sexta-feira, outubro 10, 2008

CASAMENTO HOMOSSEXUAL

Está lançada a polémica, apesar de não fazer parte da agenda parlamentar, este assunto vai finalmente ser resolvido na Assembleia da República. Eu disse resolvido?! Enganei-me, não vão fazer é nada! Para além da triste figura que vão fazer em representação dos portugueses, os nossos governantes não vão fazer nadinha! E pelo que ouvi dizer, após semanas de hesitação e debate, a proposta vai mesmo ser chumbada! Baseada em que argumentos?
Ora vejamos, porque é que os homossexuais não se podem casar? Primeiro, teremos que analisar o que raio é um homossexual... Não sei, talvez sejam pessoas, ou não?! Então porque não tem o direito que as pessoas tem? Porque na realidade são “bichos” não é pessoal?! São animais irracionais, porque se fossem racionais, caramba, deixavam-se dessas paneleirices e assumiam de uma vez por todas todas a sua heterosexualidade, que faz do ser humano, gente! Que aliás, foi para isso que os pais as criaram, para sermos alguém na vida! Para sermos gente! Para sermos pessoas! Não para sermos homossexuais! Bem, está explicado porque privam os homossexuais de casar, não são pessoas, são... sei lá! São qualquer coisa que não tem os mesmos direitos que nós pessoas, certo, Sr Ministro?!
Agora vamos ver, o que significa casamento. Ora casamento, , segundo definição retirada dos Dicionários já ajustados ao acordo ortográfico, portanto actualizadíssimo, é nem mais nem menos isto. Cá vai:
Casamento: “n.m 1 Ato ou efeito de casar; 2 contrato celebrado entre duas pessoas que pretendam constituir família em conjunto; matrió(ô)nio; 3 cerimó(ô)nia que celebra o estabelecimento desse contrato; núpcias; 4 situação que resulta do ato de casar; 5 estado de casado; 6 [fig.] enlace; união; 7 [fig.] combinação (de casar+mento)”.

E segundo o artigo 1577º do Código Civil Português, o que é o casamento? Cá vai: Casamento: “é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendam constituir família mediante uma plena comunhão de vida”.
Mais curiosidades; e o que diz o artigo 13º da Constituição da República?! Cá vai: “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”. Reparem que a “orientação sexual” foi a última actualização, mas foi finalmente colocado na Constituição! E ainda, se quisermos continuar neste roll de politiquices hipócritas, consultemos a Declaração de Princípios do PS, esse que vai chumbar a proposta do casamento homossexual. Cá vai: “O PS combate as desigualdades e discriminações fundadas em critérios de nascimento, sexo, orientação sexual, origem racial, fortuna, religião ou convicções, predisposições genéticas, ou quaisquer outras que não resultem da iniciativa e do mérito das pessoas, em condições de igualdade de direitos e oportunidades. O PS defende o princípio da equidade na promoção da justiça social.”
Esta é para rir, tendo em conta que, baseado em argumentos de que ainda não é o momento certo, e o país não está preparado e a mentalidade das portugueses, e isto e aquilo... vai chumbar a proposta!! Defendendo sempre que não é contra, mas que, não pode ser a favor... Parece o outro “é proibido, mas pode-se fazer!!”, “Nós defendemos, mas vamos votar contra!”
E depois estas leis, a Constituição, as definições, as normas, os direitos... uns dizem uma coisa, outros outra, é um contra censo de politicas! É forma de ter justificação para todas as ideias! Segundo a Constituição, é uma coisa, segundo o Código Civil é outra, segundo isto é cozido... segundo aquilo é assado... mas atenção que pode ser cozido e assado ao mesmo tempo! Depende do documento que se teve em conta para argumentar!
Gostava de saber sobre que documento o Sr. Ministro se debruçou para chumbar esta proposta. Foi o Código Civil por certo porque diz que o casamento é entre pessoas de sexo diferente, ou a Constituição da República? Talvez a Declaração do PS só porque lhe ficava bem usar uma declaração sua... oh pá, mas esta diz que não se pode descriminar os homossexuais, não pode ser, paciência... temos que usar outra, talvez a Constituição da Republica, esta também era boa, como governante do país, era bom ter como base a Constituição... chiça penico, essa também não pá, essa também vai ao encontro dos homossexuais... o Código Civil também é bom!! Vamos pelo código Civil... mas seremos inconstitucionais... Paciência, o povo não sabe o que isso é...

Mas o que é isto?! É gozo do grande! Parece que estão à espera de um novo 25 Abril proclamando a liberdade...
Tenho curiosidade em saber com quem se fala, a quem se apela, a quem se reclama?! Há Ministro da Igualdade? E da Desigualdade? E dos Direitos Humanos?! Ah... nem sequer há com quem falar... bonito! Fiquemos por aqui... Mas há Associações que apoiam estas pessoas, estas associações tem que ser mantidas de alguma forma, são sem fins lucrativos e tal mas... quer dizer! Se fossemos todos iguais não era necessário este tipo de instituições de apoio gay, que diga-se de passagem são cada vez mais! E recebem donativos para se manterem, e se esses donativos fossem mesmo para os que precisam? Claro que esses donativos iriam para os que realmente precisam de apoio e ajuda! Os homossexuais só são necessitados porque são descriminados, porque na realidade não tem problema nenhum! Estão a perceber?!
Voltemos ao que me trouxe aqui, que é precisamente o casamento entre homossexuais. Ora bem, chego à conclusão que tanta discriminação a estas pessoas só se deve à mentalidade retrograda da sociedade, e ao respeito que se tem por essa mentalidade retrograda! É só a mentalidade da nossa sociedade que não nos deixa evoluir. E como se isso não bastasse, vem o governo e assina por baixo, dando apoio a esse pensamento retrogrado! Parabéns Sr. Ministro, terá novamente o meu voto!
Já agora gostava que me explicassem o que é a disciplina partidária ou disciplina de voto! Neste contexto entendo disciplina como “regime de ordem imposta”, ou “ordem conveniente e necessária ao bom funcionamento de uma instituição” ou “submissão a um regulamento”, isto é, o Sr. Ministro vai impor que os seus colegas partidários votem conforme a convicção que lhes é imposta, ou seja, votem contra, mesmo que sejam a favor?! É isto?! E o momento certo será quando? Talvez numa campanha eleitoral, onde o povo seja uma comunidade gay. Era bom aprovar uma proposta destas nessa altura, não era?! Pois guarde-a muito bem na gavetinha para usar nesse momento, é que se usar agora, depois não tem!!
Só mais uma pergunta, na África do Sul os homossexuais podem casar não é? Na África... Bolas, que país evoluído, pensei que lá só existissem macacos e diamantes, não, também há casamento entre homossexuais! Nos estados dos Norte da América (Califórnia e Massachusetts, acho), na Bélgica, Canadá, Holanda, Noruega, assim como na Espanha... Países demasiado evoluídos, e cuidado, alguns próximos! Olhe que isto ainda se pega!
O país afinal é para ir para a frente, ou para trás? Em bom nome e por respeito às mentalidades de alguns portugueses, privamos a evolução do nosso país. Eu compreendo que algumas pessoas não aceitem, não compreendam, lhes faça confusão a orientação sexual de outras pessoas, mas onde é que estará a maioria dessas pessoas daqui a uns anos? O nosso futuro, e o do país, estará nos velhos ou nos novos? Nos que estão para partir ou nos que cá ficam??! Nos nossos avós ou nos nossos filhos??! É um governo para o futuro, ou para o passado?
É este o país em que vivemos, alguém que se entenda nesta república das bananas? Assim não se pode governar, nem ser governado! Isto é um pequeno exemplo das politiquices que se fazem no nosso país! E é revoltante...
Um abraço a todos os homossexuais que passarem por aqui e um pedido de desculpas por ter contribuído para o governo que nos governa!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Na Rádio... Deu que pensar, só isso!

Hoje, como todas as manhãs quando vou para o trabalho, vim a ouvir rádio no carro. É agradável vir a ouvir a conversa alheia, sorrir dos disparates que dizem, intervalar com uma música, ficar a pensar no que disseram, ouvir notícias, ficar a par das novidades do mundo, aquelas que não interessam a ninguém, pois não passam de cusquices que vão directamente para a Recycle Bin do nosso cérebro, não deixando no entanto de ser informação! (Vejam bem o que dá para viver durante o transito matinal da IC19!! ;)
Hoje foi daqueles dias em que fiquei a matutar numa situação que se passou, tão banal, tão banal que nem é normal uma pessoa ficar a pensar nisto! As pessoas normais não pensariam nisto, mas eu não sou normal... Então foi o seguinte:
Estava a decorrer um género de um concurso, em que a concorrente em linha precisava adivinhar o nome de um filme e não sabia. Acontece a todos. O pior que lhe podia acontecer era não receber o prémio, que me pareceu ser um CD de música. Eis que a moça não sabia o nome do filme, nem com dicas, nem sem dicas... Paciência! A rapariga tinha ainda a oportunidade de pedir ajuda de um outro ouvinte, a qual solicitou. A outra ouvinte entrou em linha disposta a ajudar e sabia obviamente a resposta certa. Depois da resposta certa da segunda ouvinte, é que surgiu a questão que me deixou a pensar: “e a Andreia quer ficar com o prémio para si, ou vai dar à Carla?”, ou seja, a rapariga que foi ajudar queria ficar com o prémio, ou simplesmente ligou para participar e ajudar uma outra ouvinte? Para já, eu pensei que esta ajuda seria voluntariosa, seria para ajudar a outra a ganhar o prémio, pelo que fiquei surpresa com a pergunta e expectante com a resposta... A resposta foi simplesmente: “quero ficar com o prémio” e riu-se! E eu pensei “grande porca!”. Poderão vocês pensar (como eu pensei depois) “grande porca porquê? “Está no seu direito!”. Exactamente! Ela é que sabia a resposta, tinha direito ao prémio, para quê dar à outra?! Isso seria estupidez, certo? E se eu estivesse no lugar dela o que faria? Ficava com o prémio porque sou esperta, ou dava à outra porque sou boazinha e parva? Possivelmente dava à outra (não estou a assumir publicamente a minha parvoíce!) só para evitar que os ouvintes pensassem que era eu uma “grande porca”! Gosto de ser boazinha, mas na realidade o que sentiria não seria que tinha sido muito parva?
Assiste-nos o direito de criticar quem na sua integridade e autenticidade faz e diz aquilo que quer, não faltando ao respeito aos outros? Não me parece que tenhamos esse direito, embora o faça como o assumo aqui. E isto deixou-me a pensar, porque na tentativa de sermos melhores para agradar aos outros, acabamos por nos prejudicar a nós, ficamos com menos. Menos tempo, menos paciência, menos dinheiro, menos mérito, menos tanta coisa... ficamos talvez com mais pessoas que gostam de nós, ou essa parte de nós que é falsa. Na verdade evitamos é a crítica... vou fazer assim, senão pensam isto ou aquilo...
E esta simples atitude, esta naturalidade em assumir publicamente que se quer o que se quer, deixou-me a pensar que realmente devemos deixar de ser bonzinhos por falsidade, devemos ser autênticos! Se a critica existir, a autenticidade e a verdade irá em nossa defesa. Isto sempre contando que a autenticidade vem acompanhada de integridade! Claro está que o dar, às vezes nos dá prazer... Por vezes até agradecemos que nos apareça um mendigo à frente para podermos dar uma esmola e fazer a boa acção do dia! Um ceguinho que ajudamos a atravessar a estrada, uma velhinha que nos peça ajuda com os sacos das compras, etc, etc... mas isso é dar sem perder!
Dar a um desconhecido, com consciência que se perde algo que se deseja, já vai para além da bondade, é quase falsidade. Foi à conclusão que cheguei...
Parece que a opinião dos outros é importante, pelo menos para mim é. Mas essa opinião será assim tão importante? E os outros quem serão? Serão também assim tão importantes? São tão importantes que lhes permitimos que nos roubem a veracidade dos nossos actos? Talvez...

terça-feira, outubro 07, 2008

NO PALCO DA VIDA

Dou conta de mim aqui sentada, na plateia deste pequeno teatro. Ninguém me chamou, ninguém me pagou o bilhete para entrar, entrei inconsciente. Escolhi uma cadeira ao acaso e neste momento só me dou conta que estou aqui sem saber como ou porquê. Apareci aqui num silêncio que não se dá conta, um género de rapto fulminante de alma, sentimos que fomos transportados para longe de nós, sabendo que somos nós.
Encontro-me sentada na segunda fila, numa cadeira vermelha confortável, ligeiramente desviada do cento, à esquerda. Sente-se aqui uma atmosfera leve, de paz, um sossego que me embala, um silêncio tranquilo. Diria que é aquela solidão que nos sabe bem.
Abre-se o pano vermelho. Sem apresentações, sem pancadas de Molière. Abre-se e fecha-se o pano ao som do estalar de dedos, ao som do pestanejar dos meus olhos, ao ritmo das memórias que me escapam perdidas pelas fissuras marcadas das recordações. Recordações, memórias, uma vida que vejo agora a surgir em palco.
Vejo mil imagens, demasiados cenários, pessoas de que quem já me tinha esquecido mas que por alguma razão me encontro com elas agora. Vejo-me sempre em cena, perdida no meio daquelas almas pardas que se fundem e instantaneamente desaparecem de cena. Tudo em movimento, num rodopio de piscar de olhos, novo cenário, novas falas, novas gentes, novas emoções. Encontro-me ali, sem falas, sem deixas, por vezes sem adereços... sem nada!
Sei agora que a cena em palco é a minha vida. O passado longínquo, o passado recente, o meu presente! Ao aperceber-me que ali está a minha vida tento enganar o encenador, ou alguém que desconheço, e fecho os olhos no futuro! Mas o futuro é apenas um cenário de fundo preto, de luzes muito brancas sem nada que se consiga ver, indefinido, indecifrável, ilegível. O futuro não passa neste palco, no palco da vida não há futuro, claro! Esse também não interessa nada agora! Não interessa para hoje.
Marco aqui encontro com as pessoas que magoei, as que amei, as que passaram pela minha vida e saem pela esquerda alta, pessoas que são apenas figurantes pois já nem os traços ou o nome recordo. Vivo as emoções que me caem no coração, caem como uma torneira em ping-ping contínuo. “ping, ping, ping, pung, ping, ping, pung”, dissonantemente me fazem chorar, outras vezes me deixam sorrir. Vejo-me aqui a crecer a evoluir, não deixando de ser eu. Reparo que fui boa, fui má, deixei de ser e agora sou!
Sinto-me viva nesta cadeira, sinto o sangue a pulsar nas veias, sinto o coração a bater, sinto as lágrimas que caem. Sinto as sombras que entram nesta sala e se sentam discretas atrás de mim. Sinto a sua presença espiritualmente física. Não olho para trás porque sei quem são, não sei onde se sentam, o lugar que ocupam não me parece importante, mas sei quem são! Talvez uma ou outra me despertem a curiosidade e me tentem a olhar, mas não, não, continuo a olhar para o palco. Permanece o silêncio, a paz, o conforto das várias existências nesta sala.
As cenas em palco são de facto a minha vida! O arrepio na pele, a respiração que quebra, o baixar do sobrolho de enorme constrangimento disto ou daquilo. Decido que escolho as cenas que quero ver, as que quero recordar. Escolho! Quero escolher como se fizesse um zapping. Ai um zapping de olhos abertos, vejo segundo e segundos de cenas que não quero, que não queria que existissem mas estão lá esquecidas, elas estão lá, eu sei! Estas cenas que ficam no ar por certo é Molière que as escolhe porque eu não sou! Eu não as queria ver, jamais as escolheria, bem sei quem está nesta sala!
Sinto a agitação dos vultos que se sentam atrás de mim, sei que a sala não está cheia, mas já chegou quase toda a gente que tem bilhete. Todo este movimento é paralelo mas distante da atenção que dou ao que se passa à minha frente. Não me distrai, não me incomoda, simplesmente se está a passar nas minhas costas.
Entro na minha minha vida, como se entrasse nesta montanha que me ocupa o horizonte do olhar. Entro disposta a tudo. Vejo as árvores grandes que foram sementes, vejo as pequenas que serão grandes, vejo as pedras que devem ter rebolado pela encosta, vejo vestígios de fogo aqui e ali, vejo a recuperação do fogo salteado a verde acastanhado, vejo esta casa que não estava aqui, vejo as ruínas de outra que marcou a história das gentes. Não vejo uma simples montanha, vejo-lhe a alma! Vejo a constante mutação, o movimento, a evolução, a seiva que corre acelerada fazendo dela uma montanha viva! É assim que estou a olhar para mim. A ver onde foi o fogo, onde morreram as árvores, onde nascem as novas, para onde correm os rios, quem deslocou as pedras. Quem passa, quem só olha e quem realmente me vê! Quem entra e quem passa...
Passou na sala um vulto que me estremeceu! Sentou-se demasiado próximo de mim, no mesmo corredor, a duas cadeiras do meu lado direito. Eu não tinha intenção de me distrair e quase consegui! A tentação de movimentar ligeiramente a cabeça para ver o vulto desconhecido foi maior. Foi a audácia e o atrevimento com que o fez que mereceu a minha atenção. Na realidade foi a intensidade da sua presença que me distraiu. Sem trocar palavras entendemo-nos inteiramente, estranhei esse entendimento tão intimo. Perdi a cena, perdi alguma coisa em palco, não sei o quê, nada de importante por comparação a este momento. Soube que a partir deste momento iríamos assistir em palco a um crime, sem culpados e sem culpa. Percebeste aqui que fizeste primeiro parte de mim e só depois entraste na minha vida? Sinto-te aí, cúmplice de mim, a querer partilhar! Eu vou partilhar contigo, diz-me que cena queres ver em palco e eu mostro-te, eu abro o pano para ti amor!
Estamos sozinhos na sala, não te estranho, sei quem és, talvez um reflexo de mim, parte da minha alma perdida, partes de almas perdidas que se encontraram e se fundiram no mesmo pedaço de espelho partido.
Vejo agora as cenas em palco ao teu lado. Deixa-te estar. Fica em mim, fica na minha vida. Ficarás sempre em mim, porque num encanto da vida aconteceu-me o amor. O amor não se faz, não se procura, o amor nasce em nós, sem culpa e sem pecado. Originalmente deixamos de ser nós, somos um pouco mais. Somo nós e o outro pedaço de nós, e jamais poderemos esquecer um pouco daquilo que somos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Uma mensagem SMS

A tecnologia de hoje obriga-nos a desvalorizar o empenho, ou esforço com que antigamente fazíamos as coisas. As coisas que se fazem hoje em dia parece que perdem o valor. Antes era tudo mais difícil, mas tudo com muito mais conteúdo! As pessoas já não se dão, não se entregam. Já nem nos lembramos o que é um compromisso! Se nos atrasarmos é só enviar uma mensagem, ou ligar a dizer que estamos atrasados, o outro que espere! Se não nos apetecer ir, é só ligar e inventar uma desculpa qualquer de última hora. Antes não, antes tínhamos mesmo que aparecer porque alguém estava à nossa espera e não havia como o avisar, tínhamos mesmo que ir era uma questão de bom senso, de palavra, de responsabilidade! Não é à toa que estes valores cada vez mais estão a desaparecer...
Onde estão os recados de amor escritos num bocado de papel, onde está a nossa agenda riscada e rabiscada, com desenhos e recortes que íamos coleccionando? Onde está a letra daquela pessoa que me escreveu, onde está a personalidade das coisas? Num cartão SIM... num telemóvel topo de gama, numa mensagem na nossa caixa de correio electrónico... Tudo vazio, frio, sem alma, sem sorriso, sem cor... cinzento!
O correio dos CTT hoje em dia é só uma caixa para receber publicidade, contas para pagar, e pouco mais. Antigamente a caixa de correio era um género de caixinha de surpresas! Lembro-me quando a minha avó me mandava o correio e volta e meia lá estava uma carta, um postal de alguém. Era uma alegria! Agora, abrimos o correio, subimos no elevador e olhamos desinteressados para a papelada que vamos amontoando em casa para forrar o caixote de lixo! Nem ao entrar em casa sorrimos, porque enfim, ao abrir o correio não está lá nenhuma surpresa! Só se for uma multa...
Por outro lado, reparem que esta tecnologia nos tira alguma (para mim muita) privacidade! Se não atendemos o telemóvel, temos que justificar... se não respondemos a uma mensagem temos que justificar, se não nos apetece falar com uma pessoa temos que falar. Se não temos nada para dizer cobram-nos porque não dissemos nada... Se atendemos querem saber onde estamos, com quem, para onde vamos... Bolas!!
Voltar ao que era antigamente é completamente impossível. Hoje em dia quem não tem telemóvel é um completo parolo! Toda a gente tem pelo menos 1 telemóvel, 1 ou 2 endereços de e-mail, uma conta no youtube... etc, por aí fora! Quem não tem, não é deste mundo! Alías, há pessoas que têm só por ter. Outras que têm não se sabe bem porquê, mais valia pegar no telemóvel e atirarem com ele contra a parede! Uma pessoa que tem telemóvel não tem desculpa para passar um dia inteiro sem dizer nada à mãe, ao pai, à avó, ao tio, ao amigo, ao namorado, à namorada... Não há desculpa! Se tem telemóvel, tem que usar! Se não for para usar, não tenham, para não ser cobrados! Bolas, é difícil?!
Mas a verdade, é que dá muito jeitinho, sim senhor!
“Recebes mensagens minhas que te arrepiam, que te fazem sorrir, que te entusiasmam, que te acarinham, que te fazem sentir amada, que te confortam, que te angustiam. Vês o que estou a perder porque passas um dia sem dizer nada?! Eu espero, e desespero e um dia vou deixar de esperar!”
E as relações acabam assim, culpa do telemóvel, não é da falta de comunicação das pessoas! J
Já que temos esta tecnologia, vamos usá-la a nosso favor. Vamos lá responder a quem nos acarinha...
Aproveito que estou aqui, para vos mandar um beijo, ou muitos, que certamente estão em falta. Reconheço que sou daquelas pessoas que mais valia atirar com o telemóvel contra a parede! Mas quando não me respondem fico lixada! E não somos quase todos assim... ? mea culpa, mea culpa

segunda-feira, agosto 25, 2008

Decepção

À medida que o tempo passa reparamos que tudo o que era certo no passado, deixou de ser certo hoje, aliás há coisas que perdem completamente o sentido. É o que se diz vulgarmente “a vida dá muitas voltas”
Hoje falo-vos da decepção. Decepção no geral.
Decepção será uma mágoa que se trás no peito, uma dor fininha que nos acutila, um silêncio angustiante que nos belisca para falarmos, mas sentimos que não o devemos fazer. Por vezes a decepção vem ter connosco devagarinho, a passo e passo e quando damos conta já estamos decepcionados. É um desconformo que nos rouba a paz de espírito. Às vezes é uma decepção connosco mesmo, um desentendimento.
Esta decepção que sinto é em relação às pessoas que fazem parte do nosso mundo, do nosso dia-a-dia, que fazem parte da nossa vida. Naturalmente a nossa vida não é estática, pelo menos espera-se que não caia nessa estagnação. E quando se vê de fora a evolução de uma vida, parece que não sabemos como lidar com essa pessoa, e estupidamente deixamos de lhe falar porque... está diferente?! Porque não é a mesma? Porque nem sequer nos damos a hipótese de percebermos que a única coisa que mudou foi a vida da pessoa e não a pessoa!
É isto que sinto, admito que a minha vida mudou um pouco, e de facto tive que fazer adaptações da rotina do meu dia-a-dia, e não adaptações de personalidade! As pessoas que nos rodeiam e nos conhecem não percebem isso? Talvez não...
Afinal não passam apenas de pessoas que nos rodeiam, não serão propriamente amigos. São simplesmente pessoas que fizeram parte da nossa vida. São simplesmente pessoas com quem rimos, com quem choramos, a quem confiamos alguns dos nossos segredo, a quem pedimos ajuda, a quem convidamos para comer lá em casa, por quem não nos importamos de abrir a nossa melhor garrafa de vinho, por quem nos levantamos mais cedo para ir buscar ao aeroporto, por quem temos sempre as palavras certas sem saber que as tínhamos, por quem sentimos carinho, por quem torcemos, a quem apoiamos incondicionalmente, com quem não nos importamos de partilhar o silêncio, por quem sentimos amor e carinho... Finalmente, por quem choramos quando se afastam, por quem avaliamos as nossas atitudes, por quem choramos de raiva por nos terem abandonado! Por quem não valeu a pena dar tanto de nós... São estas pessoas que chamámos de amigos. Mas agora fazem parte de um passado, e é lá que as devemos guardar, porque no presente não passam de pessoas distraídas. Pessoas que nos vêem a ir embora e nos deixam ir, sem deixar cair uma lágrima.
Analisando bem, não devemos ficar presos a uma memória do passado porque foi fixe! Foi fixe no passado, e nesse passado essa vivência fazia sentido. As pessoas que fizeram parte do nosso passado não tem o direito de nos magoar em memoria desse passado. E nós não devemos viver um presente com pessoas que nos magoam só porque no passado nos foram muito queridas. É que este presente, será o futuro, e no futuro não quero ter memórias tristes. É assim que decidi encarar a vida. Contando comigo, aprendendo com os outros. É assim, que as pessoas caem no precipício da solidão. É assim que nos apercebemos que vale sempre a pena sermos bons para os outros, porque saímos sempre a ganhar. Devemos ter sempre para dar, mas não esperar receber, para não nos magoarmos.
Recuso-me a viver uma vida cinzenta, sem autenticidade. Gosto de dar, mas não vou esperar receber. Eu só não quero ser magoada, quero ser feliz por dar, sempre fui feliz no dar e infeliz no receber porque o esperei. É o nosso erro, esperar do outro. Não devemos esperar nada, porque se for mesmo nosso amigo dará sem o pedirmos e sem o esperarmos.
Estou magoada, mas com força para continuar em frente, afinal de contas quem fica a perder são os que ficam pelo caminho, são os que ficam no caminho das recordações.
Há aqueles que não fazem simplesmente parte da nossa vida, mas fazem parte de nós. Esses sim, vale a pena arrastar connosco. Que façam parte do nosso passado, do nosso presente e do nosso futuro. Há pessoas que permanecem porque as guardamos no coração, mesmo que longe, é sempre com um sorriso que as recordamos. São essas que nos fazem falta, que nos fazem feliz.
O difícil é avaliar quem faz parte da nossa vida e quem faz parte de nós. Quem vale a pena carregar no coração e quem vale a pena guardar numa memoria colorida. Aqui cresce o medo de errar, e talvez a escolha no passado tenha sido um grande erro.

“É muito bom ter amigos, mas é difícil ter que aprender com eles as coisas duras da vida! Ter que crescer e seguir em frente sem eles!”
AS

terça-feira, julho 29, 2008

Inteligência Emocional

Perante uma situação de desalento, ou desmotivação temos que ter uma jogada de inteligência emocional. O que é isto? Talvez não saiba responder por definição, mas por experiência.
Uma jogada de inteligência emocional, é conseguir contrariar as nossas emoções, mas com estilo, com nível, de forma a surpreendermo-nos a nós próprios! É qualquer coisa do género; estou tão triste, mas dar uma gargalhada que veio não sei de onde, nem porquê, nem me apercebi, mas surpreendi-me! É dar colo à nossa tristeza, embalá-la, adormecê-la. É mimarmos a nossa pessoa, dar-lhe coisas boas, mandá-la ao ar e fazê-la sorrir. Temos que nos mimar nos nossos momentos difíceis, tirar um tempo para nós! Observar as nossas reacções perante situações de stress, e criticá-las como se pertencessem ao nosso melhor amigo! Nós permitiríamos que o nosso melhor amigo tivesse este comportamento? Se não, também não o queremos para nós! Esta é mais uma jogada de inteligência emocional. Damos conta e já estamos a viver novamente, a sorrir, nem que seja do disparate que nós próprios cometemos. Tiremos um tempo para nós, mas não um tempo infinito que nos leve ao silêncio, ao desalento, a uma sala sem portas nem janelas!
A questão aqui, é não desistir de nós, acreditemos que tudo à volta tem uma resolução. Tudo se resolve, mas não podemos ficar a espera que se resolvam sozinhas. Hoje em dia desmotivação pode ser considerado um luxo! Só se pode desmotivar quem tem uma vida, uma alma, um espírito recheado de riquezas, de experiências, de tudo... Não nos podemos dar ao luxo de ficar impávidos e serenos a assistir à nossa auto destruição. Sim, porque a falta de auto-estima é o inicio do caminho para a nossa dissipação, desintegração, alienação do mundo, quando damos conta já não estamos cá, estamos do outro lado da vida. (como sabem o outro lado da vida, enquanto estamos vivos, é o sono profundo).

Nos meus momentos difíceis conto comigo, com as minhas atitudes, com a minha luta. E se nessa luta precisarmos de uma amigo, arrastemo-lo que se for verdadeiramente nosso amigo irá para batalha connosco. E esta é uma luta em que só podemos ganhar porque só dependemos de nós, da nossa táctica, da nossa estratégia, das nossas armas. Conhecemos o nosso inimigo melhor que ninguém.
Não estou a dizer para mudarmos a situação, é mudar a forma como a vemos e vivemos, isso faz toda a diferença. Não é deixar passar, não é esquecer, não é deixar andar porque um dia vai passar. Tudo o que não se resolve continua a ser um problema, que mais tarde ou mais cedo nos assalta o pensamento.
Quero partilhar uma frase de um grande poeta, que como sabemos teve que inventar mil e uma personalidades, sabe-se lá porquê.
Acredito que tenha sido um dos homens mais inteligentes emocionalmente.

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”
Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 23, 2008

Amor Cigano

Foi à hora certa,
Num encontro não marcado
Que a nossa vida ganhou lugar.
Foi num outro dia,
Sem aviso ou marcação
Que a nossa vida ficou revirada.
O combinado foi viver este amor
Como se fosse cigano,
Sem lugar certo,
Sem hora marcada.
Há nuvens, e o vento tudo sacode,

Tu não vens.
Não sei onde estás,
Se voltas a casa.
Se ficas, se vais...
Se te perdes e não te vejo.
O compromisso foi não esperar.
E se não podes voltar?
Este amor é cigano.
Incerto de se viver,
Mas que nos dá vida,
Agora,
Não sei se fique se parta.
Sei que comecei a gostar da nossa casa.
E enquanto sentir este amor no peito,
Não me interessa, vou esperar!
AS

segunda-feira, julho 21, 2008

O nosso "governo"

Hoje em dia é noticia em todo o lado que a vida está difícil. E a esperança para os jovens não é nenhuma, pois a perspectiva é a tendência a piorar. Dizem os entendidos na matéria, que o futuro dos jovens é apostar no estrangeiro ou apostar na sua educação. Sim, porque hoje em dia já não basta ter um curso da tanga, temos que ter uma pós-graduação, um doutoramento, um mestrado, uma especialização, etc. Temos que andar a queimar as pestanas nos livros, e quando quisermos entrar para o mundo do trabalho, digo antes, mundo do emprego, temos 40 anos e não temos direito a reforma!!
A verdade é que começo realmente a ponderar tirar um novo curso, mas depois não será que vou ter habilitações literárias a mais? É que depois os empregadores não querem pagar muito, para aí uns 500€ serve perfeitamente! Mas se formos mestrado, ou doutorados, ou especializados... ora bem, têm que nos pagar 1000€!! E isso a malta não quer! Ah poi’não! Ora se posso pagar a um otário 500€ porque é que vou pagar 1000€ a outro otário? A vida é que nos ensina, a experiência é que nos especializa!... Por isso é que os anúncios dizem: “experiência mínima de 2/3 anos” Em que ficamos? Tiramos cursos, ou adquirimos experiência? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? É a minha mãe costuma dizer “o tempo bem dividido dá para tudo...” Bolas! Um dia agora tem 30h, não?
Os jovens licenciados que estão a trabalhar na área – o que já é uma grande sorte hoje em dia - não pensem que vão sair da cepa torta! Não é por estarem a trabalhar na área que vão longe! O curso que andaram a tirar já não serve para nada. Bem, deve servir para alguma coisa, nem que seja para a auto estima pessoal, ou frustração... Eu já nem sei muito bem se me sinta valorizada, ou frustrada. O que sei é que tenho a sorte de estar a trabalhar na área, a receber muito menos que a “Ermelinda” que passa a ferro em casa dos meus pais! Sim, porque eu não recebo para pagar a “Ermelindas”... Nunca vou receber, a não ser que tire um mestrado e vá para o estrangeiro, mas para fazer isto tenho antes que ganhar o Euromilhões, porque tudo isto tem despesas, certo?
E se o Darwin viesse agora para o nosso rectângulo fazer um estudo, chegaria às brilhantes conclusões que tirou nas ilhas Galápagos? Não me parece, talvez nos explicasse a teoria do retrocesso das espécies!
Tudo isto porque os nossos pais, acabam por ter mais que nós, eles é que ainda nos estendem a mão se nós precisarmos... É triste! Quantos casais, netos, filhos têm a ajudinha dos pais? Pois é... quantos de nós não abandonam o lar, o ninho dos paizinhos? Ao contrário do antigamente, já não é um bom emprego nem um bom casamento que nos dão estabilidade e segurança! Hoje em dia, é ter uns pais com bom coração e muita saúde... É que se eles nos faltam, lá ficamos sem chão, sem tecto, sem paredes... mas nós esperneamos e queremos viver sem eles, é o orgulho do bom filho, mas lá no fundo sabemos que temos é as costas quentes! Coitados de nós, eternamente dependentes.
Cada vez será mais difícil a liberdade, o voo... Somos uns enclausurados pela sociedade, pelas políticas, pela forma como permitimos e ajudamos a que decidam a nossa vida por nós! É uma evolução rastilho de dinamite, damos conta e já temos a bomba na mão. Passou o tempo em que vimos o rastilho a queimar, a aproximar... e agora estamos no tempo em a bomba está prestes a rebentar!
E depois não querem que andemos deprimidos... Se recebêssemos o mesmo que os meninos do parlamento, talvez nos ríssemos como eles fazem nas nossas barbas...
E alguns de nós ainda se levantam com um sorriso na cara, porque têm trabalho, porque gostam do que fazem, porque ao fim do mês tem o dinheiro que dá à conta para pagar as despesas, porque não precisam de pedir dinheiro emprestado, porque ainda sobra um bocadinho para ir beber um copo com os amigos... São uns felizardos caramba!!
Ainda me lembro de uma frase que a minha avó costumava dizer com um sorriso, com esperança no olhar; “quando tiveres dinheirinho para te governares...”. Eu acho que nós vamos dizer aos nossos netos “lá vai o teu dinheirinho para o governo...”
Cada vez nos temos que contentar com menos. A vida não nos deixa ser ambiciosos, ambição hoje em dia é não ficar desempregado... É tão triste isto, mas é verdade, e depois damo-nos conta de estarmos a ser explorados, enganados, tudo para ficar num emprego que é o nosso ganha pão... (pão só com manteiga!).
Dignidade é fazermos as nossas sandes de manteiga! Para mim mais vale a minha sandes que uma tosta de caviar, ou uma salada de trufas na Cimeira da Luta contra a Fome! Fiquei indignada, foi o auge do gozo aos desfavorecidos. Eu nem me sinto atingida porque não passo fome, mas coitados dos famintos, a sorte é que nem devem ter televisão para assistirem a estas notícias... Graças a Deus! (ainda bem que não tem televisão, há males que vêm por bem!)
Bem, é óbvio que preferia poder comer uma tosta com caviar, mas numa outra ocasião, talvez numa festa com grandes amigos, rodeada de marisco, numa casa com vista para o mar, com empregados a servirem, muito champanhe, com tudo e mais alguma coisa...

Cá fico na minha, sandes de manteiga tenho muitas para partilhar... As de caviar, vou tratar disso, depois convido-vos a irem lá a casa jantar, tragam um amigo porque há sempre comida para mais um!

Viva o Robin dos Bosques! Vai roubar outro, ò palhaço!

sexta-feira, julho 18, 2008

Sinto na carne e na alma a saudade.
Na alma, sinto como um pedaço que me falta, o incompleto, sinto-me desintegrar. Existe na alma um vazio que aumenta, porque nada posso partilhar contigo, não partilho um olhar, um sorriso, uma lágrima, um beijo, nem sequer um abraço.
Na carne, sinto o toque persistente da ausência, que vai crescendo sem o toque das tuas mãos, sem o toque dos teu lábios, sem o som das tuas palavras.
É a visualização perfeita do imperfeito, esta existência sem o contacto da tua pele.
O corpo transpira uma vontade de enroscar, de entrelaçar as pernas, de apertar-te contra o peito, só possível contigo.
Se queres saber, é assim que vivo os meus dias, sentindo a tua falta, vazia de nós, ansiando o teu regresso, e ao mesmo tempo angustiada por saber que vais chegar para depois partires...

segunda-feira, julho 07, 2008

Presença

Apareceste tão casualmentena minha vida...
Como uma nota musical
Solta no vento das canções.
Num olhar, num silêncio ansioso
Nasceste assim na minha vida.
Inesperado perfume de flor silvestre,
Tão casual, agradável e breve…
Já te conhecia dos meus sonhos,
Imagem de segredo, guardada, fechada
Minha ilusão, meu desejo.
Pressentia o teu perfume na sombra,
O teu respirar no escuro.
Tu existias em mim…
O teu olhar
Onde cintila uma gota pura de verdade,
Aconchego de alma perdida,
Esconderijo de coração partido.
Esse olhar guardei-o no meu peito.
Era invisível, flutuante, distante,
Impossível de encontrar.
Onde passei procurei os teus olhos.
Apareceste em mim,
De dentro para fora.
Não te encontrei ao passar,
Descobri-te dentro do peito.
Nesse momento não foste breve, não és,
Ficaste, como uma nota forte que entoa
Uma vibração de corda de viola
Que fica gravada na alma
No meu peito
Estás longamente, além de compassos e acordes,
além da música, da vibração.
Além dos cheiros, das paisagens eternas.
Ressoas cá dentro a cada minuto,
A cada segundo.
Ficas e permaneces dentro de mim.
AS