quinta-feira, janeiro 29, 2009

A CARNE É FRACA?


(Vamos enquadrar este meu devaneio numa situação em que existe um compromisso, com amor, entre duas pessoas).
Há situações que nos levam a dizer que a “carne é fraca…”. Não percebo porque se diz isso. Que culpa tem a carne das nossas fraquezas? Fracos somos nós, enfraquecemos quando não sabemos o que queremos, esta é a verdade. Porque quando se sabe o que se quer, não há carne, nem espírito, nem alma que nos impeçam de fazer o que está correcto.
Quanto a mim, esta expressão é vulgarmente usada como desculpa do pecado sexual, o que mais me admira é que é aceite como desculpa. Toda a gente compreende que a carne seja fraca. Quem num momento ou noutro não sentiu uma atracção pelo colega de emprego, pelo médico, pelo vizinho do lado, pelo pai da melhor amiga, pelo namorado da mãe, pelo amigo da irmã… Sei lá, aparecem na nossa vida tantas pessoas com “bom aspecto”… olhamos e comentamos “até se comia!” – carne!

Até aí, tudo bem… mas sentir isto quando se é comprometido já é mais complicado! Descompliquem! Então não temos todos o direito a sentir atracção? Temos! E é por termos um compromisso que essa parte de nós morre, deixa de reagir? Evidentemente que não, é natural, fisicamente e cientificamente provado que acontece a todos!! Quer admitam quer não! Obviamente que no fogo da paixão só sentimos atracção pela paixão, senão não era paixão! Mas quando a paixão se transforma em amor, e depois num amor mais maduro e assumido… A atracção alheia acontece!

Agora, dizer que a carne é fraca quando na verdade o que se passa é a nível emocional, isso é que não! Não me venham cá dizer que um envolvimento emocional por exemplo; o querer estar nos braços de outra pessoa, o querer olhar os seus olhos, partilhar um por de sol ou um momento de silêncio, o querer tocar levemente as suas mãos, o sentir o coração a palpitar durante um abraço, o sentir borboletas no estômago quando os olhares se cruzam, é carne!! Ora não me lixem!! Isso não é ter a carne fraca, isso é ter um compromisso fraco! A partir daqui obviamente que dizer a “carne é fraca” não serve como desculpa de nada! Uma coisa é carne, outra coisa é espírito! Porque a carne não se entrega, não se envolve, não se partilha, a carne come-se, enquanto se come dá prazer (ou não!) e depois levantamos da mesa e vamos embora. É como ir a um restaurante comer e voltar para casa, perguntar à mulher o que fez para o jantar, comer novamente, gostar, adormecer feliz com a última refeição e nem sequer pensar na refeição do restaurante!
Agora, espírito… não! O espírito envolve muita coisa, ui… ! O espírito é onde se guarda toda a nossa essência, o nosso ser, as nossas emoções, e o pior… as pessoas com quem estamos emocionalmente envolvidas. Ora, o espírito pressupõe uma entrega verdadeira e honesta do nosso eu! Quando o que se sente é isto, sim, preocupem-se!
Não há baralhação possível relativamente a estas duas situações, não há como baralhar!! Um leva-nos a fazer sexo, outro leva-nos a fazer amor, mesmo que não haja sexo! Portanto, traição por traição, mais vale que seja efectivamente porque a carne foi fraca, e não porque o espírito foi forte demais…
Obviamente que a entrega de espírito nos pode levar também a entregar corpo, mas isso é pormenor que deixa de ter importância. Quando o espírito for entregue, o corpo também já foi, portanto… “a carne é fraca” não desculpa nada de nada! Aliás, nestas situações compreendo que não há nada a desculpar mas a compreender, a aceitar, ou não! Nestas situações nem sequer há lugar para o ciúme, mas para a dor, a tristeza e a mágoa.
Digo convicta que somos nós que mandamos no nosso corpo, portanto podemos perfeitamente controlá-lo! No nosso espirito não... Trata-se de um poder e uma limitação do ser humano; controlar o corpo e não controlar o espirito, portanto surge-me uma pergunta; o que é que custa mais a perdoar afinal? Uma traição de corpo, ou uma traição de espirito?
A desculpa duma traição jamais será sincera?
ou
O amor é um sentimento que perdoa a culpa?

quarta-feira, janeiro 28, 2009

NADA DURA PARA SEMPRE

Durante um olhar perdido no tempo, especificamente no passado, facilmente concluímos que nada é eterno, nada dura para sempre. Talvez o amor de mãe, mas até este sentimento sofre mutações, o tempo e a vida ensinam a amar um filho de forma diferente, embora se ame para sempre. Mas aquele amar de mãe de poder proteger nos braços, do poder abraçar, do poder mimar… isso mais tarde ou mais cedo acaba. Os filhos começam a ver as mães com outros olhos, quebra-se a infatilidade, e tudo o que era um abraço eterno de ternura e amor entre mãe e filho, passa a ser um abraço com muitos outros significados, isto é, se ainda existirem abraços!. Digo que acaba, porque muda… E uma mudança é o prenúncio do fim de alguma coisa.


Pergunto-me se realmente as coisas têm que ser assim. Não têm, mas de facto são assim e contra isso nada podemos fazer. A única coisa que se pode fazer é aproveitar ao máximo o tempo de duração de cada um destes momentos que gostaríamos que fossem eternos. Saber aproveitar estes momentos é uma arte que poucos têm. Mas é uma arte que se aprende com a vida e com as pessoas que deixamos entrar nela. Tudo se aprende se tivermos disposição para tal.
Dou-me conta que talvez seja esta certeza inconsciente de que nada dura para sempre que nos permite dar valor àquilo que mais amamos. Ninguém quer perder o que ama, mas já se sabe que se vai perder, por isso valoriza-se, respeita-se e cuida-se. O que se afastar muito disto, por certo não será amor. (digo eu, que nada percebo deste sentimento!)
O vislumbre dum horizonte que diz “fim” assusta, mete medo. O desconhecido assombra, o perder algo que nos faz feliz angustia. E assim acabamos por forçar a existência de coisas que já terminaram, iludimos a alma com abraços de corpo, dizemos ver magia quando afinal vemos é o truque. Tentamos aumentar a distância entre nós e o horizonte, aumentamos a extensão de mar, pintamos o céu de várias cores, vemos vários por-de-sol… e ficamos assim até que a nossa presença nesta paisagem se extinga.


Bem, à partida parece um pensamento pessimista e sem esperança, mas não é! Reparem que não durando para sempre, até o que é mau acaba!


O meu ponto de vista é que não dura porque muda e uma mudança nem sempre significa uma alteração para pior. Tudo depende da forma como gerimos a vida e os sentimentos, tudo depende da nossa capacidade de adaptação a novas situações. Na realidade, tudo depende de nós e não daquilo que se extingue, seja um sentimento, um animal de estimação ou uma pessoa querida.


Grave é se nos extinguirmos ainda em vida, acontece a quem não sabe o que quer, a quem não luta pelo que quer, a quem depende da extinção do outro. Acontece a todos termos extinções momentâneas, apagamo-nos, ficamos desorientados… E nesses momentos de mudança encontramos sempre o princípio de alguma coisa, será um princípio surpreendente provocado por um fim que nos angustiou.

Portanto, o fim, a mudança e o principio regem o nosso ciclo de vida... e é esta a nossa montanha russa sem bilhete pago! Fazemos a viagem simplesmente porque estamos vivos... Ficamos sem ar, vomitamos, enjoamos, gritamos, rimos, suspiramos, aprendemos, e o mais importante de tudo... crescemos!


Aproveito para desejar a todos um excelente ano de 2009.


O ano que acabou pode ter sido muito mau ou bom, mas nada nos diz que este não seja melhor. De certeza que será diferente!


Hoje passei por aqui só para dizer isto…


Um abraço

quinta-feira, dezembro 18, 2008

O MEU NATAL


Quando era pequena, gostava do Natal. Talvez pelo mistério, pela surpresa, pela novidade. Era tudo diferente, era uma magia estranha de sorrisos, de festinhas na cabeça e olhares brilhantes! Isto era muito raro lá por casa, só acontecia naquela altura em que havia um pinheiro iluminado no canto da sala.
Percebia que era uma época diferente, mas não percebia bem porquê. Lembro-me de pensar que era porque nascia um menino qualquer, não sei onde. Acreditei algures na minha infância que esse menino era muito especial porque fazia sorrir as pessoas, punha nos seus corações qualquer coisa… Mas onde andava esse menino? Onde nascia? O que é que este menino tinha de especial que eu não tinha? Desiludi-me quando percebi que este menino nascia nas montras iluminadas, que afinal havia muitos meninos iguais, e todos cheios de frio porque estavam despidos coitadinhos! O que valia é que o “bafo do burrinho e da vaquinha aqueciam o menino”… era o que dizia a minha avó, e eu, acreditava!
Aquele menino que eu via nas montras, era igual ao bonequinho que a minha avó tinha no presépio… era simplesmente “o menino Jesus nas palhinhas deitado!”. Ora bolas! Tanta alegria por causa de um boneco, e ainda por cima havia montes deles!! Iguais!! Ele estava em todo o lado… e as pessoas paravam em frente às montras onde ele se exibia, apontavam e sorriam. Nunca lhe vi nada de especial, especial queria ser eu! Bom, mas esta sensação de ciúme impotente por aquele boneco aconteceu quando eu era mesmo muito criança, talvez ainda andasse ao colo. Lembro-me perfeitamente de estar ao colo do meu pai e começar a chorar de raiva por não perceber nada.
Depois cresci (para aí dois palmos), e já tinha percebido que aquele miúdo – o Jesus - ia nascer outra vez. O ambiente ia ficar novamente cheio de luzinhas e estrelinhas e mentirinhas… Era giro aquilo, as prendas no chão por baixo do pinheiro, as notas de escudos que iam aparecendo nos ramos da árvore de Natal, as luzinhas que piscavam, as pinhas (raras) de chocolate… mas as notas de escudos que penduravam no pinheiro é que me entusiasmava! E quando aparecia uma nota azul de 100 escudos??! Era a alegria, muito melhor que qualquer embrulho… Não sou materialista, mas gostava da cor do dinheiro… o verde das notas de vinte, o avermelhado das notas de cinquenta e o azul das notas de 100! Aquilo é que era o verdadeiro enfeite da árvore de natal! Às vezes comento isto com os meus amigos e ninguém tem esta ideia do seu natal, possivelmente foi uma brincadeira que o meu pai arranjou… lá deve ter percebido que eu achava piada aquilo! Sempre pensei que aquele dinheiro era para dar ao Pai Natal, porque no dia em que as prendas apareciam, o dinheiro desaparecia… Enfim, crianças, o quanto vos enganamos!! Vejo por mim… a ilusão em que nos obrigavam a viver, como éramos felizes na nossa ingenuidade de criança!

Continuando no devaneio destas recordações natalícias;
Depois eram as eternas questões para perceber o que raio levavam os reis “magros” ao menino Jesus. E porque é que um deles era preto?
“E levavam ouro, incenso e mirra”. Eu só percebia o porquê do ouro… as outras riquezas não as percebia! Quantas vezes eu pedia para me mostrarem incenso e mirra! Quanto ao rei “magro” preto não era preto, era de cor!!… e vinha de África! Era uma grande viagem… A mirra era uma “coisa muito valiosa naquela altura que não existe em Portugal” e pronto! Explicadissimo!
Estas falhas nas explicações é que me deixavam desconfiada, as crianças às tantas começam a raciocinar e a querer fazer ligações entre as várias informações que tem… algumas coisas iam deixando de fazer sentido…
E a cena de seguirem uma estrela… ui, que confusão! Mas a “estrela era mágica e ensinava o caminho ao reis magos”… e sei lá mais o quê… “Então e rei mago de cor, como é que foi lá ter?”, “a estrela foi a África buscá-lo e depois foi para Belém?”… “Coitado do rei de cor, o que ele não deve ter andado, e o que os outros não devem ter esperado por ele…” foi nestes pensamento infantis que me perdi, e que finalmente me apercebi que tudo isto era uma história para adormecer crianças! E eu detestava ser enganada! O Natal para mim, a partir de um certo momento da minha vida perdeu toda a magia, perdeu as luzinhas, a cor!
Os anos foram passando, agora, apercebo-me que esta época não passa de uma atmosfera de histerismo colectivo da glândula da alegria. Não passa de uma hipocrisia da sociedade. É um pretexto para sermos bonzinhos nesta época. É uma desculpa para sermos solidários com os pobres e com as crianças… É uma oportunidade para estarmos em família, é… diria, lamentável a forma como se vive o Natal.
De qualquer forma, respeito como cada pessoa vive o seu Natal. Eu também estou longe de ser perfeita! Na realidade, o que critico é o que faço! Mas ter esta consciência já me ajuda, já me desperta para uma mudança do meu comportamento.
Depois, penso que todos nós passamos pelas seguintes fases natalícias; acreditamos no Pai Natal, deixamos de acreditar, e finalmente somos o Pai Natal! Somos todos Pai Natal, reparem; andamos disfarçados, andamos com um peso às costas, damos presentes só a quem merece, volta e meia temos que descer por uma chaminé escura para chegar a algum lado… e andamos assim todo o ano.
No Natal, finalmente transformamo-nos em pessoas! Damos valor à família, ganhamos um pouco de consciência do mundo, mimamos as crianças, somos solidários, respeitamos e ajudamos os outros… enfim, temos coração!
A única coisa boa no Natal, a meu ver, é a alegria das crianças, aquele brilho nos olhos que eu também já tive… E se não existissem crianças?! Talvez o Natal se extinguisse, não sei, não fizesse sentido… Talvez o Natal, fosse Banal, como todos os outros dias do ano!
Mas, já que é Natal, e é nesta altura que decidimos ensacar as roupas que não usamos, os brinquedos desajustados às nossas crianças, comprar uns postais para ajudar a UNICEF, uns CD´s para ajudar os meninos escravos, o livro da Leopoldina… ah, e o saquinho com o arroz, massa e bolachas, para ajudar os mais desfavorecidos, vamos lá ser todos solidários! Mas atenção, só porque é Natal!!

As pessoas que passam frio e fome, as crianças que não sabem o que é ser criança, as mães destas crianças que impotentes não conseguem alimentar o seu filho, os países que estão em guerra… tudo isso, que é o mundo em que vivemos, afinal só existe no Natal… Aparecem, surpreendentemente não sei de onde. Talvez da consciência que na realidade todos temos.

Cada um vive o Natal à sua maneira, no meio disto tudo, eu quero acreditar que o Natal pode ser todos os dias!

Partilho algumas imagens da minha árvore e do meu presépio convosco... é aqui, durante esta construção que me encontro com a criança a quem já brilharam os olhos no Natal...

GOSTAR DE TI



É estranho o meu gostar de ti,
Gosto assim… aos montes!
Às pinguinhas miudinhas que molham tolos!
Mas molha!
É um gostar muito doce,
Quase amargo se lhe sentir bem o paladar.
Este gostar de ti,
É um céu de nuvens,
Nuvens, nuvens e mais nuvens!
Tantas nuvens brancas e lindas,
Cheias de formas! Espectaculares!
É um céu lindo!
Depois, chove!
Este gostar de ti
Entranha-se profundamente,
Cola! Como o selo no postal!
Que corre mundo, preso ao envelope!
É como andar de comboio ao contrário,
A paisagem em vez de se aproximar, afasta-se!
Gosto desta estranheza,
É diferente, surpresa!
É como andar numa montanha russa,
É subir devagar e descer a pique!
É andar, andar, e enjoar!
Depois descemos,
E voltamos para a fila,
Para dar mais umas voltas.
É estranho o meu gostar de ti,
É um desentendimento de mim.
Toma-se gosto por este gostar
Gosta-se tanto, muito e bastante,
Torna-se viciante!
Este meu gostar de ti é estranho,
Não é gostar,
É, enfim...

Amar!!

AS

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Peça de Natal

Pediram-me para ter uma ideia, como se me tivessem pedido para ir buscar um copo de água. As ideias não se têm à força, é uma coisa que acontece quando menos se espera. E aconteceu! Surgiu…
Adiante, o que me pediram para fazer, foi pensar numa possível festa de Natal para crianças do primeiro ciclo. Obviamente que quem mo pediu foi uma professora!! Parece que agora não tinha muito tempo… é por causa dos impressos, o modelo de avaliação, as reuniões, greves, manifestações, aquelas coisas que nós sabemos… A luta! Bom, eu quis dar o meu modesto contributo e escrevi esta peça, de forma a que todos os alunos pudessem intervir, evitando também perder muito tempo com ensaios… O texto pode ser lido enquanto as crianças representam livremente, portanto não será preciso ensaiar muito!

Publico aqui porque me disseram que era uma pena deixar este texto perdido na gaveta… Ora, sem qualquer tipo de exibicionismo, até porque tenho algumas limitações (sou engenheira, não sou mãe, nem tia, e as crianças são giras à distância) foi isto que saiu:

Atenção que esta peça está reservada aos direitos de autor! ;)



O NATAL DA JOANA

A cena desenrola-se entre o quarto da Joana e a sala. Joana dorme no quarto, desce até à sala onde encontra dois grandes sacos vermelhos. Tudo acontece à medida que Joana vai descobrindo o que está dentro dos sacos, que são, nada mais nada menos que os sacos do Pai Natal…
Lá dentro estão... os presentes!!


Numa noite de Natal,
Daquelas em que as crianças perdem o sono,
Estava Joana deitada
Na sua cama, no seu trono.
Ela era uma princesa
E tinha tudo o que queria,
Brinquedos e amigos,
Tinha paz e alegria.
Mas a Joana é uma menina diferente,
Não pensava só no seu umbigo,
Preocupava-se com as crianças mais pobres
E com o mundo que estava em perigo.
Então nesta noite,
E por saber que era Natal
Fechou os olhos com muita força
E pediu um desejo especial;
Que todas as crianças do mundo tivessem um sorriso,
E que os adultos fizessem do mundo um paraíso!
Subitamente (barulho dos sacos), Joana estremeceu na cama,
Levantou-se num sobressalto
E foi à sala de pijama.
Ficou surpreendida com que estava a ver
Eram os sacos do Pai Natal,
Não, não podia ser!
Curiosa, abriu um saco
Abriu o outro logo a seguir
Pareciam sacos vazios,
Mas viu alguma coisa a surgir.
Os sacos pareciam ganhar vida
Eram sacos encantados!
Lá dentro tinham meninos,
E pareciam trazer recados!
Joana estava assustada,
Parecia um sonho de encantar,
Com tantos meninos na sala
Os pais podiam acordar!
Mas era melhor não pensar nisso
Era uma noite diferente,
Hoje era Natal, e este o seu presente!
Que alegria se vivia,
Parecia o recreio da escola,
Uns brincava à apanhada,
Outros jogavam à bola…
As meninas saltavam à corda
E eles imitavam aviões,
Outros pareciam não fazer nada,
Eram só uns trapalhões...
Tinham todos um grande sorriso,
Estavam alegres e contentes,
Era uma noite encantada,
Mas onde estavam os presentes??!

Não havia embrulhos, nem laços, nem nada
Mas Joana não ficou decepcionada!
Correu atrás duns meninos
Que jogavam ao esconde-esconde,
Ela queria saber quem eram e vinham de onde?!

- Eu sou o Amor – mas as pessoas ignoram-me quando passo, venho do coração mas pensam que sou do espaço!
- Eu sou a Esperança – e as pessoas deixam-me morrer, não sabem que sou eu que as faço mover!
- Eu sou a Felicidade - e as pessoas pensam que não existo, deixam-me escapar por aquilo... e por isto!
- Eu sou a Coragem - sou como um elixir, dou força aos fracos que me quiseres possuir
- Eu sou a Paz - e estou a desaparecer, as pessoas não percebem, que com guerra não se pode vencer
- Eu, a Solidariedade – de mim só se lembram agora, venho do mundo inteiro mas toda a gente me ignora!
- Eu sou a Saúde – eu sou do melhor que há, para mim não há remédio, enquanto aqui estiver, tudo o resto será mistério!
- Eu sou a Liberdade – eu é que sou a maior, sem mim estás tramada, podes querer andar e ficarás sempre parada!
- Eu, o Respeito – eu venho da educação pessoal, mas também caí em desuso, às vezes tratam-me mal, é um autêntico abuso!
- Eu sou a Moral – venho da consciência e do coração, ajudo a distinguir o bem do mal, mas também estou em extinção!

Depois das apresentações,
E de tudo explicadinho,
Joana percebeu quem era cada menino.
Eram sentimentos importantes
E outras coisas que tais,
Eram para lembrar todos os dias
E não só nos Natais!
Joana chamou os meninos todos,
Com muito boa intenção,
Queria metê-los nos sacos,
E todos disseram que não!
Estes sentimentos estavam esquecidos
Naqueles sacos sem fundo,
Mas Joana tinha-os despertado
Agora queriam ficar neste Mundo!
Então decidiram em segredo,
Fazer uma magia, uma coisa diferente,
Sacudiram os sacos no ar
E ficaram no coração de toda a gente!


Depois deste bonito sonho,
Joana acordou com um sorriso,
Abraçou o pai e a mãe,
E sentiu-se no Paraíso!

- Feliz Natal Joana (professora)
- Feliz Natal a todos! (todos os meninos)

FIM

quarta-feira, dezembro 10, 2008

PINHEIRO DE NATAL

Neste Natal
Gostava de ter um pinheiro alto,
Ter um escadote que chegasse ao topo.
E ir pendurando, aqui e ali
,
Os enfeites que tenho nesta caixa.
Queria pendurar os meus desejos e os teus,
Os nomes de todos os que passaram por mim,
Aqueles que amei, os que maltratei, e até os que esqueci.
Gostava de pendurar num galho uma bola vermelha
Que simbolizasse o meu coração
,
Uma bola cintilante, transparente e inteira.
Quero que este pinheiro fique enfeitado
Com todos os erros cometidos
,
Com as alegrias e os sorrisos
,
Com as gargalhadas também
,
Quero pendurar as lágrimas
,
Ficariam no fim de cada ramo,
Como uns pendentes, brilhantes e reluzentes.
Seriam a lembrança de que chorei como uma criança
Mas que afinal também cresci.
Gostava que o amor que sinto no peito
Fosse uma fita dourada,
Que desse a volta ao pinheiro, muito bem enroscada.
Uma fita que pareça abraçá-lo eternamente.
Queria ter luzinhas de muitas cores,
Daquelas intermitentes,
Como as amizades que temos, que parecem inconstantes.
Gostava que este pinheiro fosse forte
,
Com a estabilidade dos nossos pais,
Que nos protegesse dos raios de sol e dos grandes temporais.
E nos seus ramos longos e vastos
,
Nascessem grandes folhas verdes, sacudidas pelo vento,
Que trouxessem as lembranças boas e más,
E que nos segredassem um novo alento.
Queria que este pinheiro brilhasse muito,
Que tivesse muita cor,
Que cintilasse de verdade,
Que fosse diferente de todos os outros.

Agora,
Desço do banco que não é escadote,
Olho para o pinheiro que é pequenino,
Olho para a caixa que não tem enfeites.
As luzinhas parecem fundidas,
Vão piscando preguiçosas aqui e ali.
O tronco, coitadinho, tão fininho
!
E a fita dourada, toda estragada
!
Ainda assim,
Ponho os poucos enfeites que tenho.
Agora, vou pendurar as lágrimas,
E a bola vermelha, cá está, ainda inteira
!
Ficou um pouco mais alegre agora
,
Apesar de não ser da melhor maneira.
Ao olhar para este triste pinheiro
Fico imóvel, a apreciar esta realidade.
O pinheiro que sonhei não existe na verdade.
Num último movimento,
Subo ao banco novamente,
Coloco no topo a esperança

Acreditando que para o ano será diferente.
A.S

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Vestidos de Corpo e Alma

Por vezes saímos à rua despidos. Ou vamos sem alma, ou vamos sem corpo…
Por vezes esquecemos o casaco, deixamos o cachecol, deixamos as luvas quando lá fora neva. Mas vamos andando, marcando as passadas no caminho, vamos em desalinho, esquecendo o frio, esquecendo o mundo, esquecendo tudo. Sabemos apenas que caminhamos porque os nossos passos marcados na neve nos perseguem.
Por vezes vamos para a rua, mórbidos de cansaço, doentes de angústia, sem saber para onde ir, e por onde ir. Mas caminhamos, continuamos a marcar as nossas passadas.
Por vezes, olhamos para trás e as passadas desapareceram no tempo, não sabemos de onde viemos, não sabemos como aparecemos aqui, não sabemos quem somos.
Somos corpos despidos, por vezes de alma, por vezes de corpo.
Escolhemos a roupa que nos fica melhor para este dia ou aquele. Se hoje a alma me aperta não a visto. E quando é o corpo que nos fica largo, também não! Não vestimos o que não nos serve, o que nos fica mal, o que nos desfavorece…
Vestimos e despimos, e neste vestiário, olhamos o espelho e não percebemos que nesta troca de roupa perdemos os melhores momentos.
Se este dia estiver destinado para enlaçar a minha alma à tua, quero ter a alma vestida, se estiver destinado a abraçar o teu corpo, quero ter o corpo vestido… porquê arriscar a ter a roupa errada na hora certa? O destino nunca se sabe, por isso para quê arriscar andando meio despidos?
Por vezes, saímos de casa à pressa e vamos pela rua fora distraídos, completamente vestidos! É nesses dias que vale a pena sair à rua… mesmo que a roupa nos pese!
Nestes dias estamos presentes de “corpo e alma”, nestes dias estamos visíveis para tudo e para todos.

Nestes dias realmente existimos!

terça-feira, novembro 04, 2008

O AMOR É LOUCO

O Amor é Louco!
É Louco varrido!
Não é sério,
Faz-se de tonto,
E por vezes é torcido!
Deita-nos a porta a abaixo ao pontapé,
Abanca na nossa casa
Quem pensa ele que é?!
Remexe nas nossas coisas,
Vira tudo de pernas para o ar,
Depois sorri descarado,
E diz que vai ficar!
Finge-se de cego quando não quer ver,
Fica calado quando quer falar,
Alguém entenda este sentimento,
Parece que nos está a gozar!
Perde-se no tempo,
Raramente sai à rua!
Por vezes olha para o sol
E diz que é a lua!
Fica pensativo, sem razão aparente,
Indeciso se fica aqui,
Ou se deve seguir em frente!
Desorientado, perdido,
Encaneca-se no café,
Fica bêbado, cambaleando
Mas sabe sempre quem é!
Se o amor não fosse louco,
Se fosse muito atinadinho ,
Talvez andar apaixonado
Não tivesse este gostinho!
Gostinho a quê?!
Ou a amargo, ou a doce!
Até no paladar,
Não sabemos o que nos trouxe!
É uma constante descoberta
Viver com este sentimento
É sentir um pouco de vida,
É viver com novo alento.
Ah, e se ao passarem por aqui,
O quiserem conhecer,
Não vale a pena perderem tempo,
Que ele sabe onde ir ter...
Temos que estar atentos
À sua passgem discreta,
Que se pode ir embora
Se a porta não estiver aberta.
Abram portas e janelas,
Abram olhos e corações,
Abram a alma ao mundo
Vivamos enfim, de ilusões!

AS

sexta-feira, outubro 24, 2008

Seremos PÓ

Já fui carne,
Agora sou pedra!
Pedra que tu partiste e transformaste em poeira!
Ainda me pegaste carinhoso, arrependido
Nessas mãos delicadas.
Mas sopraste-me para o ar,
Por cima da montanha,
Por cima do rio...
E fiquei por aí, solta, perdida,
Desfragmentada!
Um dia quando tiveres sede,
E te debruçares sobre o leito para beber,
Junta as tuas mãos de pedra,
E sorve a água onde me deixaste,
Respira o ar onde me sopraste
E voltarei a viver!
Nesse dia, voltarei a fazer parte de ti!
Nesse dia seremos os dois pó,
Nesse dia, amor, seremos um só!


AS

segunda-feira, outubro 20, 2008

Na tentativa de ter piada...

Pediram-me para a escrever coisas com piada, alegres! Mas este blog é o estado da minha alma, transparência cristalina do que sinto... Que me desculpem por ter dias maus!
Mas podemos fingir que estamos bem, é um facto! Podemos fingir isso muito bem, eu sei, porque o faço. Eu sei, porque o faço muito bem! Tão bem, que às vezes acredito nesta minha falsidade altruísta, para que tu não chores comigo.
É esta a minha alma, rir quando o coração nos chora e gargalhar quando o coração nos sorri... Chorar, isso é que não! Eu sorrio, e dou gargalhadas, evito a lágrima.
Choremos sozinhos, escondidos na nossa armadura de carne, entre os nossos músculos contraídos de desespero e as entranhas pútridas de saudade. Chapinhemos nas pocinhas de água salgada que encontramos aqui e além, apanhemos todos os espinhos e cardos que encontrarmos neste músculo tísico mal amado! Ah, vivans, vivamos na harmonia triste deste corpo que quebrado, desmantelado, se ergue firme, renovado, com um sorriso lindo e enojado. Ah vivans, vamos fingir e acreditar na nossa mentira... finjamos e vivamos! E sejamos felizes!
Choro apenas na presença dos que me conhecem melhor que ninguém, em frente àqueles que fazem parte da minha carne, em frente aqueles que mesmo que nos olhem nos olhos e não nos vejam lágrimas, sabem que choramos!! Não preciso verter lágrimas sequer para perceberes o meu sorriso. Eu sou assim, é do sorriso à gargalhada (bem sabes!), é assim que a vida me corre, é assim que lhe fujo, é assim que te rapto e te levo comigo porque te faço sorrir mesmo estando eu perdida e angustiada... É assim que me escondo e só sou descoberta por quem quero, por quem me encontra!
É assim que vos minto, é assim que vos engano! Por exemplo, este texto não é realmente o estado da minha alma. A transparência cristalina está nos olhos de quem me conhece.

Resumindo;
Só estou a experimentar uma nova forma de escrever, estilos diferentes... Só isso! Gostaste?! Mórbido outra vez?! Poças, queres que escreva sobre quê?!
Sobre a Bela e o Burro?!
Então seja; eis que a Bela com medo de ficar velha, atirou-se da janela e caiu em cima do burro! E... Podiam ter saído a cavalgar por ali fora e serem felizes... Mas o mais provável teria sido outra coisa! Não a vou escrever, mas bem sabes que ficaram estatelados no chão! ;)
Vamos mentir?! Vamos enganar? VAMOS!
A Bela caiu no chão, mesmo em cima do fardo da palha que alimentava o Burro, saindo ilesa de tamanha queda! O Burro que estava sossegado, surpreendido com aquele barulho, virou-se para a Bela com ar de poucos amigos e disse:
- Vens tarde e ainda por cima cais em cima da palha, bem que podias ter caido no balde da água!
- No balde da água!? Ia ficar toda molhada, 'tás parvo?!
- 'Tá caladinha e monta aí se queres!
A Bela montou o Burro e foram estrada fora em direcção ao pôr-de-sol vermelho, que os fundiu num ponto negro longínquo. FIM
Ah, e... Foram felizes para sempre!