quinta-feira, fevereiro 19, 2009

QUERER vs GOSTAR

Ora aqui estão duas palavras que nunca tinha pensado que me levassem a questionar o seu sentido ou significado. Ontem estava a ouvir uma coisa qualquer na televisão (suspeito que fosse uma das novelas) e ouvi dizer; “tenho que ir, que não gosto de chegar atrasado…” mas o rapaz nunca mais se ia embora, e eu pensei; “não gostas, mas se continuas aí vais chegar atrasado! Se não quisesses chegar atrasado já te tinhas posto a andar!”.
É que não gostar é uma coisa, o não querer é outra! Eu também não gosto de chegar atrasada, mas às vezes… Agora, quando não quero… chego mesmo a horas! (é um exemplo fatela, mas é na linha de pensamento da situação da novela)
E eis que o meu pensamento foi andando, andando… e conclui mais ou menos isto que vou tentar transmitir.


O gostar é superficial, tão superficial que deixamos andar conforme o vento, ou a corrente. É um querer que deixamos que dependa de factores externos. É um querer que não nos obriga a grandes esforços, não nos faz lutar, é quase indiferente… É um querer sem acção, fica por ali.


O querer é diferente porque depende de nós, da nossa acção. Se queremos alguma coisa, acabamos por lutar por ela, e só o facto de termos que lutar por ela já torna esse querer dinâmico, já lhe dá vida, já lhe dá corpo e as coisas acontecem!


Conclui, que querer é mais que o gostar... Ou pelo menos tem um peso diferente. Talvez haja uma tendência de probabilidades de acontecimento...


Senão, reparem nas seguintes frases que usamos vulgarmente no nosso quotidiano;


“gosto de ti” ou “quero-te”
“gostava de mudar de emprego” ou “quero mudar de emprego”
“gosto de gelado de morango” ou “quero gelado de morango”
“não gosto dessa comida” ou “não quero essa comida”
“gosto de estar contigo” ou “quero estar contigo”


Reparei agora (ao escrever) que tentar usar o mesmo tempo verbal para ambas as palavras, é complicado. Para empregar o verbo gostar usa-se muito o pretérito imperfeito (gostava), que esconde aquela palavrinha “se”… isto por si só já diz muito.


Em suma, para conseguirmos as coisas temos que mudar a nossa forma de pensar, temos que substituir o gostar pelo querer. Até porque conseguir o que se quer é que nos dá mérito. Conseguir o que se gosta, pode dar mérito a outro.


E com esta me vou, obrigada por lerem os meus devaneios…

terça-feira, fevereiro 17, 2009

À JANELA

Quando amamos parece que o mundo fica diferente. Parece que nada se sente à nossa volta a não ser esse amor. Deixamos de pensar nas coisas, olhamos simplesmente para elas.
Nestas alturas, parece que descobrimos uma janela dentro de nós, uma janela por onde passamos todos os dias e raramente paramos para ver a paisagem. Pode dizer-se que é a janela do coração, uma janela que fica ao lado de um relógio de parece que nunca está certo, ou é cedo ou é tarde...

Estes dias tenho passado os serões a esta janela, tenho olhado para a paisagem e observado que muita coisa mudou, a paisagem, as pessoas que passam, os barulhos, os cheiros... a luz do sol, o brilho da lua. Está tudo diferente, ou só comecei a reparar agora nisso. E fico muito tempo ali, a saborear, a usufruir da natureza que vejo nesta janela que é a minha. Depois, abro os braços, ou baixo a cabeça, suspiro de esperança ou de cansaço.

Quando fecho a janela, embora muitas dúvidas me toquem no ombro, a certeza do que quero já me dá alguma segurança. Isto porque me parece que o querer já é meio caminho andado para acontecer. O não querer, já é meio caminho para nada.

E aqui estou eu, uma vez mais à janela.

Olho uma última vez para a paisagem e lá está o meu trilho, o do meu querer, aquele que me levará a algum lado.

Há pessoas nos levam a esta janela, nos mostram um caminho que conseguimos ver. O que tenho visto é um caminho sinuoso, parece ir dar a uma montanha linda, parece ser difícil lá chegar. Este caminho não é um qualquer, existe. Mesmo que não vá por ali, este jamais será apagado da memória do meu coração.


Já andei por caminhos fáceis que não me levaram a lado nenhum.


Vou recolher-me que hoje está muito frio aí fora…




terça-feira, fevereiro 10, 2009

Uma Flor


Ali nasceu uma flor.
Era uma semente pequenina,
Trazida ao pontapé pelo vento.
Bem se via que não era deste prado.
Não era malmequer, nem papoila,
Não era lírio, nem narciso…
Era uma flor sem nome, sem cheiro!
Não era nada de especial,
Nem bonita, nem feia.
Era só diferente de todas as outras.
Quando eu ia à janela ao acaso
Lá estava ela, simplesmente presente!
Na sua simplicidade dava nas vistas.
Sem querer entrava-me pelos olhos dentro,
Irrompia luminosa do meu pensamento!
Quando me lembrava dela, sorria.
Um dia decidi que a queria junto a mim,
Então desci para a colher.
Com um sorriso de anjo, peguei nela gentilmente.
E senti-a a sorrir para mim!
Nesse dia, senti o seu cheiro, toquei a sua beleza.
Nesse dia,
Matei-a.
Nesse dia,
O prado perdeu a cor e o cheiro.
Nesse dia,
Mais valia não ter amado tanto!


AS

terça-feira, fevereiro 03, 2009

SEREI

Já fui palhaço no circo,
Fui mendigo na fila da sopa dos pobres.
Fui actriz no palco de teatro,
Fui estrela de cinema!
Fui pobre em África!
Fui militar na guerra,
Sem dar por isso fui rica na Pérsia!
Fui bombeiro no meio do fogo,
Salvei náufragos quando era marinheiro!

Já fui de tudo um pouco,
Fui tudo e nada!
Fui o que tinha que ser.
Fiz o meu papel – o mais óbvio.

Olhando para trás,
Gostaria de ter sido o trapezista,
Que se equilibra lá no topo, que arrisca!
Gostava de ter sido solidária,
Em vez de comer a sopa, dá-la!

No centro das atenções da vida de actriz,
Podia ao menos ter sido melhor aprendiz,
Mas não, eu era a estrela que me ofuscou!
Na guerra, gostava de ter sido a bandeira branca.
E quando passei por África preferia ter sido
A cura das maleitas!
Na Pérsia, não precisava ter sido rica,

Podia ter sido um simples tapete!
(Voador de preferência).

No meio do fogo, fui árvore ardida, morta, ressequida,
Mas digo que fui bombeiro…
Morri afogada e digo que fui marinheiro!

Eu fui quem não me salvou!
Morri várias vezes nos meus próprios braços!

Da última vez que morri,
Apareci aqui, viva.

AS

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

A TENDA

Certo dia, daqueles que não se contam mas não se esquecem, um simples momento fez-me perceber como as pessoas vivem os momentos, como somos diferentes no entendimento das coisas.
Éramos um grupo de poucos, mas suficientes para nos sentirmos como grupo. Todos os anos íamos acampar para o Alentejo durante as férias, éramos sempre os mesmos. Era como um ritual estival, que se repetia na organização das coisas; as tendas, os saco cama, os carros que iam, a marcação do parque, a comida, os tachos… era tudo combinado ao pormenor para nada falhar. Ao longo dos anos fomos melhorando esta tarefa, tornando-se tudo mais simples, prático e eficaz! Ainda me lembro das primeiras férias, a quantidade de coisas que levámos que não fizeram falta para nada, e as coisas que não levamos que nos fizeram tanta falta! Era tudo diferente do que planeávamos. A comida que não comemos, os jogos que não jogámos, as sestas que não dormimos, os mergulhos matinais que não fizemos porque preferimos dormir. Era conforme o que nos apetecesse! Apesar de estarmos em grupo, sempre respeitámos a individualidade do outro, portanto cada um fazia o que lhe apetecia! Às vezes lá nos apetecia fazer a mesma coisa…

O Alentejo é caracterizado pelas suas noites quentes e calmas. Mas este Alentejo que vos falo, era caracterizado por noites muuuito quentes e demasiado calmas. Ali não se passava praticamente nada, era um santo lugar para descansar! Tínhamos uma vista privilegiada sobre o mar… Estávamos num lugar chamado Porto Covo, lugar magnifico, muito pacato… Para nós aquilo era o fim do mundo, mas um fim do mundo agradável. Ali, praticamente só havia uma rua, fazia a ligação do parque de campismo ao mar… Era a rua das lojas, dos restaurantes, dos artistas nocturnos, das esplanadas, de tudo… era “a” rua! Para nós, a única rua!
Mas nós lá íamos ver o que se passava… a actividade nocturna era a loucura!! O que mais marcava a paisagem era o mar e as caravanas, que na altura ainda se podiam estacionar junto aos precipícios. Claro está, que neste local os cafés e restaurantes fechavam quando a lua ainda mal se tinha visto, havia apenas um barzinho, cujo nome não me recordo, que albergava a juventude, mas às vezes preferíamos ir para as nossas tendas conversar. O ambiente do parque de campismo era envolvente, era propício a grandes conversas, facilmente trocávamos uma noite no bar barulhento por uma noite de conversas nas nossas tendas.

Tínhamos que inventar coisas para fazer durante a noite, e o que inventávamos!! Algumas são incontáveis, outra vale a pena partilhar. Hoje lembrei-me de partilhar uma destas noite com vocês.
Nesta noite, tínhamos ido ao café local, onde já nos conheciam por sermos um grupo bem disposto. Jogávamos snooker a pares, fazíamos equipas com outros campistas que não conhecíamos de lado nenhum. Bebíamos o famoso “Licor Beirão” muito antes de aparecer nos anúncios de televisão!

Depois de nos distrairmos com o jogo, e de termos gasto os trocos todos destinados a essa noite, regressamos às tendas. Habitualmente quando íamos para o parque montávamos a nossa mesa, jogávamos às cartas ou aos dados de poker. Tínhamos conversas interessantes, filosóficas demais para a nossa idade. Às vezes, o Vasco lá ia buscar a viola e nós tentávamos acompanhar, mas o reportório já se tornava repetitivo e desistíamos. Nesta noite jogámos, falámos, tocámos e cantámos, até que ouvimos a vizinha da tenda do lado “podiam cantar mais baixinho, não é que cantem mal, mas fazem muito barulho” – ora para cantar baixinho o mesmo reportório do costume, ainda por cima estávamos a incomodar... metemos a viola no saco e decidimos ir dormir!

Desmontamos a mesa e fomos para as tendas, claro que não era para dormir, ainda tínhamos que traçar os planos para o dia seguinte! Planos estes que nunca eram cumpridos, mas ao menos ficava registado o que cada um gostaria de fazer. O que o Vasco gostava de fazer era ir a pesca de manhã, mas gostava muito mais de dormir, por isso raramente ia a pesca! Eu, tal como o Vasco gostava era de dormir! Neste grupo não havia ninguém madrugador, mas se alguém se levantasse para fazer alguma coisa, os outros também se iam levantando, embora o que se levantava primeiro, já se levantava tarde! Na realidade, o que nos obrigava a levantar era mesmo o calor que se fazia sentir dentro das tendas… Às tantas era insuportável, mas chegávamos ao cúmulo de sair só quando já estávamos a transpirar! Éramos loucos, mas na altura ainda tínhamos tempo para gastar a dormir!

Nesta noite, não chegamos a combinar nada. Arrumámos a mesa e fomos para as tendas. Na minha tenda dormíamos três pessoas, na outra dormiam os pombinhos… éramos portanto cinco! Nessa noite, os pombinhos foram dormir, era o que eles diziam, mas nós bem os ouvíamos a sonhar alto!
Lembro-me de ter ficado a arrumar as coisas, as bolachas, o café, o açúcar, tudo! Porque as formigas e o sol matinal destruíam tudo, nada podia ficar entregue à natureza. Enquanto eu arrumava, os pombinhos desapareceram, ficaram por ali o Manel e a Marta que dormiam comigo. Eles foram andando para a tenda… Eu fui a última a entrar na tenda, quando entrei, eles, estranhamente estavam deitados com os olhos abertos e num silêncio profundo, um silêncio que me incomodou porque aquilo não era habitual… Normalmente ficávamos sentados a partilhar um pacote de batatas fritas, ou a comer daquelas porcarias que davam pelo nome de marchemelos, que assávamos na ponta do isqueiro! Esta noite não, esta noite deitámo-nos em silêncio! Em silêncio…

Sabíamos uns dos outros que não dormíamos, nenhum de nós estava a dormir, eu sabia porque sentia os olhos deles abertos. E esta percepção dos olhos abertos no silêncio estava a mexer comigo, estava a mexer com todos! Nenhum se atreveu a quebrar o silêncio… Este silêncio demorou algum tempo, o tempo necessário para começar a ficar confortável e para nos perdermos em pensamentos. Parecia que comunicávamos sem palavras, mantivemos um diálogo aberto sem saber o que outro dizia, estávamos na realidade a fazer um monólogo na esperança que aquela cabeça tão encostada à nossa ouvisse o nosso pensamento.

Sufocadamente saiu um suspiro da boca do Manel. A Marta não reagiu, eu também não. Continuámos imóveis… Dei por mim a reparar que nesta noite conseguia ver as estrelas através da tenta! Como é que eu nunca tinha reparado no céu?! A nossa tenda era uma canadiana, beije com uma cobertura castanha escura. Pouca luz passava, só a daquele candeeiro irritante que se ligava automaticamente sempre que passava alguém, ou às vezes, ninguém.
Perdi-me no meu pensamento, perdi-me deles quando me fixei no infinito do céu estrelado! Que magnífico! Era um céu ímpar, muito parecido com o meu céu encantado que só conseguia ver na minha aldeia, em Trás-os-Montes. Que espectáculo! Havia tantas, tantas estrelinhas, pequeninas e brilhantes, via-se nitidamente a estrela polar. Tentei descobrir as constelações, e algumas ali estavam, pareciam que iam cair e invadir o vazio da nossa tenda. Expectante, aguardava o aparecimento de uma estrela cadente para pedir um desejo, que desejo pediria se aparecesse? Dei por mim a viajar neste mar de céu e a gozar o momento, com a certeza de estar a partilhar com aquelas duas pessoas a mesma coisa - o céu do Alentejo! Só ouvíamos o bater dos nossos corações, o pestanejar dos olhos e as respirações. Subitamente o silêncio foi quebrado! O Manel falou entre dentes… “que cena!” foi o que ele disse.

Decidi quebrar o silêncio e perguntei à Marta em que é que ela estava a pensar;
- Sei lá, já pensei em tanta coisa! Mas agora estava a pensar no céu, no infinito, em como somos pequeninos! Não somos nada! Pensei em Deus, será que existe e nos está a ver aqui feitos parvos?! Pensei que amanhã estará bom tempo porque o céu está estrelado e que podemos ir à pesca! Pensei que ainda deve ser cedo porque a estrela polar ainda se vê aqui tão perto! Será que o nosso destino está mesmo escrito nas estrelas? Como é que isso é possível?! Estava a curtir este silêncio e a sentir que somos especiais, somos pessoas iluminadas como as estrelas… oh, sei lá, estava a pensar palermices! – disse a Marta com o seu tom de voz calmo e sereno.

Eu estava a pensar mais ou menos a mesma coisa, estava a curtir o céu! Na realidade, tal como a Marta, eu estava a pensar palermices! Finalmente, ainda deitadas, eu e a Marta deixamos cair as cabeças para o lado para encontrar o olhar uma da outra e sorrimos com uma ternura incrível porque nos entendemos num momento. Depois certamente tivemos o mesmo pensamento ao mesmo tempo; em que estaria a pensar o Manel?!

- E tu Manel, em que pensas? – perguntou a Marta virando a cara para o outro lado.
- Eu… nem sei se estou a pensar. Eu estou simplesmente perplexo com vocês! Vocês são incríveis, não existem!! Como é que é possível?!

Eu fiquei surpresa com esta resposta porque não percebi, a Marta voltou a olhar para mim com aquele ar habitual do “o que é que se passa com ele agora?! Passou-se!”. Portanto, o Manel estava noutra, eu e a Marta estávamos na mesma sintonia! Fomos novamente interrompidas pelas palavras agressivamente calmas do Manel. Parecia indignado, pasmo - e estava!

- Vocês só podem estar a gozar comigo! Estão para aí feitas parvas a olhar para o céu… e as estrelas e as estrelinhas… que somos pequeninos… que Deus isto e aquilo… Eu estive a pensar em quem é que nos terá feito isto à tenda!

“ISTO o quê?!” Perguntei a mim mesma, sobressaltada!

De repente, saí do meu transe e cai na realidade!! De facto, o Manel tinha razão… a tenda estava completamente destruída! Comecei a reparar naqueles farrapos castanhos pendurados, pareciam estalactites de tecido! Eram rasgões enormes! Autênticos buracos no tecto, que nessa noite nos deram acesso a uma imagem completa do céu!

Eu e Marta curtimos o céu sem nos apercebermos do que tinha acontecido à tenda! Senti-me enganada na minha própria estupidez e distracção. O Manel deve ter ficado pasmado com o nosso alheamento! Como eu o compreendi!
Como foi possível que um pedaço de céu deslumbrante nos distraísse de uma realidade que estava mesmo em frente aos nossos olhos?!
Esta noite marcou-me para sempre, marcou-nos aos três. Aprendemos, porque todos erramos nessa noite; o Manel só viu a tenda destruída e por isso não apreciou o céu, eu e a Marta só reparamos no céu, mas foi tão cegamente que nem nos apercebemos do estado da tenda!

Nessa mesma noite, dormimos ao relento. Os três juntos, cada um a pensar sabe-se lá em quê.

Foi o último verão que passamos juntos. Foi o último momento em que aprendemos alguma coisa juntos. Foi "o" momento em que aprendemos, com uma coisa tão simples, a compreender a vida.
Aprendemos que se devemos viver os sonhos, não esquecendo que existe a realidade...

Hoje, o Manel é um homem demasiado céptico, a Marta é uma sonhadora problemática… eu, não sei o que sou.

(qualquer semelhança com a realidade é coincidência... apenas alguns pormenores são reais, tudo o resto foi sonho)

AS

quinta-feira, janeiro 29, 2009

A CARNE É FRACA?


(Vamos enquadrar este meu devaneio numa situação em que existe um compromisso, com amor, entre duas pessoas).
Há situações que nos levam a dizer que a “carne é fraca…”. Não percebo porque se diz isso. Que culpa tem a carne das nossas fraquezas? Fracos somos nós, enfraquecemos quando não sabemos o que queremos, esta é a verdade. Porque quando se sabe o que se quer, não há carne, nem espírito, nem alma que nos impeçam de fazer o que está correcto.
Quanto a mim, esta expressão é vulgarmente usada como desculpa do pecado sexual, o que mais me admira é que é aceite como desculpa. Toda a gente compreende que a carne seja fraca. Quem num momento ou noutro não sentiu uma atracção pelo colega de emprego, pelo médico, pelo vizinho do lado, pelo pai da melhor amiga, pelo namorado da mãe, pelo amigo da irmã… Sei lá, aparecem na nossa vida tantas pessoas com “bom aspecto”… olhamos e comentamos “até se comia!” – carne!

Até aí, tudo bem… mas sentir isto quando se é comprometido já é mais complicado! Descompliquem! Então não temos todos o direito a sentir atracção? Temos! E é por termos um compromisso que essa parte de nós morre, deixa de reagir? Evidentemente que não, é natural, fisicamente e cientificamente provado que acontece a todos!! Quer admitam quer não! Obviamente que no fogo da paixão só sentimos atracção pela paixão, senão não era paixão! Mas quando a paixão se transforma em amor, e depois num amor mais maduro e assumido… A atracção alheia acontece!

Agora, dizer que a carne é fraca quando na verdade o que se passa é a nível emocional, isso é que não! Não me venham cá dizer que um envolvimento emocional por exemplo; o querer estar nos braços de outra pessoa, o querer olhar os seus olhos, partilhar um por de sol ou um momento de silêncio, o querer tocar levemente as suas mãos, o sentir o coração a palpitar durante um abraço, o sentir borboletas no estômago quando os olhares se cruzam, é carne!! Ora não me lixem!! Isso não é ter a carne fraca, isso é ter um compromisso fraco! A partir daqui obviamente que dizer a “carne é fraca” não serve como desculpa de nada! Uma coisa é carne, outra coisa é espírito! Porque a carne não se entrega, não se envolve, não se partilha, a carne come-se, enquanto se come dá prazer (ou não!) e depois levantamos da mesa e vamos embora. É como ir a um restaurante comer e voltar para casa, perguntar à mulher o que fez para o jantar, comer novamente, gostar, adormecer feliz com a última refeição e nem sequer pensar na refeição do restaurante!
Agora, espírito… não! O espírito envolve muita coisa, ui… ! O espírito é onde se guarda toda a nossa essência, o nosso ser, as nossas emoções, e o pior… as pessoas com quem estamos emocionalmente envolvidas. Ora, o espírito pressupõe uma entrega verdadeira e honesta do nosso eu! Quando o que se sente é isto, sim, preocupem-se!
Não há baralhação possível relativamente a estas duas situações, não há como baralhar!! Um leva-nos a fazer sexo, outro leva-nos a fazer amor, mesmo que não haja sexo! Portanto, traição por traição, mais vale que seja efectivamente porque a carne foi fraca, e não porque o espírito foi forte demais…
Obviamente que a entrega de espírito nos pode levar também a entregar corpo, mas isso é pormenor que deixa de ter importância. Quando o espírito for entregue, o corpo também já foi, portanto… “a carne é fraca” não desculpa nada de nada! Aliás, nestas situações compreendo que não há nada a desculpar mas a compreender, a aceitar, ou não! Nestas situações nem sequer há lugar para o ciúme, mas para a dor, a tristeza e a mágoa.
Digo convicta que somos nós que mandamos no nosso corpo, portanto podemos perfeitamente controlá-lo! No nosso espirito não... Trata-se de um poder e uma limitação do ser humano; controlar o corpo e não controlar o espirito, portanto surge-me uma pergunta; o que é que custa mais a perdoar afinal? Uma traição de corpo, ou uma traição de espirito?
A desculpa duma traição jamais será sincera?
ou
O amor é um sentimento que perdoa a culpa?

quarta-feira, janeiro 28, 2009

NADA DURA PARA SEMPRE

Durante um olhar perdido no tempo, especificamente no passado, facilmente concluímos que nada é eterno, nada dura para sempre. Talvez o amor de mãe, mas até este sentimento sofre mutações, o tempo e a vida ensinam a amar um filho de forma diferente, embora se ame para sempre. Mas aquele amar de mãe de poder proteger nos braços, do poder abraçar, do poder mimar… isso mais tarde ou mais cedo acaba. Os filhos começam a ver as mães com outros olhos, quebra-se a infatilidade, e tudo o que era um abraço eterno de ternura e amor entre mãe e filho, passa a ser um abraço com muitos outros significados, isto é, se ainda existirem abraços!. Digo que acaba, porque muda… E uma mudança é o prenúncio do fim de alguma coisa.


Pergunto-me se realmente as coisas têm que ser assim. Não têm, mas de facto são assim e contra isso nada podemos fazer. A única coisa que se pode fazer é aproveitar ao máximo o tempo de duração de cada um destes momentos que gostaríamos que fossem eternos. Saber aproveitar estes momentos é uma arte que poucos têm. Mas é uma arte que se aprende com a vida e com as pessoas que deixamos entrar nela. Tudo se aprende se tivermos disposição para tal.
Dou-me conta que talvez seja esta certeza inconsciente de que nada dura para sempre que nos permite dar valor àquilo que mais amamos. Ninguém quer perder o que ama, mas já se sabe que se vai perder, por isso valoriza-se, respeita-se e cuida-se. O que se afastar muito disto, por certo não será amor. (digo eu, que nada percebo deste sentimento!)
O vislumbre dum horizonte que diz “fim” assusta, mete medo. O desconhecido assombra, o perder algo que nos faz feliz angustia. E assim acabamos por forçar a existência de coisas que já terminaram, iludimos a alma com abraços de corpo, dizemos ver magia quando afinal vemos é o truque. Tentamos aumentar a distância entre nós e o horizonte, aumentamos a extensão de mar, pintamos o céu de várias cores, vemos vários por-de-sol… e ficamos assim até que a nossa presença nesta paisagem se extinga.


Bem, à partida parece um pensamento pessimista e sem esperança, mas não é! Reparem que não durando para sempre, até o que é mau acaba!


O meu ponto de vista é que não dura porque muda e uma mudança nem sempre significa uma alteração para pior. Tudo depende da forma como gerimos a vida e os sentimentos, tudo depende da nossa capacidade de adaptação a novas situações. Na realidade, tudo depende de nós e não daquilo que se extingue, seja um sentimento, um animal de estimação ou uma pessoa querida.


Grave é se nos extinguirmos ainda em vida, acontece a quem não sabe o que quer, a quem não luta pelo que quer, a quem depende da extinção do outro. Acontece a todos termos extinções momentâneas, apagamo-nos, ficamos desorientados… E nesses momentos de mudança encontramos sempre o princípio de alguma coisa, será um princípio surpreendente provocado por um fim que nos angustiou.

Portanto, o fim, a mudança e o principio regem o nosso ciclo de vida... e é esta a nossa montanha russa sem bilhete pago! Fazemos a viagem simplesmente porque estamos vivos... Ficamos sem ar, vomitamos, enjoamos, gritamos, rimos, suspiramos, aprendemos, e o mais importante de tudo... crescemos!


Aproveito para desejar a todos um excelente ano de 2009.


O ano que acabou pode ter sido muito mau ou bom, mas nada nos diz que este não seja melhor. De certeza que será diferente!


Hoje passei por aqui só para dizer isto…


Um abraço

quinta-feira, dezembro 18, 2008

O MEU NATAL


Quando era pequena, gostava do Natal. Talvez pelo mistério, pela surpresa, pela novidade. Era tudo diferente, era uma magia estranha de sorrisos, de festinhas na cabeça e olhares brilhantes! Isto era muito raro lá por casa, só acontecia naquela altura em que havia um pinheiro iluminado no canto da sala.
Percebia que era uma época diferente, mas não percebia bem porquê. Lembro-me de pensar que era porque nascia um menino qualquer, não sei onde. Acreditei algures na minha infância que esse menino era muito especial porque fazia sorrir as pessoas, punha nos seus corações qualquer coisa… Mas onde andava esse menino? Onde nascia? O que é que este menino tinha de especial que eu não tinha? Desiludi-me quando percebi que este menino nascia nas montras iluminadas, que afinal havia muitos meninos iguais, e todos cheios de frio porque estavam despidos coitadinhos! O que valia é que o “bafo do burrinho e da vaquinha aqueciam o menino”… era o que dizia a minha avó, e eu, acreditava!
Aquele menino que eu via nas montras, era igual ao bonequinho que a minha avó tinha no presépio… era simplesmente “o menino Jesus nas palhinhas deitado!”. Ora bolas! Tanta alegria por causa de um boneco, e ainda por cima havia montes deles!! Iguais!! Ele estava em todo o lado… e as pessoas paravam em frente às montras onde ele se exibia, apontavam e sorriam. Nunca lhe vi nada de especial, especial queria ser eu! Bom, mas esta sensação de ciúme impotente por aquele boneco aconteceu quando eu era mesmo muito criança, talvez ainda andasse ao colo. Lembro-me perfeitamente de estar ao colo do meu pai e começar a chorar de raiva por não perceber nada.
Depois cresci (para aí dois palmos), e já tinha percebido que aquele miúdo – o Jesus - ia nascer outra vez. O ambiente ia ficar novamente cheio de luzinhas e estrelinhas e mentirinhas… Era giro aquilo, as prendas no chão por baixo do pinheiro, as notas de escudos que iam aparecendo nos ramos da árvore de Natal, as luzinhas que piscavam, as pinhas (raras) de chocolate… mas as notas de escudos que penduravam no pinheiro é que me entusiasmava! E quando aparecia uma nota azul de 100 escudos??! Era a alegria, muito melhor que qualquer embrulho… Não sou materialista, mas gostava da cor do dinheiro… o verde das notas de vinte, o avermelhado das notas de cinquenta e o azul das notas de 100! Aquilo é que era o verdadeiro enfeite da árvore de natal! Às vezes comento isto com os meus amigos e ninguém tem esta ideia do seu natal, possivelmente foi uma brincadeira que o meu pai arranjou… lá deve ter percebido que eu achava piada aquilo! Sempre pensei que aquele dinheiro era para dar ao Pai Natal, porque no dia em que as prendas apareciam, o dinheiro desaparecia… Enfim, crianças, o quanto vos enganamos!! Vejo por mim… a ilusão em que nos obrigavam a viver, como éramos felizes na nossa ingenuidade de criança!

Continuando no devaneio destas recordações natalícias;
Depois eram as eternas questões para perceber o que raio levavam os reis “magros” ao menino Jesus. E porque é que um deles era preto?
“E levavam ouro, incenso e mirra”. Eu só percebia o porquê do ouro… as outras riquezas não as percebia! Quantas vezes eu pedia para me mostrarem incenso e mirra! Quanto ao rei “magro” preto não era preto, era de cor!!… e vinha de África! Era uma grande viagem… A mirra era uma “coisa muito valiosa naquela altura que não existe em Portugal” e pronto! Explicadissimo!
Estas falhas nas explicações é que me deixavam desconfiada, as crianças às tantas começam a raciocinar e a querer fazer ligações entre as várias informações que tem… algumas coisas iam deixando de fazer sentido…
E a cena de seguirem uma estrela… ui, que confusão! Mas a “estrela era mágica e ensinava o caminho ao reis magos”… e sei lá mais o quê… “Então e rei mago de cor, como é que foi lá ter?”, “a estrela foi a África buscá-lo e depois foi para Belém?”… “Coitado do rei de cor, o que ele não deve ter andado, e o que os outros não devem ter esperado por ele…” foi nestes pensamento infantis que me perdi, e que finalmente me apercebi que tudo isto era uma história para adormecer crianças! E eu detestava ser enganada! O Natal para mim, a partir de um certo momento da minha vida perdeu toda a magia, perdeu as luzinhas, a cor!
Os anos foram passando, agora, apercebo-me que esta época não passa de uma atmosfera de histerismo colectivo da glândula da alegria. Não passa de uma hipocrisia da sociedade. É um pretexto para sermos bonzinhos nesta época. É uma desculpa para sermos solidários com os pobres e com as crianças… É uma oportunidade para estarmos em família, é… diria, lamentável a forma como se vive o Natal.
De qualquer forma, respeito como cada pessoa vive o seu Natal. Eu também estou longe de ser perfeita! Na realidade, o que critico é o que faço! Mas ter esta consciência já me ajuda, já me desperta para uma mudança do meu comportamento.
Depois, penso que todos nós passamos pelas seguintes fases natalícias; acreditamos no Pai Natal, deixamos de acreditar, e finalmente somos o Pai Natal! Somos todos Pai Natal, reparem; andamos disfarçados, andamos com um peso às costas, damos presentes só a quem merece, volta e meia temos que descer por uma chaminé escura para chegar a algum lado… e andamos assim todo o ano.
No Natal, finalmente transformamo-nos em pessoas! Damos valor à família, ganhamos um pouco de consciência do mundo, mimamos as crianças, somos solidários, respeitamos e ajudamos os outros… enfim, temos coração!
A única coisa boa no Natal, a meu ver, é a alegria das crianças, aquele brilho nos olhos que eu também já tive… E se não existissem crianças?! Talvez o Natal se extinguisse, não sei, não fizesse sentido… Talvez o Natal, fosse Banal, como todos os outros dias do ano!
Mas, já que é Natal, e é nesta altura que decidimos ensacar as roupas que não usamos, os brinquedos desajustados às nossas crianças, comprar uns postais para ajudar a UNICEF, uns CD´s para ajudar os meninos escravos, o livro da Leopoldina… ah, e o saquinho com o arroz, massa e bolachas, para ajudar os mais desfavorecidos, vamos lá ser todos solidários! Mas atenção, só porque é Natal!!

As pessoas que passam frio e fome, as crianças que não sabem o que é ser criança, as mães destas crianças que impotentes não conseguem alimentar o seu filho, os países que estão em guerra… tudo isso, que é o mundo em que vivemos, afinal só existe no Natal… Aparecem, surpreendentemente não sei de onde. Talvez da consciência que na realidade todos temos.

Cada um vive o Natal à sua maneira, no meio disto tudo, eu quero acreditar que o Natal pode ser todos os dias!

Partilho algumas imagens da minha árvore e do meu presépio convosco... é aqui, durante esta construção que me encontro com a criança a quem já brilharam os olhos no Natal...

GOSTAR DE TI



É estranho o meu gostar de ti,
Gosto assim… aos montes!
Às pinguinhas miudinhas que molham tolos!
Mas molha!
É um gostar muito doce,
Quase amargo se lhe sentir bem o paladar.
Este gostar de ti,
É um céu de nuvens,
Nuvens, nuvens e mais nuvens!
Tantas nuvens brancas e lindas,
Cheias de formas! Espectaculares!
É um céu lindo!
Depois, chove!
Este gostar de ti
Entranha-se profundamente,
Cola! Como o selo no postal!
Que corre mundo, preso ao envelope!
É como andar de comboio ao contrário,
A paisagem em vez de se aproximar, afasta-se!
Gosto desta estranheza,
É diferente, surpresa!
É como andar numa montanha russa,
É subir devagar e descer a pique!
É andar, andar, e enjoar!
Depois descemos,
E voltamos para a fila,
Para dar mais umas voltas.
É estranho o meu gostar de ti,
É um desentendimento de mim.
Toma-se gosto por este gostar
Gosta-se tanto, muito e bastante,
Torna-se viciante!
Este meu gostar de ti é estranho,
Não é gostar,
É, enfim...

Amar!!

AS

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Peça de Natal

Pediram-me para ter uma ideia, como se me tivessem pedido para ir buscar um copo de água. As ideias não se têm à força, é uma coisa que acontece quando menos se espera. E aconteceu! Surgiu…
Adiante, o que me pediram para fazer, foi pensar numa possível festa de Natal para crianças do primeiro ciclo. Obviamente que quem mo pediu foi uma professora!! Parece que agora não tinha muito tempo… é por causa dos impressos, o modelo de avaliação, as reuniões, greves, manifestações, aquelas coisas que nós sabemos… A luta! Bom, eu quis dar o meu modesto contributo e escrevi esta peça, de forma a que todos os alunos pudessem intervir, evitando também perder muito tempo com ensaios… O texto pode ser lido enquanto as crianças representam livremente, portanto não será preciso ensaiar muito!

Publico aqui porque me disseram que era uma pena deixar este texto perdido na gaveta… Ora, sem qualquer tipo de exibicionismo, até porque tenho algumas limitações (sou engenheira, não sou mãe, nem tia, e as crianças são giras à distância) foi isto que saiu:

Atenção que esta peça está reservada aos direitos de autor! ;)



O NATAL DA JOANA

A cena desenrola-se entre o quarto da Joana e a sala. Joana dorme no quarto, desce até à sala onde encontra dois grandes sacos vermelhos. Tudo acontece à medida que Joana vai descobrindo o que está dentro dos sacos, que são, nada mais nada menos que os sacos do Pai Natal…
Lá dentro estão... os presentes!!


Numa noite de Natal,
Daquelas em que as crianças perdem o sono,
Estava Joana deitada
Na sua cama, no seu trono.
Ela era uma princesa
E tinha tudo o que queria,
Brinquedos e amigos,
Tinha paz e alegria.
Mas a Joana é uma menina diferente,
Não pensava só no seu umbigo,
Preocupava-se com as crianças mais pobres
E com o mundo que estava em perigo.
Então nesta noite,
E por saber que era Natal
Fechou os olhos com muita força
E pediu um desejo especial;
Que todas as crianças do mundo tivessem um sorriso,
E que os adultos fizessem do mundo um paraíso!
Subitamente (barulho dos sacos), Joana estremeceu na cama,
Levantou-se num sobressalto
E foi à sala de pijama.
Ficou surpreendida com que estava a ver
Eram os sacos do Pai Natal,
Não, não podia ser!
Curiosa, abriu um saco
Abriu o outro logo a seguir
Pareciam sacos vazios,
Mas viu alguma coisa a surgir.
Os sacos pareciam ganhar vida
Eram sacos encantados!
Lá dentro tinham meninos,
E pareciam trazer recados!
Joana estava assustada,
Parecia um sonho de encantar,
Com tantos meninos na sala
Os pais podiam acordar!
Mas era melhor não pensar nisso
Era uma noite diferente,
Hoje era Natal, e este o seu presente!
Que alegria se vivia,
Parecia o recreio da escola,
Uns brincava à apanhada,
Outros jogavam à bola…
As meninas saltavam à corda
E eles imitavam aviões,
Outros pareciam não fazer nada,
Eram só uns trapalhões...
Tinham todos um grande sorriso,
Estavam alegres e contentes,
Era uma noite encantada,
Mas onde estavam os presentes??!

Não havia embrulhos, nem laços, nem nada
Mas Joana não ficou decepcionada!
Correu atrás duns meninos
Que jogavam ao esconde-esconde,
Ela queria saber quem eram e vinham de onde?!

- Eu sou o Amor – mas as pessoas ignoram-me quando passo, venho do coração mas pensam que sou do espaço!
- Eu sou a Esperança – e as pessoas deixam-me morrer, não sabem que sou eu que as faço mover!
- Eu sou a Felicidade - e as pessoas pensam que não existo, deixam-me escapar por aquilo... e por isto!
- Eu sou a Coragem - sou como um elixir, dou força aos fracos que me quiseres possuir
- Eu sou a Paz - e estou a desaparecer, as pessoas não percebem, que com guerra não se pode vencer
- Eu, a Solidariedade – de mim só se lembram agora, venho do mundo inteiro mas toda a gente me ignora!
- Eu sou a Saúde – eu sou do melhor que há, para mim não há remédio, enquanto aqui estiver, tudo o resto será mistério!
- Eu sou a Liberdade – eu é que sou a maior, sem mim estás tramada, podes querer andar e ficarás sempre parada!
- Eu, o Respeito – eu venho da educação pessoal, mas também caí em desuso, às vezes tratam-me mal, é um autêntico abuso!
- Eu sou a Moral – venho da consciência e do coração, ajudo a distinguir o bem do mal, mas também estou em extinção!

Depois das apresentações,
E de tudo explicadinho,
Joana percebeu quem era cada menino.
Eram sentimentos importantes
E outras coisas que tais,
Eram para lembrar todos os dias
E não só nos Natais!
Joana chamou os meninos todos,
Com muito boa intenção,
Queria metê-los nos sacos,
E todos disseram que não!
Estes sentimentos estavam esquecidos
Naqueles sacos sem fundo,
Mas Joana tinha-os despertado
Agora queriam ficar neste Mundo!
Então decidiram em segredo,
Fazer uma magia, uma coisa diferente,
Sacudiram os sacos no ar
E ficaram no coração de toda a gente!


Depois deste bonito sonho,
Joana acordou com um sorriso,
Abraçou o pai e a mãe,
E sentiu-se no Paraíso!

- Feliz Natal Joana (professora)
- Feliz Natal a todos! (todos os meninos)

FIM