas partidários votem conforme a convicção que lhes é imposta, ou seja, votem contra, mesmo que sejam a favor?! É isto?! E o momento certo será quando? Talvez numa campanha eleitoral, onde o povo seja uma comunidade gay. Era bom aprovar uma proposta destas nessa altura, não era?! Pois guarde-a muito bem na gavetinha para usar nesse momento, é que se usar agora, depois não tem!!
Só mais uma pergunta, na África do Sul os homossexuais podem casar não é? Na África... Bolas, que país evoluído, pensei que lá só existissem macacos e diamantes, não, também há casamento entre homossexuais! Nos estados dos Norte da América (Califórnia e Massachusetts, acho), na Bélgica, Canadá, Holanda, Noruega, assim como na Espanha... Países demasiado evoluídos, e cuidado, alguns próximos! Olhe que isto ainda se pega!
O país afinal é para ir para a frente, ou para trás? Em bom nome e por respeito às mentalidades de alguns portugueses, privamos a evolução do nosso país. Eu compreendo que algumas pessoas não aceitem, não compreendam, lhes faça confusão a orientação sexual de outras pessoas, mas onde é que estará a maioria dessas pessoas daqui a uns anos? O nosso futuro, e o do país, estará nos velhos ou nos novos? Nos que estão para partir ou nos que cá ficam??! Nos nossos avós ou nos nossos filhos??! É um governo para o futuro, ou para o passado?
É este o país em que vivemos, alguém que se entenda nesta república das bananas? Assim não se pode governar, nem ser governado! Isto é um pequeno exemplo das politiquices que se fazem no nosso país! E é revoltante...
Um abraço a todos os homossexuais que passarem por aqui e um pedido de desculpas por ter contribuído para o governo que nos governa!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Na Rádio... Deu que pensar, só isso!

Hoje, como todas as manhãs quando vou para o trabalho, vim a ouvir rádio no carro. É agradável vir a ouvir a conversa alheia, sorrir dos disparates que dizem, intervalar com uma música, ficar a pensar no que disseram, ouvir notícias, ficar a par das novidades do mundo, aquelas que não interessam a ninguém, pois não passam de cusquices que vão directamente para a Recycle Bin do nosso cérebro, não deixando no entanto de ser informação! (Vejam bem o que dá para viver durante o transito matinal da IC19!! ;)
Hoje foi daqueles dias em que fiquei a matutar numa situação que se passou, tão banal, tão banal que nem é normal uma pessoa ficar a pensar nisto! As pessoas normais não pensariam nisto, mas eu não sou normal... Então foi o seguinte:
Estava a decorrer um género de um concurso, em que a concorrente em linha precisava adivinhar o nome de um filme e não sabia. Acontece a todos. O pior que lhe podia acontecer era não receber o prémio, que me pareceu ser um CD de música. Eis que a moça não sabia o nome do filme, nem com dicas, nem sem dicas... Paciência! A rapariga tinha ainda a oportunidade de pedir ajuda de um outro ouvinte, a qual solicitou. A outra ouvinte entrou em linha disposta a ajudar e sabia obviamente a resposta certa. Depois da resposta certa da segunda ouvinte, é que surgiu a questão que me deixou a pensar: “e a Andreia quer ficar com o prémio para si, ou vai dar à Carla?”, ou seja, a rapariga que foi ajudar queria ficar com o prémio, ou simplesmente ligou para participar e ajudar uma outra ouvinte? Para já, eu pensei que esta ajuda seria voluntariosa, seria para ajudar a outra a ganhar o prémio, pelo que fiquei surpresa com a pergunta e expectante com a resposta... A resposta foi simplesmente: “quero ficar com o prémio” e riu-se! E eu pensei “grande porca!”. Poderão vocês pensar (como eu pensei depois) “grande porca porquê? “Está no seu direito!”. Exactamente! Ela é que sabia a resposta, tinha direito ao prémio, para quê dar à outra?! Isso seria estupidez, certo? E se eu estivesse no lugar dela o que faria? Ficava com o prémio porque sou esperta, ou dava à outra porque sou boazinha e parva? Possivelmente dava à outra (não estou a assumir publicamente a minha parvoíce!) só para evitar que os ouvintes pensassem que era eu uma “grande porca”! Gosto de ser boazinha, mas na realidade o que sentiria não seria que tinha sido muito parva?
Assiste-nos o direito de criticar quem na sua integridade e autenticidade faz e diz aquilo que quer, não faltando ao respeito aos outros? Não me parece que tenhamos esse direito, embora o faça como o assumo aqui. E isto deixou-me a pensar, porque na tentativa de sermos melhores para agradar aos outros, acabamos por nos prejudicar a nós, ficamos com menos. Menos tempo, menos paciência, menos dinheiro, menos mérito, menos tanta coisa... ficamos talvez com mais pessoas que gostam de nós, ou essa parte de nós que é falsa. Na verdade evitamos é a crítica... vou fazer assim, senão pensam isto ou aquilo...
E esta simples atitude, esta naturalidade em assumir publicamente que se quer o que se quer, deixou-me a pensar que realmente devemos deixar de ser bonzinhos por falsidade, devemos ser autênticos! Se a critica existir, a autenticidade e a verdade irá em nossa defesa. Isto sempre contando que a autenticidade vem acompanhada de integridade! Claro está que o dar, às vezes nos dá prazer... Por vezes até agradecemos que nos apareça um mendigo à frente para podermos dar uma esmola e fazer a boa acção do dia! Um ceguinho que ajudamos a atravessar a estrada, uma velhinha que nos peça ajuda com os sacos das compras, etc, etc... mas isso é dar sem perder!
Dar a um desconhecido, com consciência que se perde algo que se deseja, já vai para além da bondade, é quase falsidade. Foi à conclusão que cheguei...
Parece que a opinião dos outros é importante, pelo menos para mim é. Mas essa opinião será assim tão importante? E os outros quem serão? Serão também assim tão importantes? São tão importantes que lhes permitimos que nos roubem a veracidade dos nossos actos? Talvez...

terça-feira, outubro 07, 2008

NO PALCO DA VIDA

Dou conta de mim aqui sentada, na plateia deste pequeno teatro. Ninguém me chamou, ninguém me pagou o bilhete para entrar, entrei inconsciente. Escolhi uma cadeira ao acaso e neste momento só me dou conta que estou aqui sem saber como ou porquê. Apareci aqui num silêncio que não se dá conta, um género de rapto fulminante de alma, sentimos que fomos transportados para longe de nós, sabendo que somos nós.
Encontro-me sentada na segunda fila, numa cadeira vermelha confortável, ligeiramente desviada do cento, à esquerda. Sente-se aqui uma atmosfera leve, de paz, um sossego que me embala, um silêncio tranquilo. Diria que é aquela solidão que nos sabe bem.
Abre-se o pano vermelho. Sem apresentações, sem pancadas de Molière. Abre-se e fecha-se o pano ao som do estalar de dedos, ao som do pestanejar dos meus olhos, ao ritmo das memórias que me escapam perdidas pelas fissuras marcadas das recordações. Recordações, memórias, uma vida que vejo agora a surgir em palco.
Vejo mil imagens, demasiados cenários, pessoas de que quem já me tinha esquecido mas que por alguma razão me encontro com elas agora. Vejo-me sempre em cena, perdida no meio daquelas almas pardas que se fundem e instantaneamente desaparecem de cena. Tudo em movimento, num rodopio de piscar de olhos, novo cenário, novas falas, novas gentes, novas emoções. Encontro-me ali, sem falas, sem deixas, por vezes sem adereços... sem nada!
Sei agora que a cena em palco é a minha vida. O passado longínquo, o passado recente, o meu presente! Ao aperceber-me que ali está a minha vida tento enganar o encenador, ou alguém que desconheço, e fecho os olhos no futuro! Mas o futuro é apenas um cenário de fundo preto, de luzes muito brancas sem nada que se consiga ver, indefinido, indecifrável, ilegível. O futuro não passa neste palco, no palco da vida não há futuro, claro! Esse também não interessa nada agora! Não interessa para hoje.
Marco aqui encontro com as pessoas que magoei, as que amei, as que passaram pela minha vida e saem pela esquerda alta, pessoas que são apenas figurantes pois já nem os traços ou o nome recordo. Vivo as emoções que me caem no coração, caem como uma torneira em ping-ping contínuo. “ping, ping, ping, pung, ping, ping, pung”, dissonantemente me fazem chorar, outras vezes me deixam sorrir. Vejo-me aqui a crecer a evoluir, não deixando de ser eu. Reparo que fui boa, fui má, deixei de ser e agora sou!
Sinto-me viva nesta cadeira, sinto o sangue a pulsar nas veias, sinto o coração a bater, sinto as lágrimas que caem. Sinto as sombras que entram nesta sala e se sentam discretas atrás de mim. Sinto a sua presença espiritualmente física. Não olho para trás porque sei quem são, não sei onde se sentam, o lugar que ocupam não me parece importante, mas sei quem são! Talvez uma ou outra me despertem a curiosidade e me tentem a olhar, mas não, não, continuo a olhar para o palco. Permanece o silêncio, a paz, o conforto das várias existências nesta sala.
As cenas em palco são de facto a minha vida! O arrepio na pele, a respiração que quebra, o baixar do sobrolho de enorme constrangimento disto ou daquilo. Decido que escolho as cenas que quero ver, as que quero recordar. Escolho! Quero escolher como se fizesse um zapping. Ai um zapping de olhos abertos, vejo segundo e segundos de cenas que não quero, que não queria que existissem mas estão lá esquecidas, elas estão lá, eu sei! Estas cenas que ficam no ar por certo é Molière que as escolhe porque eu não sou! Eu não as queria ver, jamais as escolheria, bem sei quem está nesta sala!
Sinto a agitação dos vultos que se sentam atrás de mim, sei que a sala não está cheia, mas já chegou quase toda a gente que tem bilhete. Todo este movimento é paralelo mas distante da atenção que dou ao que se passa à minha frente. Não me distrai, não me incomoda, simplesmente se está a passar nas minhas costas.
Entro na minha minha vida, como se entrasse nesta montanha que me ocupa o horizonte do olhar. Entro disposta a tudo. Vejo as árvores grandes que foram sementes, vejo as pequenas que serão grandes, vejo as pedras que devem ter rebolado pela encosta, vejo vestígios de fogo aqui e ali, vejo a recuperação do fogo salteado a verde acastanhado, vejo esta casa que não estava aqui, vejo as ruínas de outra que marcou a história das gentes. Não vejo uma simples montanha, vejo-lhe a alma! Vejo a constante mutação, o movimento, a evolução, a seiva que corre acelerada fazendo dela uma montanha viva! É assim que estou a olhar para mim. A ver onde foi o fogo, onde morreram as árvores, onde nascem as novas, para onde correm os rios, quem deslocou as pedras. Quem passa, quem só olha e quem realmente me vê! Quem entra e quem passa...
Passou na sala um vulto que me estremeceu! Sentou-se demasiado próximo de mim, no mesmo corredor, a duas cadeiras do meu lado direito. Eu não tinha intenção de me distrair e quase consegui! A tentação de movimentar ligeiramente a cabeça para ver o vulto desconhecido foi maior. Foi a audácia e o atrevimento com que o fez que mereceu a minha atenção. Na realidade foi a intensidade da sua presença que me distraiu. Sem trocar palavras entendemo-nos inteiramente, estranhei esse entendimento tão intimo. Perdi a cena, perdi alguma coisa em palco, não sei o quê, nada de importante por comparação a este momento. Soube que a partir deste momento iríamos assistir em palco a um crime, sem culpados e sem culpa. Percebeste aqui que fizeste primeiro parte de mim e só depois entraste na minha vida? Sinto-te aí, cúmplice de mim, a querer partilhar! Eu vou partilhar contigo, diz-me que cena queres ver em palco e eu mostro-te, eu abro o pano para ti amor!
Estamos sozinhos na sala, não te estranho, sei quem és, talvez um reflexo de mim, parte da minha alma perdida, partes de almas perdidas que se encontraram e se fundiram no mesmo pedaço de espelho partido.
Vejo agora as cenas em palco ao teu lado. Deixa-te estar. Fica em mim, fica na minha vida. Ficarás sempre em mim, porque num encanto da vida aconteceu-me o amor. O amor não se faz, não se procura, o amor nasce em nós, sem culpa e sem pecado. Originalmente deixamos de ser nós, somos um pouco mais. Somo nós e o outro pedaço de nós, e jamais poderemos esquecer um pouco daquilo que somos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Uma mensagem SMS

A tecnologia de hoje obriga-nos a desvalorizar o empenho, ou esforço com que antigamente fazíamos as coisas. As coisas que se fazem hoje em dia parece que perdem o valor. Antes era tudo mais difícil, mas tudo com muito mais conteúdo! As pessoas já não se dão, não se entregam. Já nem nos lembramos o que é um compromisso! Se nos atrasarmos é só enviar uma mensagem, ou ligar a dizer que estamos atrasados, o outro que espere! Se não nos apetecer ir, é só ligar e inventar uma desculpa qualquer de última hora. Antes não, antes tínhamos mesmo que aparecer porque alguém estava à nossa espera e não havia como o avisar, tínhamos mesmo que ir era uma questão de bom senso, de palavra, de responsabilidade! Não é à toa que estes valores cada vez mais estão a desaparecer...
Onde estão os recados de amor escritos num bocado de papel, onde está a nossa agenda riscada e rabiscada, com desenhos e recortes que íamos coleccionando? Onde está a letra daquela pessoa que me escreveu, onde está a personalidade das coisas? Num cartão SIM... num telemóvel topo de gama, numa mensagem na nossa caixa de correio electrónico... Tudo vazio, frio, sem alma, sem sorriso, sem cor... cinzento!
O correio dos CTT hoje em dia é só uma caixa para receber publicidade, contas para pagar, e pouco mais. Antigamente a caixa de correio era um género de caixinha de surpresas! Lembro-me quando a minha avó me mandava o correio e volta e meia lá estava uma carta, um postal de alguém. Era uma alegria! Agora, abrimos o correio, subimos no elevador e olhamos desinteressados para a papelada que vamos amontoando em casa para forrar o caixote de lixo! Nem ao entrar em casa sorrimos, porque enfim, ao abrir o correio não está lá nenhuma surpresa! Só se for uma multa...
Por outro lado, reparem que esta tecnologia nos tira alguma (para mim muita) privacidade! Se não atendemos o telemóvel, temos que justificar... se não respondemos a uma mensagem temos que justificar, se não nos apetece falar com uma pessoa temos que falar. Se não temos nada para dizer cobram-nos porque não dissemos nada... Se atendemos querem saber onde estamos, com quem, para onde vamos... Bolas!!
Voltar ao que era antigamente é completamente impossível. Hoje em dia quem não tem telemóvel é um completo parolo! Toda a gente tem pelo menos 1 telemóvel, 1 ou 2 endereços de e-mail, uma conta no youtube... etc, por aí fora! Quem não tem, não é deste mundo! Alías, há pessoas que têm só por ter. Outras que têm não se sabe bem porquê, mais valia pegar no telemóvel e atirarem com ele contra a parede! Uma pessoa que tem telemóvel não tem desculpa para passar um dia inteiro sem dizer nada à mãe, ao pai, à avó, ao tio, ao amigo, ao namorado, à namorada... Não há desculpa! Se tem telemóvel, tem que usar! Se não for para usar, não tenham, para não ser cobrados! Bolas, é difícil?!
Mas a verdade, é que dá muito jeitinho, sim senhor!
“Recebes mensagens minhas que te arrepiam, que te fazem sorrir, que te entusiasmam, que te acarinham, que te fazem sentir amada, que te confortam, que te angustiam. Vês o que estou a perder porque passas um dia sem dizer nada?! Eu espero, e desespero e um dia vou deixar de esperar!”
E as relações acabam assim, culpa do telemóvel, não é da falta de comunicação das pessoas! J
Já que temos esta tecnologia, vamos usá-la a nosso favor. Vamos lá responder a quem nos acarinha...
Aproveito que estou aqui, para vos mandar um beijo, ou muitos, que certamente estão em falta. Reconheço que sou daquelas pessoas que mais valia atirar com o telemóvel contra a parede! Mas quando não me respondem fico lixada! E não somos quase todos assim... ? mea culpa, mea culpa

segunda-feira, agosto 25, 2008

Decepção

À medida que o tempo passa reparamos que tudo o que era certo no passado, deixou de ser certo hoje, aliás há coisas que perdem completamente o sentido. É o que se diz vulgarmente “a vida dá muitas voltas”
Hoje falo-vos da decepção. Decepção no geral.
Decepção será uma mágoa que se trás no peito, uma dor fininha que nos acutila, um silêncio angustiante que nos belisca para falarmos, mas sentimos que não o devemos fazer. Por vezes a decepção vem ter connosco devagarinho, a passo e passo e quando damos conta já estamos decepcionados. É um desconformo que nos rouba a paz de espírito. Às vezes é uma decepção connosco mesmo, um desentendimento.
Esta decepção que sinto é em relação às pessoas que fazem parte do nosso mundo, do nosso dia-a-dia, que fazem parte da nossa vida. Naturalmente a nossa vida não é estática, pelo menos espera-se que não caia nessa estagnação. E quando se vê de fora a evolução de uma vida, parece que não sabemos como lidar com essa pessoa, e estupidamente deixamos de lhe falar porque... está diferente?! Porque não é a mesma? Porque nem sequer nos damos a hipótese de percebermos que a única coisa que mudou foi a vida da pessoa e não a pessoa!
É isto que sinto, admito que a minha vida mudou um pouco, e de facto tive que fazer adaptações da rotina do meu dia-a-dia, e não adaptações de personalidade! As pessoas que nos rodeiam e nos conhecem não percebem isso? Talvez não...
Afinal não passam apenas de pessoas que nos rodeiam, não serão propriamente amigos. São simplesmente pessoas que fizeram parte da nossa vida. São simplesmente pessoas com quem rimos, com quem choramos, a quem confiamos alguns dos nossos segredo, a quem pedimos ajuda, a quem convidamos para comer lá em casa, por quem não nos importamos de abrir a nossa melhor garrafa de vinho, por quem nos levantamos mais cedo para ir buscar ao aeroporto, por quem temos sempre as palavras certas sem saber que as tínhamos, por quem sentimos carinho, por quem torcemos, a quem apoiamos incondicionalmente, com quem não nos importamos de partilhar o silêncio, por quem sentimos amor e carinho... Finalmente, por quem choramos quando se afastam, por quem avaliamos as nossas atitudes, por quem choramos de raiva por nos terem abandonado! Por quem não valeu a pena dar tanto de nós... São estas pessoas que chamámos de amigos. Mas agora fazem parte de um passado, e é lá que as devemos guardar, porque no presente não passam de pessoas distraídas. Pessoas que nos vêem a ir embora e nos deixam ir, sem deixar cair uma lágrima.
Analisando bem, não devemos ficar presos a uma memória do passado porque foi fixe! Foi fixe no passado, e nesse passado essa vivência fazia sentido. As pessoas que fizeram parte do nosso passado não tem o direito de nos magoar em memoria desse passado. E nós não devemos viver um presente com pessoas que nos magoam só porque no passado nos foram muito queridas. É que este presente, será o futuro, e no futuro não quero ter memórias tristes. É assim que decidi encarar a vida. Contando comigo, aprendendo com os outros. É assim, que as pessoas caem no precipício da solidão. É assim que nos apercebemos que vale sempre a pena sermos bons para os outros, porque saímos sempre a ganhar. Devemos ter sempre para dar, mas não esperar receber, para não nos magoarmos.
Recuso-me a viver uma vida cinzenta, sem autenticidade. Gosto de dar, mas não vou esperar receber. Eu só não quero ser magoada, quero ser feliz por dar, sempre fui feliz no dar e infeliz no receber porque o esperei. É o nosso erro, esperar do outro. Não devemos esperar nada, porque se for mesmo nosso amigo dará sem o pedirmos e sem o esperarmos.
Estou magoada, mas com força para continuar em frente, afinal de contas quem fica a perder são os que ficam pelo caminho, são os que ficam no caminho das recordações.
Há aqueles que não fazem simplesmente parte da nossa vida, mas fazem parte de nós. Esses sim, vale a pena arrastar connosco. Que façam parte do nosso passado, do nosso presente e do nosso futuro. Há pessoas que permanecem porque as guardamos no coração, mesmo que longe, é sempre com um sorriso que as recordamos. São essas que nos fazem falta, que nos fazem feliz.
O difícil é avaliar quem faz parte da nossa vida e quem faz parte de nós. Quem vale a pena carregar no coração e quem vale a pena guardar numa memoria colorida. Aqui cresce o medo de errar, e talvez a escolha no passado tenha sido um grande erro.

“É muito bom ter amigos, mas é difícil ter que aprender com eles as coisas duras da vida! Ter que crescer e seguir em frente sem eles!”
AS

terça-feira, julho 29, 2008

Inteligência Emocional

Perante uma situação de desalento, ou desmotivação temos que ter uma jogada de inteligência emocional. O que é isto? Talvez não saiba responder por definição, mas por experiência.
Uma jogada de inteligência emocional, é conseguir contrariar as nossas emoções, mas com estilo, com nível, de forma a surpreendermo-nos a nós próprios! É qualquer coisa do género; estou tão triste, mas dar uma gargalhada que veio não sei de onde, nem porquê, nem me apercebi, mas surpreendi-me! É dar colo à nossa tristeza, embalá-la, adormecê-la. É mimarmos a nossa pessoa, dar-lhe coisas boas, mandá-la ao ar e fazê-la sorrir. Temos que nos mimar nos nossos momentos difíceis, tirar um tempo para nós! Observar as nossas reacções perante situações de stress, e criticá-las como se pertencessem ao nosso melhor amigo! Nós permitiríamos que o nosso melhor amigo tivesse este comportamento? Se não, também não o queremos para nós! Esta é mais uma jogada de inteligência emocional. Damos conta e já estamos a viver novamente, a sorrir, nem que seja do disparate que nós próprios cometemos. Tiremos um tempo para nós, mas não um tempo infinito que nos leve ao silêncio, ao desalento, a uma sala sem portas nem janelas!
A questão aqui, é não desistir de nós, acreditemos que tudo à volta tem uma resolução. Tudo se resolve, mas não podemos ficar a espera que se resolvam sozinhas. Hoje em dia desmotivação pode ser considerado um luxo! Só se pode desmotivar quem tem uma vida, uma alma, um espírito recheado de riquezas, de experiências, de tudo... Não nos podemos dar ao luxo de ficar impávidos e serenos a assistir à nossa auto destruição. Sim, porque a falta de auto-estima é o inicio do caminho para a nossa dissipação, desintegração, alienação do mundo, quando damos conta já não estamos cá, estamos do outro lado da vida. (como sabem o outro lado da vida, enquanto estamos vivos, é o sono profundo).

Nos meus momentos difíceis conto comigo, com as minhas atitudes, com a minha luta. E se nessa luta precisarmos de uma amigo, arrastemo-lo que se for verdadeiramente nosso amigo irá para batalha connosco. E esta é uma luta em que só podemos ganhar porque só dependemos de nós, da nossa táctica, da nossa estratégia, das nossas armas. Conhecemos o nosso inimigo melhor que ninguém.
Não estou a dizer para mudarmos a situação, é mudar a forma como a vemos e vivemos, isso faz toda a diferença. Não é deixar passar, não é esquecer, não é deixar andar porque um dia vai passar. Tudo o que não se resolve continua a ser um problema, que mais tarde ou mais cedo nos assalta o pensamento.
Quero partilhar uma frase de um grande poeta, que como sabemos teve que inventar mil e uma personalidades, sabe-se lá porquê.
Acredito que tenha sido um dos homens mais inteligentes emocionalmente.

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”
Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 23, 2008

Amor Cigano

Foi à hora certa,
Num encontro não marcado
Que a nossa vida ganhou lugar.
Foi num outro dia,
Sem aviso ou marcação
Que a nossa vida ficou revirada.
O combinado foi viver este amor
Como se fosse cigano,
Sem lugar certo,
Sem hora marcada.
Há nuvens, e o vento tudo sacode,

Tu não vens.
Não sei onde estás,
Se voltas a casa.
Se ficas, se vais...
Se te perdes e não te vejo.
O compromisso foi não esperar.
E se não podes voltar?
Este amor é cigano.
Incerto de se viver,
Mas que nos dá vida,
Agora,
Não sei se fique se parta.
Sei que comecei a gostar da nossa casa.
E enquanto sentir este amor no peito,
Não me interessa, vou esperar!
AS

segunda-feira, julho 21, 2008

O nosso "governo"

Hoje em dia é noticia em todo o lado que a vida está difícil. E a esperança para os jovens não é nenhuma, pois a perspectiva é a tendência a piorar. Dizem os entendidos na matéria, que o futuro dos jovens é apostar no estrangeiro ou apostar na sua educação. Sim, porque hoje em dia já não basta ter um curso da tanga, temos que ter uma pós-graduação, um doutoramento, um mestrado, uma especialização, etc. Temos que andar a queimar as pestanas nos livros, e quando quisermos entrar para o mundo do trabalho, digo antes, mundo do emprego, temos 40 anos e não temos direito a reforma!!
A verdade é que começo realmente a ponderar tirar um novo curso, mas depois não será que vou ter habilitações literárias a mais? É que depois os empregadores não querem pagar muito, para aí uns 500€ serve perfeitamente! Mas se formos mestrado, ou doutorados, ou especializados... ora bem, têm que nos pagar 1000€!! E isso a malta não quer! Ah poi’não! Ora se posso pagar a um otário 500€ porque é que vou pagar 1000€ a outro otário? A vida é que nos ensina, a experiência é que nos especializa!... Por isso é que os anúncios dizem: “experiência mínima de 2/3 anos” Em que ficamos? Tiramos cursos, ou adquirimos experiência? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? É a minha mãe costuma dizer “o tempo bem dividido dá para tudo...” Bolas! Um dia agora tem 30h, não?
Os jovens licenciados que estão a trabalhar na área – o que já é uma grande sorte hoje em dia - não pensem que vão sair da cepa torta! Não é por estarem a trabalhar na área que vão longe! O curso que andaram a tirar já não serve para nada. Bem, deve servir para alguma coisa, nem que seja para a auto estima pessoal, ou frustração... Eu já nem sei muito bem se me sinta valorizada, ou frustrada. O que sei é que tenho a sorte de estar a trabalhar na área, a receber muito menos que a “Ermelinda” que passa a ferro em casa dos meus pais! Sim, porque eu não recebo para pagar a “Ermelindas”... Nunca vou receber, a não ser que tire um mestrado e vá para o estrangeiro, mas para fazer isto tenho antes que ganhar o Euromilhões, porque tudo isto tem despesas, certo?
E se o Darwin viesse agora para o nosso rectângulo fazer um estudo, chegaria às brilhantes conclusões que tirou nas ilhas Galápagos? Não me parece, talvez nos explicasse a teoria do retrocesso das espécies!
Tudo isto porque os nossos pais, acabam por ter mais que nós, eles é que ainda nos estendem a mão se nós precisarmos... É triste! Quantos casais, netos, filhos têm a ajudinha dos pais? Pois é... quantos de nós não abandonam o lar, o ninho dos paizinhos? Ao contrário do antigamente, já não é um bom emprego nem um bom casamento que nos dão estabilidade e segurança! Hoje em dia, é ter uns pais com bom coração e muita saúde... É que se eles nos faltam, lá ficamos sem chão, sem tecto, sem paredes... mas nós esperneamos e queremos viver sem eles, é o orgulho do bom filho, mas lá no fundo sabemos que temos é as costas quentes! Coitados de nós, eternamente dependentes.
Cada vez será mais difícil a liberdade, o voo... Somos uns enclausurados pela sociedade, pelas políticas, pela forma como permitimos e ajudamos a que decidam a nossa vida por nós! É uma evolução rastilho de dinamite, damos conta e já temos a bomba na mão. Passou o tempo em que vimos o rastilho a queimar, a aproximar... e agora estamos no tempo em a bomba está prestes a rebentar!
E depois não querem que andemos deprimidos... Se recebêssemos o mesmo que os meninos do parlamento, talvez nos ríssemos como eles fazem nas nossas barbas...
E alguns de nós ainda se levantam com um sorriso na cara, porque têm trabalho, porque gostam do que fazem, porque ao fim do mês tem o dinheiro que dá à conta para pagar as despesas, porque não precisam de pedir dinheiro emprestado, porque ainda sobra um bocadinho para ir beber um copo com os amigos... São uns felizardos caramba!!
Ainda me lembro de uma frase que a minha avó costumava dizer com um sorriso, com esperança no olhar; “quando tiveres dinheirinho para te governares...”. Eu acho que nós vamos dizer aos nossos netos “lá vai o teu dinheirinho para o governo...”
Cada vez nos temos que contentar com menos. A vida não nos deixa ser ambiciosos, ambição hoje em dia é não ficar desempregado... É tão triste isto, mas é verdade, e depois damo-nos conta de estarmos a ser explorados, enganados, tudo para ficar num emprego que é o nosso ganha pão... (pão só com manteiga!).
Dignidade é fazermos as nossas sandes de manteiga! Para mim mais vale a minha sandes que uma tosta de caviar, ou uma salada de trufas na Cimeira da Luta contra a Fome! Fiquei indignada, foi o auge do gozo aos desfavorecidos. Eu nem me sinto atingida porque não passo fome, mas coitados dos famintos, a sorte é que nem devem ter televisão para assistirem a estas notícias... Graças a Deus! (ainda bem que não tem televisão, há males que vêm por bem!)
Bem, é óbvio que preferia poder comer uma tosta com caviar, mas numa outra ocasião, talvez numa festa com grandes amigos, rodeada de marisco, numa casa com vista para o mar, com empregados a servirem, muito champanhe, com tudo e mais alguma coisa...

Cá fico na minha, sandes de manteiga tenho muitas para partilhar... As de caviar, vou tratar disso, depois convido-vos a irem lá a casa jantar, tragam um amigo porque há sempre comida para mais um!

Viva o Robin dos Bosques! Vai roubar outro, ò palhaço!

sexta-feira, julho 18, 2008

Sinto na carne e na alma a saudade.
Na alma, sinto como um pedaço que me falta, o incompleto, sinto-me desintegrar. Existe na alma um vazio que aumenta, porque nada posso partilhar contigo, não partilho um olhar, um sorriso, uma lágrima, um beijo, nem sequer um abraço.
Na carne, sinto o toque persistente da ausência, que vai crescendo sem o toque das tuas mãos, sem o toque dos teu lábios, sem o som das tuas palavras.
É a visualização perfeita do imperfeito, esta existência sem o contacto da tua pele.
O corpo transpira uma vontade de enroscar, de entrelaçar as pernas, de apertar-te contra o peito, só possível contigo.
Se queres saber, é assim que vivo os meus dias, sentindo a tua falta, vazia de nós, ansiando o teu regresso, e ao mesmo tempo angustiada por saber que vais chegar para depois partires...

segunda-feira, julho 07, 2008

Presença

Apareceste tão casualmentena minha vida...
Como uma nota musical
Solta no vento das canções.
Num olhar, num silêncio ansioso
Nasceste assim na minha vida.
Inesperado perfume de flor silvestre,
Tão casual, agradável e breve…
Já te conhecia dos meus sonhos,
Imagem de segredo, guardada, fechada
Minha ilusão, meu desejo.
Pressentia o teu perfume na sombra,
O teu respirar no escuro.
Tu existias em mim…
O teu olhar
Onde cintila uma gota pura de verdade,
Aconchego de alma perdida,
Esconderijo de coração partido.
Esse olhar guardei-o no meu peito.
Era invisível, flutuante, distante,
Impossível de encontrar.
Onde passei procurei os teus olhos.
Apareceste em mim,
De dentro para fora.
Não te encontrei ao passar,
Descobri-te dentro do peito.
Nesse momento não foste breve, não és,
Ficaste, como uma nota forte que entoa
Uma vibração de corda de viola
Que fica gravada na alma
No meu peito
Estás longamente, além de compassos e acordes,
além da música, da vibração.
Além dos cheiros, das paisagens eternas.
Ressoas cá dentro a cada minuto,
A cada segundo.
Ficas e permaneces dentro de mim.
AS

segunda-feira, junho 30, 2008

Velha? Eu não!

Quando nos damos conta, se tivermos tempo para isso, acabamos por reparar que afinal a pdi (puta da idade) nos começa a invadir o pensamento. Não queremos pensar que estamos a envelhecer! Nunca! Ainda ontem tinha 20 anos, resmas de gajos atrás de mim, ia para a praia mostrar o corpinho maravilhoso, tinha sonhos, um namoro sem responsabilidades, um príncipe num cavalo branco… ah, mas agora branco já tenho é cabelos! Não é que eu repare nisso, mas as pessoas que me rodeiam fazem questão de me dizer; “estás cheia de cabelos brancos!”. Não é que isso me irrite, até acho que nos dão um certo charme! Eu não estou a ficar velha, recuso-me a pensar nisso! O tempo é que passa por nós… Azarico!
E aqueles putos que vimos nascer que já estão a pedir para assinar fitas da faculdade, e os nossos primos mais novos que já se casaram e têm filhos, e os filhos dos nossos amigos que nasceram ontem, hoje já têm dentes e opinião!! Que merda é esta? O tempo afinal não parou? Será que estou mesmo a ficar velha? Será que já é despropositado ir a uma discoteca, ir beber um copo com os amigos, ir para a rua gritar pela selecção, dar um beijo apaixonado no meio da rua, viver novamente um grande amor… Será que fazemos aquelas figuras ridículas que condenávamos quando éramos novos? “olha a cota a beijar o velho…”. Lembro-me perfeitamente de quando a minha mãe fez 30 anos! Já tinha uma certa idade.. e quando fez os 40 anos, ui..? Aos 50 é que disse mesmo, já está a ficar velhinha coitada…
Será que ficamos fora de validade? “Consumir de preferência antes dos 40 anos!”, ou “prazo de concretização de sonhos até aos 30 anos!” Isto é terrível!!
Bem, acho o truque é arranjar amigos mais velhos, bem mais velhos!! Assim, seremos eternamente mais novos… a pdi para eles é que é lixada!! Coitados! Nós estamos na boa, ainda temos muito que viver para chegar à idade deles. Olha, o que nos espera… ainda tenho muito que envelhecer para chegar a esse ponto, eu sou uma jovem!!
Os cabelos brancos é só uma piada do tempo… ruga de expressão, enfim, é uma marca de nascença! As dores que temos na coluna não é nada mais nada menos que o nosso esforço diário… nós trabalhamos muito! Antes não fazíamos nada, era só boa vida… As costas e os ossos só nos doem porque nunca trabalhamos tanto, é natural!!
É, a velhice ninguém a quer… nem eu! Nem queiram… se a tiverem, olhem, vendam-na!
E fazer anos? Quando é o dia do nosso aniversário? Já tenho 30 e tal… quase 40?! Não importa, o que interessa é o espírito… (até aos trinta o pessoal anda bem, só queremos ser considerados adultos, maduros… a partir dos 40 já nos sentimos muito maduros, com um medo do caraças de apodrecer a qualquer momento)
Importa acreditar que tudo nos pode acontecer a qualquer momento… não há idade, nem prazo para sermos felizes. É isso que nos mantém jovens…
O que se perde pelo caminho do passado, ganha-se no caminho do futuro… então estamos a caminho de ganhar alguma coisa, certo… é nisso que acredito!
Os cabelos brancos, oh meu amigo… não se pode fazer nada! A minha avó tem muitos e é uma jovem!
O tempo passa como o pensamento… damos conta e já estamos a pensar nouta coisa. Que é como quem diz, damos conta e já não temos 20 anos! Temos uma vida construída… somos adultos! Somos os maiores!
A esperança são aquelas jovens de 40 que continuam a ter resmas de gajos atrás delas, que ainda tem corpinho para ir à praia, que ainda tem sonhos, que vivem um grande amor… e que… tem cabelos brancos pintados de castanho… (eheheh, não se pode ter tudo!).
Tenho a consciência livre e jovem porque penso que ainda temos muito que aprender, e em breve vamos ter muito para ensinar aos que vêm por aí… é o nosso alento, a nossa bengala…
A vida é uma escola… e na escola somos todos jovens! Recuso-me a ser a professora velha e resmungona que nos dava reguadas na palma da mão!

sexta-feira, junho 27, 2008

Textos Livres... Soltos... Sem Sentido... Sentidos

Não sou poeta, talvez seja um sonhador cobarde. Sim, atrevo-me a sonhar, mas os meus sonhos não passam de letras juntinhas umas às outras, palavras desmaiadas nesta folha que era branca. E aqui está o meu sonho, neste papel que vou guardar numa gaveta, numa pasta, no esquecimento.
Pela tua mão atrevi-me a escrever o sonho numa outra folha. Escrevo nesta folha já escrita, rasurada, amachucada, com frases ilegíveis, amarelada do tempo, rasgada nas pontas – escrevo nesta folha que se chama vida.
Agora, neste cantinho de folha ficamos nós, fica o nosso sonho, ficam os nossos sorrisos, ficam os nossos olhares, fica o nosso segredo, fica eternamente um pedaço da nossa vida que não será rasurado. Neste canto de folha, fica registado que vale a pena ser feliz, nem que seja por um momento.
Na vida ficamos nós, como a caneta na mão de um poeta.


Nesta mão fechada guardo as linhas de destino, de sina. Linhas que nada dizem a quem não sabe ler. Sou analfabeta, leiga, desinteressada no que está escrito nas estrelas, no céu, nas nuvens, nas borras de chá (ou será de café?)
Bem fico de olho aberto, e ninguém passa é certo. Se passou, passou que não o vi! Mas se está escrito na palma da mão com certeza passará, se não for hoje talvez seja amanhã…
Não, deixei de acreditar no destino. Na palma de mão! Vive-se é de mãos e punhos fechados, mangas arregaçadas, como quem vai à luta!! Por nosso desejo, por nossa vontade! Deixei de acreditar no destino, acredito em mim, no meu querer.
Continua a ler a palma da mão, continua. Ficarás analfabeto para a vida…


Isto que é senão letras coladinhas, enamoradas de si. Palavras soltas, sem sentido, sem arbítrio. Esta caneta preguiçosa não se levanta do papel. Escreve, risca, faz pontuação e dá sentido a tudo o que aqui vai. Aqui no coração, não na palma da mão. Na palma da mão tenho outras linhas, outras sinas. Nestas digo o que quero, quero-te a ti e a mim, quero ser feliz, quero respirar, quero querer, quero amar… quero sentir! Quero tornar eterno este querer de querer, quero não me esquecer do que quero.
Na palma desta mão fechada, está o destino que quiser escrever. E o meu ditado para hoje é simplesmente ser feliz…


Quem inventou a distância, certamente não sabia a dor que a saudade provoca. Não sabia que cada lágrima seria um suspiro atormentado pelo olhar que não se pode encontrar.
Não é a percorrer a distância que nos perdemos, não será por estes caminhos que o amor verdadeiro se perderá, mas sem dúvida ficará cansado de caminhar, de tentar alcançar.
Maior o amor, maior a ansiedade de encontrar o espelho dos nossos olhos, mais a vontade de partir, de ir, de fazer a loucura descontrolada para te encontrar. Irei ter contigo junto a um precipício, junto ao mar, numa praia, numa estrela, no caos, numa guerra… onde estiveres sei que irei ter contigo! É uma sede que não se mata, é uma vontade que não se farta, é uma saudade que aperta como os teus abraços mas na tua ausência…
Agradeço a quem inventou a saudade, é ela que vem marcar a tua presença na minha vida, e não permite esquecer-te.

quinta-feira, junho 26, 2008

VIAGEM

Metade de mim deixou de ser minha.
É culpa desta saudade
Que me leva e me traz.
Essa que me embala por mares gigantes,
Tormentas valentes, de ida e volta.
Sem cais, sem porto!
Talvez se perca o barco.
Neste mar de pensamentos
Que me arrancam de terra
E me levam para lá de mim,
Para lá de nós.
É uma viagem como tantas outras
Com ondas calmas que adormecem,
Com tempestades que atormentam.
É a viagem da saudade
No mar do amor,
No barco do pensamento,
No cais da verdade,
É levantar velas e zarpar.
É a saudade que me leva até ti,
Viagem debaixo de sol quente,
Debaixo de tempestade de trovões,
Apetece sempre levantar âncora
Só para te encontrar e ficar a dois.
Metade de mim é barco,
A outra é o cais onde atraco.
Mas eu gosto é de navegar por esse mar.
E quando atraco é só para descansar,
Limpar a proa, limpar o mastro,
Verificar velas…
Se neste intervalo de tempo me esquecer de ti,
Deixa-me ficar aqui sossegado.
Mas se tu te lembrares de mim.
Vem buscar-me e voltamos ao mar.

A.S